Política

RIO DE JANEIRO

Depois de haver mortes, Crivella joga culpa nos próprios moradores vítimas da chuva

segunda-feira 2 de março| Edição do dia

O temporal que assolou o Estado do Rio de Janeiro do final de semana até hoje deixou mortos na Zona Oeste e na Baixada Fluminense, e também centenas de pessoas desabrigadas em algumas regiões do Estado, como Rio Bonito aonde 600 pessoas tiveram que deixar suas casas. Até ontem, eram confirmadas 2 mortes na Zona Oeste da capital e 1 morte em Mesquita, na Baixada Fluminense. Bairros inteiros destruídos pela força da chuva, alagamentos, casas invadidas pelas águas. O que significa bens dos trabalhadores, comprados com muito suor, destruídos pela invasão da água.

O prefeito Crivella, para variar, lançou mais uma de suas declarações para se livrar da responsabilidade de investir em infraestrutura para acabar com esta crise que afeta os trabalhadores. Em uma live em suas redes sociais, Crivella transmitiu a responsabilidade que é da prefeitura, aos próprios moradores afetados diretamente pela destruição da chuva.

Na live, disse que: "tem certas coisas que o cidadão tem que fazer por si mesmo", quer dizer, livrando-se da culpa, para em seguida culpar os moradores destas regiões mais pobres que sofrem com as enchentes: "As pessoas gostam de morar ali perto porque gastam menos tubos para colocar cocô e xixi e ficar livre daquilo".

Ainda afirmou que os alagamentos seriam um problema de higiene, demonstrando o preconceito que o prefeito tem com as regiões mais pobres do Rio:

"Essas coisas de higiene do dia a dia e também do cuidado na hora em que for escolher a sua moradia, e de atender as sirenes e ir para locais de refúgio são coisas que cada cidadão tem que fazer por si mesmo e isso a prefeitura não pode fazer por ele e isso coloca sua vida em risco".

Vivendo há anos em um condomínio luxuoso, o Vivendas da Barra da Tijuca, Crivella demonstra que não sabe nada sobre a realidade da vida da classe trabalhadora carioca. Para Crivella é como se os trabalhadores escolhessem morar em áreas de risco - e não fosse uma situação de necessidade. Ao invés de reconhecer a completa incompetência de sua gestão, que deixou estas áreas desamparadas, sendo responsável por estas mortes e desastres, Crivella prefere dizer que a culpa é das próprias vítimas do descaso da prefeitura municipal.

O que Crivella não diz é que, enquanto isenta de impostos os grandes grupos capitalistas, como os empresários de transporte e empreiteiras e concessionárias, a verba destinada para investir em infraestrutura e obras públicas fica completamente paralisada. Discursando sobre uma suposta crise nas contas do município do Rio, a verdade é que a gestão do Crivella é uma gestão de cortes na saúde, cortes na infraestrutura para os trabalhadores, manutenção dos mesmos problemas da gestão de Paes - com obras que não acabam nunca como o BRT da Transbrasil, entre outros mil exemplos.

Crivella se alimenta do empobrecimento dos trabalhadores. Muito provavelmente ele preferiria dizer, em sua Igreja, que os alagamentos e as destruições são obras divinas pecadores, crentes de outras religiões ou pessoas que não pagaram o dízimo.

Frente à mais este desastre programado por décadas de descaso com as populações mais pobres e com os bairros dos trabalhadores, descaso este que é reforçado por Crivella, é necessário que as organizações de trabalhadores cerquem de solidariedade as vítimas das chuvas que chegaram a fazer vítimas letais, as centenas que ficaram sem suas casas ou ficaram sem os seus pertences acumulados com anos de trabalho. Só é possível mesmo reverter este quadro com a taxação das grandes fortunas dos monopólios capitalistas que comandam hoje a prefeitura do Rio e o tem o governo do Estado no bolso. Este dinheiro deve servir para financiar uma ampla reforma urbana de moradia, com um plano de obras públicas que crie emprego e moradia digna para todos.




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