Sociedade

COLAPSO NO SUS EM SP

Depois de conduzir SP ao colapso Doria quer gastar meio bilhão com leitos privados

Doria e seu governo apontam que em três semanas haverá o colapso do sistema de saúde em SP, e depois de semanas construindo junto com Covas este cenário, agora o governo quer encher o bolso dos capitalistas da saúde privada para alugar seus leitos.

quarta-feira 20 de maio| Edição do dia

O Brasil bateu um novo recorde nessa pandemia, superou as 1000 mortes em 24h e se torna um dos epicentros da pandemia no mundo. Bolsonaro e a cúpula militar que assumiu as rédeas e a sustentação do seu governo, são os principais responsáveis por essas mortes, pelo colapso do SUS, alinhados com os setores da burguesia que querem manter a produção como era antes para não perderem seus lucros, colocando em risco a vida de milhares de trabalhadores.

|Por sua vez, Doria e Covas seguem conduzindo o Estado de São Paulo para o colapso. Hoje, o Governo do Estado abriu edital para contratação de leitos da rede privada, a partir de uma previsão de que o sistema público de São Paulo irá colapsar em três semanas.

Se o cenário atingiu este ponto absurdo, é por responsabilidade do próprio governador de São Paulo, João Doria, e do prefeito Bruno Covas, que desde o início da pandemia, assumiram uma política de isolamento às cegas, sem qualquer plano real de testagem massiva, construindo um enorme fosso de subnotificação que agora, conduz a este colapso.

São Paulo já tem ocupação quase total dos leitos do SUS, e ultrapassa dos 5 mil mortos. É o estado onde mais pessoas morreram fruto do COVID-19, e que agora caminha para uma situação cada vez mais drástica.

Por semanas tanto Doria quanto Covas, e toda sua equipe de técnicos que praticamente todos os dias vão à público em coletivas, tentando se pintar de “racionais” e de preocupados com a vida da população, assistiram a construção do cenário que vimos hoje.

Não faltaram relatos sobre as orientações da Secretaria de Saúde do Estado de notificar apenas os casos graves do novo coronavírus, tendo como política de governo a subnotificação, para além da ilusória promessa de testes.

Se somam a isso, as milhares de denúncias feitas por trabalhadores e trabalhadoras da saúde pela falta de condições nos hospitais, com a falta de EPIs, com quadros de funcionários extremamente reduzidos, e a falta de insumos e materiais essenciais para lidar com os casos do vírus.

Doria se diz preocupado com a vida da população. Mas até agora não garantiu nem o básico para segurança nem dos profissionais que estão na linha de frente nos hospitais, nem para os funcionários do metrô, que seguem exigindo EPIs e a liberação daqueles que são grupo de risco, que seguem trabalhando. Ao mesmo tempo, não tomou qualquer medida para colocar de pé a produção dos insumos necessários para o combate à pandemia, como poderia e deveria ser feito, reconvertendo setores da indústria para a produção de álcool em gel, e dos tão necessários respiradores - exemplos que puderam ser vistos na França, pela força dos trabalhadores da Airbus, que impuseram a reconversão da produção em nome dos interesses da população.

Agora, Doria libera um edital que despeja quase meio bilhão em gastos que irão direto para o bolso dos monopolistas da saúde brasileira. Serão R$ 594 milhões gastos para contratar leitos e equipamentos da rede privada. Doria atende aos interesses destes empresários que lucram com a saúde, ao invés de atender aos interesses da população. Doria irá contratar 3.000 leitos da rede privada, ao custo de R$ 1500 cada. O governo prevê um número em torno de 108 mil diárias que serão pagas às redes de saúde privada.

Não podemos aceitar que se gaste nem um centavo sequer com estes abutres que lucram com a vida e a morte dos brasileiros, e assistem seus leitos vazios na rede privada enquanto milhares sofrem com a precariedade do SUS.

É preciso que se coloque toda a capacidade do sistema privado de saúde a disposição do SUS, sob controle das e dos profissionais da saúde, sem qualquer indenização, garantir em primeiro lugar, não os interesses dos empresários, mais sim da população. Assim, se aumenta a capacidade do SUS em atender a pandemia, se aumenta o número de médicos na linha de frente, sem colocar nenhum centavo a mais para aqueles que já lucram com a saúde dos brasileiros.

Chega de aceitar a política empresarial de Doria e Covas. Ambos podem até se opor ao negacionismo lunático e boçal de Bolsonaro, mas suas responsabilidades seguem estando com o bolso dos empresários que os elegeram, e não com a vida da classe trabalhadora. Nossas vidas valem mais que o lucro destes capitalistas que esfregam as mãos ao ver a ocupação do SUS, e a possibilidade de alugar seus leitos para o Estado.




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