CRISE NA SAÚDE

Depois de morte de bebê por falta de vaga, crise da saúde se agrava em Campinas

Um bebê de apenas 6 meses morreu no fim de semana no hospital Mario Gatti, principal hospital pediátrico de Campinas. O bebê já havia sido entubado e aguardava uma vaga na UTI, que no momento estava lotada. Na segunda e na terça os hospitais da Unicamp e da PUC-Campinas, respectivamente, declararam que estava lotado também. A crise da saúde se agrava em Campinas enquanto Jonas e a Secretaria de Saúde buscam amenizar falando em “condições anormais” de problemas respiratórios em crianças na cidade.

quinta-feira 9 de maio| Edição do dia

Um bebê de apenas 6 meses morreu nesse fim de semana, ele já estava entubado e aguardava uma vaga na UTI pediátrica do hospital Mário Gatti, um dos principais hospitais do SUS na região. Logo na segunda-feira a administração municipal comandada por Jonas Donizette (PSB) soltou uma nota cínica declarando que a população da cidade passava por uma condição anormal de problemas respiratórios e que a rede do SUS não estava dando conta.

Na segunda a administração da UTI da Unicamp também alegou superlotação de incríveis 140%. Na terça-feira o hospital da PUC-Campinas suspendeu atendimento no PS adulto e infantil. Na mesma semana que Campinas confirma sua segunda morte por dengue, declarando a 4ª epidemia em 19 anos na cidade, rede pública de saúde mostra que não dá conta de atender a população.

O vereador Paulo Galtério, do partido do prefeito, declarou na quarta-feira que a culpa pela crise na saúde é de “uma enfermeira que brigou com o namorado”, jogando nos profissionais da saúde a culpa pela crise na saúde. No mesmo dia o prefeito declarou intervenção nos hospitais que alegarem superlotação, condicionando o não-atendimento a justificativas a Prefeitura. Esses movimentos, que buscam blindar Jonas e seus apoiadores, jogando a culpa ou nos trabalhadores, ou na administração dos hospitais, esconde a real responsabilidade do governo em garantir o sistema público de saúde.


Epidemia de verão, surto de outono, a culpa são das doenças?

As denúncias de corrupção na saúde que abalaram o governo Jonas sobre os esquemas de favorecimento da Organização Social Vitale no hospital do Ouro Verde e desvios de recursos públicos mostram a verdadeira máfia que sustenta politicamente o prefeito. A saúde em Campinas é um grande negócio, uma das cidades referência nacional em vários tratamentos de saúde, uma região metropolitana maior do que muitas capitais estaduais e diversas empresas de olho em abocanhar um pedaço de uma grande estrutura de saúde pública que deveria, em tese, servir a população trabalhadora.

No meio disso tudo, como busca atacar o vereador Paulo Galtério, encontra-se os trabalhadores da saúde, que também são atacados pela precarização, com más condições de trabalho, atrasos de salários, quando não são contratados de Organizações Sociais que criam condições de negociação salarial e de jornada degradantes. Para se ter ideia tem trabalhadores da Vitale (que foi substituída depois da denúncia) que até hoje não receberam, até para a Justiça é muito mais proveitoso fazer uma ação midiática do que garantir boas condições de trabalho e que os direitos dos trabalhadores seja pago.

Jonas Donizete não só tem uma grande base de apoio na cidade, com maioria na câmara de vereadores, como é um “nome forte” na política nacional como presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Busca articular milimetricamente cada passo da Reforma da Previdência, inclusive tentando adiantá-la aos trabalhadores municipais de Campinas, justificando que assim teria recursos para cuidar de outras áreas.

O prefeito de Campinas esconde os enormes privilégios que uma administração pública que tem um orçamento de 6 bilhões de reais anuais paga a toda sua rede de apoiadores, além de compromissos, como o da dívida pública, que para os olhos dos capitalistas é muito mais vital do que dinheiro para a saúde pública. Enquanto não botarmos abaixo os privilégios da casta que dirige a cidade, e que garante pagamentos religiosos aos grandes bancos no sistema da dívida pública, não daremos uma solução as mortes, precarização do trabalho e ao atendimento precário que assistimos na saúde de Campinas.




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