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DENÚNCIA

Denúncia em alguns hospitais em BH: “técnico de enfermagem vai atuar, mas não vai ganhar ‘estratégico’”

Recebemos denúncias de técnicas em enfermagem da rede Fhemig: mesmo em contato com pacientes contaminados com Covid-19, não estão recebendo o que lhes é direito: o valor referente ao chamado "plantão estratégico".

segunda-feira 18 de maio| Edição do dia

Foto: Gazeta Brasil

"Há quanto tempo o salário de vocês não tem um reajuste?", perguntamos a um trabalhador da enfermagem da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, sob responsabilidade do governador patrão e capacho de Bolsonaro, Romeu Zema. "Há uns 9 anos". São anos de trabalho recebendo salários base em completo desajuste com a inflação e com a redução das condições de vida que viemos vendo ao longo dos últimos anos, valores baixíssimos sobretudo no setor de técnicos em enfermagem, que atuam em contato direto diário com os pacientes. O que garante salários que não sejam literalmente salários de fome são os quinquênios além de "extras" pelo exaustivo e insalubre trabalho em plantão.

Como esses "extras" não são incorporados no salário, quando os trabalhadores tiram férias, ou licença, recebem apenas o salário base. Isso influencia também no valor recebido quando são demitidos, como em vários outros cálculos de seus direitos trabalhistas que são feitos através do salário base, como o adicional de insalubridade. Por isso, dentre reivindicações como o pagamento do 13º e a não privatização da saúde pública, os trabalhadores da Fhemig reivincavam a incorporação da chamada "ajuda de custo" no seu salário base. Não atoa uma das reivindicações de uma manifestação que aconteceu ontem era referente ao piso salarial.

O "plantão estratégico" é um desses adicionais que, na situação atual, todos os trabalhadores da saúde deveriam receber quando estão realizando plantão com contato direto com pacientes com Covid-19 entubados. Mas, segundo denúncias enviadas ao Esquerda Diário por trabalhadoras de diferentes hospitais da rede Fhemig, as e os técnicos em enfermagem estão recebendo valor inferior pelos seus plantões, o que é uma forma de o governo de Romeu Zema e, a seu mando, a direção da Fhemig, dividirem os trabalhadores por seus salários, prejudicando todos e especialmente os e as técnicas em enfermagem.

Nesse cenário de ausência de reajuste salarial, no início da crise da pandemia de coronavírus em MG, a Fhemig já havia anunciado um bônus para os médicos, excluindo deste "extra" os enfermeiros e técnicos em enfermagem. A justificativa: os médicos do setor privado recebem mais do que no setor público; para convencê-los a trabalhar na rede pública, teria sido necessário anunciar esse bônus, sem incluir outros profissionais que também estão na linha de frente recebendo muito aquém de suas necessidades, em condições de enorme estresse e insalubridade. Essa medida não foi encarada de forma passiva pelos trabalhadores do Hospital João XXIII, que fizeram uma paralisação reivindicando salário e condições dignas para salvarem vidas.

Todas essas denúncias reforçam a necessidade do fim do sistema privado de saúde, que lida com nossas vidas a partir da lógica do lucro empresarial, e que trata seus funcionários de forma desumana. Enquanto a saúde e a vida são considerados uma mercadoria, serão os trabalhadores mais precarizados e que recebem os mais baixos salários os que mais estarão sujeitos ao adoecimento físico e mental.

O Esquerda Diário se dedica a publicar as denúncias dos e das trabalhadoras da saúde, defendendo diante da crítica situação atual a estatização do sistema privado e sua unificação ao SUS, que deve ser gerido por aqueles e aquelas que estão na linha de frente. São os trabalhadores da saúde que sabem quais as decisões mais adequadas frente a todos os aspectos do funcionamento e gestão hospitalar, desde o valor do salário até a organização dos leitos, para que o enfrentamento ao Coronavírus se dê com a vida estando à frente dos acordos políticos e dos privilégios materiais de diretores e empresários da saúde.




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