Política

GOVERNO WITZEL

Depois de apoiar sua campanha, Clã-Bolsonaro diz que não tem nada a ver com Witzel

Depois de apoiar a candidatura de Witzel para o governo do Rio de janeiro, agora demagogicamente a família Bolsonaro, quer marcar distância do governador.

quinta-feira 10 de janeiro| Edição do dia

Flávio Bolsonaro e Witzel estiveram em Israel para comprar Drones/Imagem: Divulgação/ O Globo

Um novo capítulo se abriu na relação entre o governador do Rio, Wilson Witzel e a família Bolsonaro. Carlos Bolsonaro e alguns deputados estaduais do PSL no Rio de Janeiro estariam irritados com o governador. Em resposta a um comentário em seu perfil no Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, declarou: "Nenhuma ligação, eu Jair e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tivemos ou temos com o candidato e hoje governador Witzel. Desejamos sorte e sabedoria neste mandato que se inicia".

Carlos fez também outros comentários sem citar nomes, fazendo indiretas para Witzel. Tudo indica que esses ataques são pelos recentes acenos de apoio do governador a candidatura de André Ceciliano do PT, para se manter presidente da presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Apesar de Witzel ter dito em seu perfil no Twiter, fontes afirmam que o governador vai apoiar o candidato do PT e que o líder do governo na câmara, Márcio Pacheco (PSC), vai retirar sua candidatura para apoiar Ceciliano, em troca da presidência da Comissão de constituição e Justiça.

Segundo o Jornal O Dia, o acordo teria sido selado em um encontro fora da agenda oficial do governador. Na mesma semana, segundo o Jornal Extra, Witzel teria feito um elogio a Ceciliano: “Vossa excelência tem sido parceiro, e tenho certeza que continuará sendo parceiro do governo. Nosso partido é o estado do Rio de Janeiro".

Ainda em seu comentário no Twitter, Carlos Bolsonaro deu a entender que, da família, apenas o irmão Flávio apoiou o governador do Rio, durante a eleição.


Carlos Bolsonaro tentando se diferenciar de Wtzel em seu Twitter/ Reprodução Twitter/ O Globo

Sabemos que isso não passa de pura demagogia. No início de sua campanha Witzel, era praticamente desconhecido, e foi eleito se ligando a campanha Jair Bolsonaro e suas promessas reacionárias. Foi eleito e é reconhecido pela mídia como um dos candidatos bolsonaristas. Eles dizem que Bolsonaro não declarou apoio a Witzel, mas fizeram milhares de materiais de campanhas juntos na eleição e, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), cumpriu agenda de rua ao lado de Witzel.


Santinhos de Witzel com Bolsonaro durante a campanha eleitoral / O Globo

O governador se elegeu apoiando as propostas de ataques de Bolsonaro, na reforma tributária e da previdência para atacar os trabalhadores e faze-los trabalhar até morrer. Já nos primeiros dias de governo, negociou com Bolsonaro apoio ao projeto que enquadra traficantes como terroristas, numa reacionária declaração dizendo que os policiais têm que ter total apoio para bate-los (nota do ED), sabemos que isso vai significar ainda mais impunidade a polícia que mais mata no país e mais assassinatos de negros e negras, trabalhadores e pobres, moradores das favelas e da baixada fluminense.

Esse cenário mostra que nenhum setor tem força para desbancar a candidatura de Ceciliano. Flávio Bolsonaro, declarou no seu Twitter: “Importante reunião com a bancada de deputados estaduais do PSL/RJ. A Alerj terá alternativa para disputa da presidência e a bancada, disposta a abrir mão da cabeça da chapa, sinaliza que o importante é o RJ e já articula com outros partidos”.

Muito longe de parecer uma separação entre Witzel e a família, na verdade mostra apenas diferentes táticas para ver como manter seus planos, nos quais estão todos juntos nos ataques que querem fazer aos trabalhadores. Mostra também que André Ceciliano, é o candidato preferido entre setores da direita e da extrema direita, como Witzel, porque não representa uma oposição petista, como querem vender os bolsonaristas. Com um histórico que não deixa nada a dever a direita, votou contra a prisão do corrupto Picciani (ex presidente da ALERJ, preso por corrupção) e também votou pela privatização da CEDAE. Ceciliano não será assim como não foi em 2017, uma oposição em defesa dos interesses dos trabalhadores, mas sim em defesa dos interesses dos políticos e empresários.

Uma enorme traição do PT que o candidato da ALERJ, após um golpe institucional e das eleições manipuladas, que elegeram candidatos que querem arrancar nosso sangue e suor como Witzel e a família Bolsonaro, tenha um petista como aliado.




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