Política

VIOLÊNCIA POLICIAL

Deputados do PSL usam morte de Ágatha para defender mais mortes via pacote anti crime do Moro

Deputados do PSL usam morte de Ágatha, menina de apenas 8 anos baleada em operação policial no Complexo do Alemão, para justificar pacote "anti-crime" de Moro, que tem como centro ampliar impunidade de policiais assassinos.

terça-feira 24 de setembro| Edição do dia

A morte de Ágatha Félix, de apenas 8 anos, após ser baleada cruelmente na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, está sendo usada pela extrema-direita para justificar projetos e políticas que irão avançar ainda mais com a matança policial nas favelas e periferias brasileiras.

Deputados do PSL e de outros partidos alinhados à política de segurança, que na prática quer instituir ainda mais violência contra a população pobre e negra, a reforçarem a defesa do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, no grupo de trabalho que analisa a proposta.

Veja mais: Ágatha Félix: mais uma criança morta pela polícia racista de Witzel

Uma das medidas em discussão no grupo é a redução ou mesmo isenção de pena a policiais que causarem morte durante sua atividade - o chamado excludente de ilicitude. Ágatha, que foi atingida por um projetil durante operação policial no Morro do Alemão, será uma das milhares de vítimas da polícia militar que irá matar ainda mais impunemente diante deste projeto assassino de Moro.

Debochando sob a morte de Ágatha e de outras crianças e jovens violentamente assassinadas sob comando da polícia de Witzel no Rio de Janeiro, o deputado Fábio Trad do PSD declarou: "Hoje, estamos aqui pela primeira vez vendo uma sessão prestigiada. Nós sabemos a razão disso. Tem um nome: Ágatha. O nome Ágatha que justificativa essa concentração de atenção do Brasil. Se não fosse o fuzilamento de Ágatha estaríamos aqui sete, oito ou dez no máximo. E eu falo fuzilamento porque foi um tiro de fuzil"

O pacote "anti crime" de Moro, que na prática significa avançar com a impunidade de policiais assassinos, bem como a nova política de Witzel, que aprovou em Diário Oficial, a não contabilização das mortes cometidas por policiais Índice de Letalidade Violenta, um dos indicadores estratégicos para análise da criminalidade no estado, são grandes ferramentas para legalizar, legitimar e fortalecer o massacre estatal da população negra e periférica.

Saiba mais: Witzel retira mortes cometidas por policiais de estatística, para seguir matando jovens e negros

Políticas como de Witzel, Moro e do governo Bolsonaro de conjunto, apoiada na repressão policial é expressão de um aprofundamento do racismo estrutural. Até agora são mais de mil negros e negras assassinados. Com a falsa propaganda de "segurança" e "guerra às drogas", governos de extrema-direita jorram sangue negro, de crianças, jovens e trabalhadores nas favelas cariocas e periferias de todo país.

A resposta à miséria e violência declarada não está em medidas que abrem ainda mais espaço pra matança generalizada por parte das policias, e no Rio de Janeiro em especial, também das milícias. É necessário que a juventude e os trabalhadores se organizem contra tamanha violência, colocando na prática a demanda urgente que diversos cartazes na manifestação por Ágatha afirmavam: Parem de nos matar.




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