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Depois de longa espera e polêmicas pelo mundo, Pokémon Go chega ao Brasil

Allan Costa

Militante do Grupo de Negros Quilombo Vermelho - Luta negra anticapitalista

quarta-feira 3 de agosto de 2016| Edição do dia

Finalmente, depois de uma longa espera de quase um mês, Pokémon GO! foi lançando no Brasil no começo da noite de hoje (03). O jogo já estava há alguns dias aparecendo na lista do servidor e chega por aqui depois de se tornar em poucas semanas uma verdadeira febre mundial.

O jogo, disponível para download gratuito em smartphones, é baseado no famoso desenho "Pokémon" que já havia sido um fenômeno mundial quando estreou nas TVs de todo o mundo em 1996 e de lá pra cá criou uma legião de fãs e uma infinidade de produtos e licenças que exploram sua marca como, por exemplo, jogos de video game, história em quadrinhos, filmes e todo tipo de "colecionáveis". A Proposta do jogo é bastante inovadora e mexe diretamente com o imaginário de todos os fãs da série, se na época em que estreou a série a experiência mais real possível de um duelo Pokémon (para este que vos escreve) seria uma partida dos famosos "tazos" que vinham nos salgadinhos e para capturar as 151 miniaturas de todos os monstrinhos uma criança deveria beber centenas de litros de um famoso guaraná, dessa vez a tecnologia de "Realidade Aumentada" utiliza localização por GPS e faz com que os jogadores tenham que sair por aí para caçar seus Pokémons nas ruas de sua cidade, podendo inclusive visualizá-los no lugar onde estiverem através da câmera do celular, que insere uma animação do Pokémon na imagem de vídeo.

Desde que estreou no exterior o game já foi responsável por números impressionantes, o aplicativo se tornou mais utilizado que o Twitter e o Tinder e fez com que as ações da Nintendo na bolsa de Tóquio (que não andavam nada bem nos últimos anos) se valorizassem 120% em poucos dias, chegando a 42,5 bilhões de dólares e superando a empresa mais importante do segmento de games, a Sony, fabricante do Playstation.

Nessas poucas semanas o jogo coleciona também uma série de incidentes por todo o mundo, existem relatos de pessoas que se machucaram ao andar por aí de cabeça baixa olhando a tela do celular enquanto jogavam, assaltos e até corpos encontrados em terrenos baldios onde estavam os Pokémons. Um Pokémon chamado Koffing, famoso por soltar gás venenoso, foi encontrado dentro do Museu do Holocausto, o que causou duras críticas aos desenvolvedores do jogo.

Outro problema se refere à enxurrada de casos de denúncia de racismo quando negros foram enquadrados e sentiram-se em perigo enquanto andavam por aí capturando seus Pokémons, pessoas chamaram a polícia denunciando estarem vendo pessoas "suspeitas se comportando de modo estranho". É comum os jogadores andarem pelas ruas de um lado para o outro, em circulo ou mesmo em grupos. Favelas e comunidades pobres não são listadas como locais habitados, fazendo com que as crianças de áreas mais carentes sejam excluídas da possibilidade de jogar, isso se considerarmos as poucas que tem um celular com acesso à internet. Neste caso, o jogo passa a ser apenas mais um de tantos produtos que a sociedade ostenta alegremente e que não são acessíveis aos pobres que já carecem enormemente de opções de lazer.




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