Gênero e sexualidade

LGBTFOBIA

Deputado da Bancada evangélica de Pernambuco ataca Ambulatório LGBT

Deputado estadual Adalto Santos do PSB faz discurso atacando iniciativa e diz que pedirá sua revogação à Prefeitura.

sexta-feira 24 de novembro| Edição do dia

O deputado estadual Adalto Santos (PSB) fez na quinta-feira (23) um discurso contrário ao a ambulatório focado no atendimento do público LGBT que abriu no dia 20/11 na Policlínica Lessa de Andrade, na cidade do Recife, e disse que apelaria ao prefeito da cidade, Geraldo Julio (também PSB) para que encerrasse o atendimento.

Não faltando com a típica homofobia disfarçada do discurso da bancada evangélica, Santos diz estar preocupado com a existência de atendimento exclusivo a uma classe de pessoas, completamente ignorando as péssimas condições às quais é sujeito o público LGBT no Brasil, especialmente na saúde.

O deputado reclama, ainda, da possibilidade de que pacientes possam receber amparo no que diz respeito à transexualização, evidenciando que prefere a condenação do público trans à precariedade e irregularidade de tratamento, como citado por Airles Ribeiro, coordenador da Política de saúde LGBT do Recife "Cerca de 90% dos trans utilizam hormônios sem prescrição médica. O ambulatório vai regular e acompanhar isso, pois pode haver complicações futuras, como cardiopatias e câncer de fígado e pâncreas".

O ambulatório, nomeado em homenagem à transativista Patrícia Gomes, morta em 2011, é uma iniciativa para o tratamento de saúde específica do público LGBT -que estão entre os mais vitimados pelas más condições do sistema de saúde, algo relatado pela Presidente da Articulação e Movimento para as Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans- PE) Chopelly Santos "Hoje, não somos bem tratados porque os médicos e funcionários não estão acostumados a cuidar ainda dessa população". Depois de recebidos, sem a necessidade de consulta, e submetidos à triagem, pacientes podem ser atendidos por uma equipe multidisciplinar, que inclui médico, enfermeiro, psicólogo, além de residentes do Programa Multiprofissional de Saúde da Família.

"Não é que seja privilégio, é que a população LGBT precisa de um cuidado específico" ressalta Chopelly, sobre a clínica que, no projeto, seria só o começo de uma maior inclusão do público LGBT na saúde pernambucana "A ideia não é criar uma ambulatório segregado da rede de saúde, é colocar uma porta de acesso que seja mais fácil de as pessoas chegarem e terem seu primeiro atendimento, suas necessidades ouvidas" diz o secretário de saúde de Recife Jailson Correia, que fala, ainda, em usar o espaço para formar mais profissionais com capacidade de atender a esse público.

Tudo isso, porém, passa ao largo de Adalto Santos, cujo discurso LGBTfóbico ressoa sua intenção, e a de sua bancada de impedir o atendimento e a melhora de condições do público LGBT. Tal discurso, agora crescente no país, vem das vozes mais reacionárias, da religião e da política, que incentivam e promovem o ódio e a discriminação às minorias pelas mão do público e do Estado com o objetivo de oprimir e enfraquecer os que podem se opor a seus projetos podres de poder. A violência contra os LGBT’s deve acabar, nenhum LGBT a menos!

Foto: Diário de Penanbuco




Tópicos relacionados

Bancada da Bíblia   /    Homofobia e Transfobia   /    LGBT   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar