REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Deputada do PT faz coro com PSL para preservar polícia civil da nefasta Reforma da Previdência

O relatório da Reforma da Previdência foi apresentado hoje na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, e apesar da unidade do governo, centrão e “oposição” para que trabalhemos até morrermos, seguem manobras do PSL em defesa dos policiais civis e rodoviários que lhes concedam regras “brandas”. Incrivelmente parlamentares do PT compartilham com o partido de Bolsonaro a mesma defesa dos interesses corporativistas dessa instituição repressiva.

quarta-feira 3 de julho| Edição do dia

A proposta de Davi Alcolumbre (DEM) e Rodrigo Maia (DEM), ainda que reduzida se comparada com a originalmente proposta por Bolsonaro (PSL) e Paulo Guedes, segue estabelecendo uma idade mínima superior à expectativa de vida em diversas regiões do país, assim como faz recair o rombo causado pela dívida dos empresários de R$ 450 bilhões sob as costas da classe trabalhadora, colocando 40 anos de contribuição como a única possibilidade de aposentadoria com valor integral.

A única ressalva atual do PSL, pela pressão do capital financeiro internacional em aprová-a rapidamente, é a possibilidade de angariar “regras brandas” para os policiais civis e rodoviários, para que sejam incluídos no mesmo tratamento que os militares do exército, serem dispensados da Reforma da Previdência. A base social apoiadora de Bolsonaro é composta largamente por membros das forças repressivas do Estado e hoje exigem tratos especiais para poder seguir reprimindo e investigando os trabalhadores, jovens, oprimidos e membros de movimentos que se coloquem contra a crescente degradação da vida sentida pela população trabalhadora.

Natália Bonavides (PT), deputada federal pelo Rio Grande do Norte, publicou hoje um vídeo em defesa dos policiais civis, quiçá em uma tentativa de diálogo com os que seguem ameaçando com a possibilidade de “greves”, ou seja, motins, no Estado potiguar. Com esta medida, faz jus à atuação de seu partido, que cumpre um duplo movimento na conjuntura nacional, brindando Bolsonaro com governabilidade.

Ao passo que os governadores do PT no Nordeste, junto aos demais governadores da região já assinaram duas cartas declarando seu apoio à Reforma da Previdência, como direção da principal Central Sindical, a CUT e da UNE, o melhor que fazem junto às outras centrais é um abaixo-assinado, enquanto não moveram uma palha para que o dia 14 de Junho pudesse realmente barrar a Reforma da Previdência.

Mas voltemos à problemática do apoio aos policiais, representantes legítimos do braço armado do Estado, responsáveis por reprimir manifestações, levar encarcerados líderes do movimento de moradia em São Paulo há poucos dias e investigar e punir aqueles que se colocam contra a miséria imposta. No vídeo, Natália Bonavides faz menção ao perigo corrido pelos policiais, e à garantia da pensão por morte. Tenebroso é que as atividades exercidas por estes produzem mortes que não tem direito nem ao menos a serem reconhecidas, explicadas e veladas.

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Uma série de ajustes neoliberais são aprovados dia após dia, seja com a permissão dada pelo STF para a privatização de subsidiárias estatais sem ao menos passar pelo Congresso Nacional, a permissão para a formalização da implementação de jornadas aos finais de semanas e feriados e a própria Reforma da Previdência. É evidente que é necessário derrubar tanto a Reforma, quanto os ataques de conjunto e isso não se dará por meio do apoio àqueles responsáveis por reprimir caso algo saia do controle da burocracia.

Ao contrário do que tenta apresentar Natália Bonavides, a polícia não está ao lado da classe trabalhadora, pelo contrário, batalha por melhores condições para reprimi-la e portanto não merece um pingo de nossa confiança. Os policiais não são contra a Reforma da Previdência, mas sim contrários à sua inclusão nesta. Uma verdadeira luta contra a Reforma da Previdência evidenciaria o quanto compartem do apoio aos planos burgueses, contrários à luta da classe trabalhadora e da juventude.

É urgente que a CUT e a CTB construam um plano de lutas desde as bases dos locais de trabalho e estudo para organizar a luta contra a Reforma da Previdência e os ataques de Bolsonaro, do Centrão e da dita “oposição”, assim como o crescente autoritarismo judiciário, que estão à serviço de fazer com que sejamos nós que paguemos as contas da crise capitalista.




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