BOLIVIA

Depois da morte do vice-ministro avança a repressão do governo do MAS.

O conflito entre os mineiros cooperativistas e o governo deixou cinco mortos, quatro cooperativistas e o vice-ministro. Seis cooperativistas foram detidos, acusados de assassinar o vice-ministro.

terça-feira 30 de agosto| Edição do dia

Foto: detenção de mais de 100 mineiros da cidade de Oruro. Foto de Edwin Choque

Na quarta-feira, dia 11 do mês em curso, a Federação das Cooperativas Mineiras (Fencomin), iniciou o bloqueio de estradas que terminou, na quarta-feira dia 26, com a morte do vice-ministro do Regime Interior e Policial, Rodolfo Illanes, e quatro mineiros cooperativistas acusados do assassinato do vice-ministro.

Antes desse acontecimento o presidente Evo Morales afirmou no sábado, dia 27, que seu governo voltou a "derrotar um golpe de estado", "uma conspiração que usava uma suposta reivindicação" e que "outra vez o governo nacional, o governo neste caso tem derrotado um golpe de estado, disso estou convencido e os dirigentes sabem. Não é um problema de Evo, mas trata-se de investigar o que está acontecendo... Isso (do bloqueio) é algo preparado, algo planejado".

Nesta mesma linha, o ministro do governo, Carlos Romero, assinalou que "O objetivo estratégico dessa conspiração era derrotar o mais rápido para usurpar os recursos naturais. Esta etapa de planejamento supõe que fencomin conta com assessores que militam com a direita". Acrescentou que "Estes assessores rapidamente saem a luz do momento que denunciamos os cooperativistas mineiros, através da mobilização pretendem impor a consolidação de contratos assinados com empresas transnacionais modificando o regime legal em matéria de minério e transtornar o conteúdo da CPE e restituir o processo de privatizações das áreas ricas em minérios."

Sob estes argumentos, o governo do Movimento Ao Socialismo (MAS), pretende não assumir a responsabilidade frente aos acontecimentos que levaram à morte de quatro mineiros e mesmo do vice-ministro. O governo de Evo Morales fez uso da força do Estado burguês para recordar que é através da polícia e das forças armadas que vai por "ordem" diante de qualquer tentativa de questionamento ao seu governo que legitima a ordem dos ricos, e a ordem das transnacionais. Sabemos que a crescente criminalização de protestos sociais e sua judicialização vão sempre contra os trabalhadores, os camponeses e o povo pobre. Por isso, rechaçamos a selvagem repressão estatal que vem exercendo o governo que não só tem detido mais de 100 cooperativistas mineiros, senão que logo da morte de Illanes tem levado a cabo das moradias, e fechou a rádio mineira dos cooperativistas "Fedecomin" e o assédio a alguns jornalistas deram o reconhecimento da morte de Illanes antes da sua confirmação oficial.

E mais, o governo quer ocultar com um discurso antiprivatizador e anti-imperialista as concessões que fez com as transnacionais através dos benefícios que tem os cooperativistas. Como se explica isso: O artigo 151 da lei mineira (lei número 573) proíbe contrato entre cooperativistas e empresas privadas, o artigo 152 complementa, afirmando que em caso que em caso de haver contratos entre privados estes devem ser autorizados pelas Autoridades Jurisdicional Administrativa Mineira (AJAM). E assinalar, os cooperativistas podem fazer contratos com quem quiserem, podem fazer contratos com que lhes derem vontade, com a condição de que informem o Estado e tenham a autorização deste, e como conseguem? Através da AJAM.

Como indica Pablo Villegas do centre de Documentos e Informações da Bolívia (CEDIB): "às empresas (transnacionais), é mais conveniente associar-se com as cooperativas e comprar-lhes os minérios. Aí está o negocio. Dado que as cooperativas tem privilégios tributários, as transnacionais preferem deixar que elas façam o trabalho. É um grande negócio associar-se as cooperativas, porque somente pagam as regalias, e seu regime trabalhista e do início do século passado".

Depois da morte do vice-ministro Rodolfo Ilhanes, o governo declarou duelo nacional, realizaram homenagens com missa no Palácio do Governo, e, em gesto demagógico, o Presidente Evo Morales declarou "Herói e defensor dos recursos naturais do país". Nada se disse dos mineiros mortos, gente humilde a quem não lhes é pago nenhum beneficio social, aposentadoria ou seguro de trabalho; gente humilde que trabalha no escuro e em situação precária para beneficiar os empresários cooperativistas em sociedade com as transnacionais. O governo e os empresários cooperativistas que tem que assumir a responsabilidade pela morte dos quatro mineiros.

Frente a exploração e opressão patronal cooperativista que conta com vista grossa do governo se deve levar a cabo a nacionalização das minas sem indenização e ser posta em andamento sob controle operário coletivo; frente a criminalização de protestos sociais e a selvagem repressão estatal ao conjunto da classe operaria e dos trabalhadores, exigindo que a Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB) romper o pacto com o governo e iniciar mobilizações como parte de um Plano de Luta nacional que unifique os mineiros com os trabalhos fabris e de serviços, assim como também como os campesinos, estudantes e o povo pobre, para enfrentar os ajustes, os desempregos e a brutal repressão estatal.

Finalmente, impulcionar aos mesmos cooperativistas mineiros de base e precarizados para que lutem, pelas mais amplas liberdade democráticas dentro das cooperativas: direito a organização, aos protestos, a formar sindicatos e a greve.

Por um plano nacional de luta para impor a nacionalização sem indenização de toda a mineradora transnacional e cooperativizada.

Traduzido por Tatiana Ramos Malacarne




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