Sociedade

RIO DE JANEIRO

Denúncia: polícia assassina moradores na favela do jacarezinho

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social e professora da rede estadual

quinta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Já são seis dias consecutivos de abusos e intensa repressão policial contra os moradores do Morro do Jacarezinho no Rio de Janeiro. Após a morte de um policial da CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil no final da semana passada, a polícia vem realizando um verdadeiro massacre contra os moradores da comunidade. Os constantes abusos e assassinatos que contam com o silêncio da grande mídia são orquestrados pelo governo de Pezão.

Nesta terça (15) um senhor que era conhecido por vender frutas e legumes na comunidade foi assassinado pela polícia, que, segundo a denúncia dos moradores, atirava de um helicóptero blindado indiscriminadamente na comunidade. Essa mesma operação contava com mais três blindados terrestres (caveirão). Numa outra operação da Polícia Militar uma senhora moradora também foi atingida próxima ao trilho. As imagens fortes do corpo do morador estendido no chão que foram divulgadas nas redes sociais deixam ainda mais evidente que a chamada “guerra às drogas” na verdade significa uma guerra à população negra e pobre que mora nas favelas.

A política cotidiana do Estado de controle social e repressão policial da população negra e pobre das favelas, nesses momentos de “represália da polícia”, ganha contornos de verdadeiros massacres com abusos e assassinatos ainda mais explícitos e à luz do dia. Após os assassinatos, os moradores realizaram na noite de terça (15) um ato pedindo paz e o fim da repressão policial. Nessa situação de guerra, as aulas no Colégio Clovis Monteiro estão suspensas até o dia 21/08. Estudantes do colégio nos relataram que já são mais de 30 jovens desaparecidos desde o início da repressão da polícia.

Essa nova situação de abuso dos moradores do Jacarezinho se dá no meio da ocupação do Exército no Rio de Janeiro, que em nome da suposta “guerra ao crime organizado” passa por cima dos direitos dos trabalhadores e da juventude negra, sitiando completamente o bairro e dificultando a livre circulação e o funcionamento do transporte público, com o ramal Belford Roxo da SuperVia sendo fechado várias vezes. A ocupação militar no Rio de Janeiro significa na prática mais abusos e mais repressão para os trabalhadores e moradores das favelas da cidade.

Nos solidarizamos com os moradores e nos colocamos a serviço de denunciar todos os abusos, assassinatos e atrocidades que a polícia e o Estado do Rio de Janeiro vêm realizando no Morro do Jacarezinho.

Basta de impunidade aos crimes da polícia e do Pezão. Fora as tropas do Rio de Janeiro!




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