Gênero e sexualidade

CENSURA À ARTE

Deputado ’moralista’ que censurou exposição no MS é acusado de manter funcionária fantasma

sexta-feira 15 de setembro| Edição do dia

O Deputado Lídio Lopes (PEN-MS) finge ser um "poço de moral" ao ter sido o pivô da censura da obra "pedofilia", retirada na exposição Cadafalso pela polícia no dia de ontem no Museu de Arte Contemporânea em Campo Grande. No entanto, é investigado pela justiça suspeita de manter funcionária fantasma.

Esta ofensiva do deputado aproveita a onda do cancelamento da exposição "Queermuseu" depois que militantes do MBL invadiram a exposição exigindo a sua censura.

O deputado, que é linha de frente da implementação do Projeto Escola Sem Partido na Câmara Municipal, teve os bens bloqueados em abril de 2017 por decisão do juiz Alexandre Ito por causa de uma denúncia feita pelo Ministério Público Estadual. Segundo a denúncia, Sheila Lins de Albuquerque, assessora contratada pelo deputado em 2013, não estaria cumprindo expediente, sendo considerada funcionária fantasma. O processo corre em segredo de justiça.

Em 3 de março, os bens do deputado foram desbloqueados pelo Tribunal de Justiça, por decisão do desembargador Júlio Roberto Siqueira, que alegou as irregularidades na denúncia não estariam bem caracterizadas, devendo aguardar uma "avaliação mais ampla e com cautela" sobre o processo. Na denúncia do MPE, constava que Sheila fez viagens internacionais e ainda estaria morando em Três Lagoas, mesmo sendo assessora.

Mais uma demonstração do falsa moral dos defensores do Escola sem Partido, que, sobre falsas alegações de "apologia" ou "doutrinação", querem na realidade cercear o debate sobre o machismo. Na obra "pedofilia", exposta por Alessandra Cunha Ropre, o que pode-se ver é o retrato do machismo reproduzido pela sociedade.

O mesmo machismo é reforçado pelo discurso da grande maioria destes deputados defensores do escola sem partido, que querem com o projeto, censurar qualquer crítica à demagogia representada representada pelos seus falsos valores de "família", como se a maioria dos casos de pedofilia e abuso sexual de menores não ocorressem dentro da própria casa das vítimas.

A censura é mais um ato eleitoreiro destes deputados, que no MS fingem uma cruzada "contra os pedófilos" unicamente para ganhar voto, e que, no entanto, ao mesmo tempo propõe censurar o debate sobre os abusos sofridos pelas crianças através do Projeto Escola Sem Partido.

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