Gênero e sexualidade

8 DE MARÇO ARGENTINA

Depois de bloquear avenidas, trabalhadoras da Coca-Cola marcham para o Ministério do Trabalho

sexta-feira 8 de março| Edição do dia

Desde as 7:30 elas derrotaram as tentativas de repressão por parte do governo e trancaram a icônica esquina de Buenos Aires, em reclamação contra as demissões. As 9 se dirigiram para reivindicar ao Ministério do Trabalho.

A partir das 7, a comissão de mulheres da Coca-Cola, ao lado da Siam, do Hospitam Posadas, da Finning Cat e outros setores de trabalhadores, iniciaram este dia de lutas denunciando que as demissões também são violências.

No marco da jornada internacional do 8M, desde as 7h da manhã houve um grande bloqueio na esquina Corrientes com Callao, na Cidade de Buenos Aires, encabeçado pelas mulheres da Comissão de Mulheres da Coca-Cola, trabalhadores da Siam (demitidos e com uma decisão judicial de reintegração que a companhia não cumpre), trabalhadores da empresa Finning Cat da Zona Norte, a comissão de mulheres da FATE, professores (oposições da Suteba e Ademys), enfermeiras (do Garraham e do Posadas), aeroviárias, telefônicas, entre outras.

Também participam estudantes secundaristas e de universidades do Conurbano e da Cidade, parte da maré verde, trabalhadoras de estatais, metalúrgicas, ferroviárias e metroviárias.

Acompanham também as deputadas Myriam Bregman e Nathalia González Seligra do PTS-FIT e da Agrupação de Mulheres Pão e Rosas.

“Essa situação não é isolada”, disse a Comissão de Mulheres da Coca-Cola, e advertiram que “empresas como Siam também demitem e em Madygraf (ex-Donelley) enforcam a Cooperativa com o aumento das tarifas dos serviços públicos.

“A Coca-Cola diz em sua campanha publicitária que ‘primeiro vem a família’, utilizando imagens de famílias felizes, em uma atitude cheia de cinismo, já que não emprega mulheres operárias (em uma clara discriminação trabalhista) e maltrata a nós que diariamente sustentamos nossas famílias. Essa multinacional milionária impõe jornadas de trabalho de 12 horas, turnos rotativos e persegue quem reclama de algo”, denunciam.

As 8:30 as mulheres conseguiram um primeiro triunfo do 8 de março: o cordão policial que estava do lado da 9 de julho, que ameaçou durante mais de uma hora avanças, teve que se retirar. A coluna de trabalhadoras e estudantes manteve o bloqueio até as 9 horas, momento em que marcharam para a Secretaria do Trabalho para rechaçar as demissões

As mulheres, que são filhas, esposas, mães, companheiras dos trabalhadores demitidos pela multinacional, voltaram Às ruas depois da brutal repressão que sofreram há poucos dias, por parte do governo de Rodríguez Larreta.

Em conversa com este diário, assinalaram que “queremos que se ouça a voz das mulheres trabalhadoras. Recebemos o apoio do Coletivo de Mulheres, de jornalistas importantes como Marta Dillon e nos acompanham trabalhadoras, professoras, enfermeiras, estudantes e integrantes do movimento de mulheres”.

“Nós somos as principais vítimas do ajuste”, afirmaram, e sublinharam que “estamos obrigadas a aceitar trabalhos precários, quando temos a sorte de poder trabalhar. Os salários não dão conta porque entre o pagamento do aluguel e dos serviços essenciais, é impossível chegar ao final do mês. Essas empresas tampouco contam com creches onde poderíamos deixas nossos filhos enquanto trabalhamos”, agregam.

Ademais, remarcam que no caso da Coca-Cola, em que os relatórios de demissão “evidenciam que se baseiam no acordo com a Secretaria do Trabalho da Nação e na seleção em função do peso social”. “É uma mentira já que entre os demitidos há pais com cinco, quatro e três filhos, alguns deles com deficiências”, sublinham.

“Neste 8 de março exigimos à Secretaria do Trabalho da Nação que não homologue o acordo esdrúxulo entre SUTIAGA e a empresa para demitir. Na Siam, reivindicamos que a empresa cumpra a ordem de readmissão”, disseram, e anunciaram que pela tarde participarão da mobilização pelo 8 de Março.




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