Sociedade

XENOFOBIA

Depois de despejar xenofobia contra o nordeste, Bolsonaro faz demagogia “Somos todos Paraíba”

terça-feira 23 de julho| Edição do dia

Na última quinta-feira, dia 18 de julho, Bolsonaro escancarou mais uma vez toda a sua xenofobia. No vídeo que viralizou nas redes sociais Bolsonaro conversa com o ministro da Casa Civil e principal articulador do governo, Onyx Lorenzoni e se refere aos nordestinos como “paraíbas”. O vídeo gerou revolta, com respostas nas redes sociais e até um vídeo gravado pela cantora Alcione, natural do Maranhão, pedindo respeito ao povo nordestino.

Em meio a revolta que gerou a declaração xenófoba, no início da semana Bolsonaro e Rui Costa (governador da Bahia) trocaram farpas na inauguração do aeroporto, em Vitória da Conquista (BA). Bolsonaro acusava o governador de não fornecer aparato policial estatal (a PM) para sua segurança no evento. Governo federal e estadual disputam a “paternidade” do aeroporto. Bolsonaro também tentou limitar o tamanho da delegação do governo do estado, governado pelo PT. Em meio à polêmica, Rui Costa decidiu não comparecer ao evento.

O aeroporto foi nomeado “Glauber Rocha” pelo governo baiano, em homenagem ao cineasta brasileiro perseguido pela ditadura militar. No entanto, em nenhum momento da cerimônia, Bolsonaro, defensor da tortura e entusiasta da ditadura militar, citou o nome do premiado cineasta.

Durante a inauguração, Bolsonaro tentou fazer demagogia para esconder seu preconceito. “É uma honra hoje também ser nordestino cabra da peste”. Bolsonaro aproveitou o momento também para atacar a esquerda, “Não aceitaremos, evidentemente, querer impor a nós o socialismo ou o comunismo” e os ambientalistas “Eu tenho um sonho: Quero transformar a baía de Angra [dos Reis] numa Cancún. Cancún fatura U$ 12 bilhões anuais. E a baía de Angra fatura o que? Quase zero, por causa dos xiitas ambientais, esses que fazem uma campanha enorme contra o Brasil lá fora. Eu não sei por que essa gente tem tanto amor por ONGs estrangeiras. O Estado está aparelhado. Não temos preconceito contra ninguém, mas temos uma profunda repulsa por quem não é brasileiro”.

Essa profunda repulsa por quem não é brasileiro, Bolsonaro não explicou ao que se referiu. Isso porque o governo tem mantido laços estreitos com o imperialismo, aumentando a subordinação aos Estados Unidos de Trump e a União Europeia. Sua repulsa deve se referir aos imigrantes, já que apoia as políticas antimigratórias de Trump e já chegou a se referir aos refugiados haitianos recém chegados ao Brasil como “escória do mundo” em 2015.

A verdadeira repulsa que Bolsonaro sente e não consegue esconder é contra os trabalhadores (de todos os países), contra as mulheres, contra os negros, as LGBTs, os imigrantes e também contra os nordestinos. Seu governo tem sido uma fábrica de ataques constantes. A reforma da previdência é um dos maiores ataques a classe trabalhadora. Para manter os lucros dos patrões, querem que trabalhemos até morrer.

Rui Costa e os demais governadores do Nordeste se revoltaram contra as declarações profundamente xenófobas de Bolsonaro. No entanto, esses mesmos governadores se articularam com Rodrigo Maia e o centrão defendendo a necessidade de uma reforma da previdência e a manutenção dos estados no projeto da reforma. Uma reforma que vai submeter todos os trabalhadores no Brasil a mais exploração, a trabalhar cada vez mais em nome da sede insaciável de lucros. Uma reforma que vem acompanhada de mais precarização do trabalho e mais subordinação aos imperialistas.

Bolsonaro faz chacota com os problemas sociais do Brasil, como a fome e a pobreza que atinge mais de 7 milhões de brasileiros. Destila ódio contra nordestinos, contra mulheres, contra negros, contra LGBTs. Lança ataques profundos contra os trabalhadores e a juventude. Nos mantém de joelhos frente aos imperialistas. Tudo em nome do lucro deles.




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