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TRUMP ELEITO

Depois da tempestade, diálogo entre Trump e Obama na Casa Branca

Depois de uma hora e meio de conversa, Obama disse que foi "um excelente encontro" enquanto o presidente eleito qualificou Obama como "muito boa pessoa".

sexta-feira 11 de novembro| Edição do dia

Depois do primeiro estupor pelo triunfo do candidato que ninguém queria, com milhares protestando em Nova York, Chicago, Washington e outras cidades, as bolsas caindo em distintos países sobretudo os emergentes, e sinais de incerteza por parte de governos chave como o francês e o alemão, todos agora caminham para dar governabilidade ao futuro governo de Trump.

O próprio Trump que durante a campanha manteve um tom agressivo, chegando a dizer que se governasse prenderia Hilary Clinton, afirmou que “é hora de nos unir como um só povo”. Clinton chamou seus votantes a “dar-lhe uma oportunidade de liderar o país” e o presidente Obama disse que “fará todo o possível para que tenha êxito”, ambos após terem sustentado durante a polarizada campanha eleitoral que o triunfo do republicano era “o pior” que podia acontecer ao país.

O posto mais alto deste “giro ao centro” se deu na reunião que ocorreu no Salão Oval da casa branca, onde o atual presidente recebeu Trump em um ambiente de muita cordialidade. Após uma hora e meia de conversa, Obama disse que foi um “excelente encontro” enquanto que o mandatário eleito qualificou de “muito boa pessoa” a seu interlocutor e disse saber que pode “contar” com ele em seu futuro governo, “incluindo seus conselhos”.

A necessidade do establishment de evitar qualquer incerteza em torno da governabilidade da principal potencia do mundo, assim como de marginalizar tipo de mobilização, levou a um rapidíssimo reacomodamento de toda a classe política norte americana que até o dia anterior tinha se colocado oposta a um triunfo de Trump.

Ontem foi o segundo dia de protestos de milhares que não esqueceram o caráter racista, misógino e xenofóbico de quem ocupará a Casa Branca nos próximos 4 anos. Em Los Angeles 28 pessoas foram detidas e em Oakland também se registraram incidentes com a polícia, o que marca qual poderia ser o futuro da situação política norte americana marcada pela luta de distintos setores sociais frente ao novo governo da direita neoconservadora rançosa.

Inclusive os setores “progressistas” como Bernie Sanders que batalhou com Hillary nas internas democratas já se manifestou a favor de dar uma oportunidade ao novo presidente. Após repetir o que já dizem todos que Trump capitalizou o desgaste contra o establishment, afirmou que “se o senhor Trump fala sério sobre buscar políticas que melhoem a vida das famílias trabalhadoras neste país, outros progressistas e eu estamos preparados para trabalhar com ele. No momento em que permite políticas racistas, sexistas, xenofóbicas e anti-ambientais, nos oporemos absolutamente”

Após uma campanha onde se “arrancaram os olhos”, agora todos giram seu curso para manter a governabilidade, enquanto Trump prepara seu gabinete com cum claro perfil direitista e conservador. Já se especulam nomes emblemáticos como Giuliani, ex prefeito de Nova York famoso por sua política repressora de “tolerância zero”,o Paul O’Neil ex secretario do Tesouro de Bush filho, famoso na Argentina por impulsionar ainda mais o endividamento da economia durante a crise de 2001-2003. Giuliani já divulgou nota e marcou a orientação que terá o governo afirmando que os jovens que estão protestando contra Trump são uns “chorões”.

As mobilizações que estão se desenvolvendo não caíram do céu, são continuidade de movimentos de protestos sociais como Occupy Wall Street, o movimento contra os assassinatos de negros por parte das forças policiais Black Lives Matter, por um salario mínimo de 15 dólares a hora o pelos direitos das mulheres. Estes novos protestos contra o novo ocupante da Casa Branca podem ser um incentivo para desenvolver os movimentos de protesto social e de resistência contra as políticas neoliberais e repressivas que virão.

Tradução: Bibi




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