DITADURA MILITAR /ANOS DE CHUMBO/PRISÃO /

Depoimento de um ex-preso político da ditadura de ontem para estudantes de hoje

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 16 de novembro| Edição do dia

Quando fomos detidos, à mão armada, em Brasília, e jogados em uma cela imunda no auge dos anos de chumbo, em junho de 1970, o que mais atormentava nossa cabeça era o absurdo da situação, além de mil perguntas mais.

Foi uma prisão-sequestro [sem mandato] como tantas naquele tempo. E sem acusação [para além de rótulos do tipo “subversivo” ou “terrorista”].

Eram cascas vazias. Nenhum de nós vinha da luta armada e a única ação terrorista – de terrorismo de Estado, no caso – que nos vinha à cabeça ali, encarcerados, era nossa própria prisão, acompanhada de tortura e maus tratos por funcionários de Estado armados e com poder sobre nossa vida e morte.

Atendendo à curiosidade de alguns jovens, em roda de conversa, o depoimento abaixo, informal, procura trazer resposta às perguntas que giravam na nossa cabeça naquele momento: por que o absurdo aquela prisão seguida de tortura? Que tipo de regime fala em nome da ordem depois de quebrar a ordem? Que medo esse regime pode ter de três estudantes de medicina e um de arquitetura, quase imberbes, cujo delito mais ostensivo pode ter sido liderar uma greve estudantil para baixar o preço do bandejão do restaurante universitário ou emitir opiniões contrárias ao novo regime? Por que ler Karl Marx incomoda tanto ao regime? Qual a verdade explosiva de Marx? A que interesses atendia aquele golpe militar? Por que os magnatas e o empresariado em geral e a grande mídia tipo O Globo, acolheram com entusiasmo ao golpe? Por que o povo pobre só tem a perder em uma situação dessas?

Em caráter abertamente informal, repito, em linguagem bem simples, se desenvolveu o depoimento, girando em torno de questões como essas, acima. O que pode ser ouvido no vídeo abaixo, caso lhe interesse.




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