Sociedade

Inter Bauru 2017

Denúncia: Superexploração do trabalho no Inter Bauru 2017

Circula nas redes sociais denúncia de brutal exploração de trabalho nas festas do “Inter”, antigo InterUnesp, evento de jogos esportivos e festas universitárias que reúne estudantes da Unesp de todo o Estado de São Paulo, que teve sua última edição no fim de semana (2-5/11) em Bauru/SP

quarta-feira 8 de novembro| Edição do dia

Enquanto dezenas de milhares se divertiam nas festas e shows como de Nego do Borel, Ludmilla, Jammil e Uma Noites, Inimigos da HP, segundo relatos que circulam nas redes sociais, aqueles que serviam as bebidas trabalhavam em condições desumanas, chocantes.
O Inter é considerado o maior evento de jogos esportivos e festas universitárias da América Latina, conta com dezenas de milhares pessoas a cada ano que chegam a pagar pacotes de mais de 200 reais às Atléticas dos Campi da Unesp. São altos os lucros aos empresários e organizadores. Contudo, além do histórico de opressõe no evento, o assédio e a superexploração do trabalho parecem bem rentáveis à Liga Interuniversitária de Esportes e às empresas terceirizadas que contrata.
Segue abaixo relato que repercutiu nas redes sociais de uma das pessoas que trabalhou no Inter Bauru 2017:

“Oi gente, queria contar pra vocês como foi minha experiência de trabalho no Interunesp Bauru desse ano. A empresa que organiza é a Usina Universitária, que terceiriza o serviço de bar da Btrends Group. Fui atrás do trampo e foi tudo combinado pelo facebook por um responsável da Btrends, não havia contrato, depois entendi o porque, ja que não seguiam as leis trabalhistas. Foi combinado que a tenda teria 8 horas de duração e a festa 6. Em cada período ganharíamos um valor bem abaixo do que o pago pela maioria desses eventos. Mas ok, até ai tudo bem. Eles prometeram almoço, janta e lanche durante os eventos. O esquema de alimentação funcionava por revezamento das pessoas, mas como era uma demanda imensa não dava pra simplesmente largar menos gente trabalhando, não dávamos conta. O open das festas acabou tendo 1 hora a mais e ganharíamos 10 reais a mais por cada hora. Os problemas mesmo começaram nas festas noturnas, em que brigavam com a gente se sentávamos pra descansar um pouco, negavam um copo de energético (sendo que a gente não dormia nem 2 horas por noite, não dava tempo!!!!!). Na segunda balada noturna começou a chover muito, a música parou e ficamos ilhados no espaço de bar, que era do lado dos banheiros químicos. Devido a falta alguma de organização do espaço, a lama escorria pra onde a gnt tava junto com urina, vômito e tudo que vocês possam imaginar. Não deram galocha, não se importaram, não fizeram nada, pelo contrário, fizeram a gnt trabalhar mesmo assim. Tinha muita gente descalça pra não estragar o tênis. Beleza, foi cansativo pra caramba, mas bora pro terceiro dia. Durante a tenda, a Btrends nao forneceu lanche, ficamos até a janta sem comer e trabalhando feito escravo. Chegando na festa a noite, não tinha sido feito nada pra melhorar o lugar, colocaram 1 ou 2 tablados no máximo pra gnt pisar, o que não adiantou nada. Novamente foi negado um copo de energético. No meio da noite, pelo menos 10 pessoas estavam passando mal pela carga excessiva de trabalho, inclusive eu. Uma menina que trabalha ha tempo com eles teve hipotermia e eu que tive que carregar ela sozinha, porque NINGUÉM dessa empresa fez nada. Mais tarde, vejo um dos caras que tavam trabalhando andando pra la e pra ca, com uma cara muito ruim. Teve um momento que ele sentou, tava passando muito mal. Falei pra ja chamarem a ambulância porque aquilo tava evoluindo, mas mais uma vez ninguém deu a mínima, só se preocupavam com o tanto de gente que ainda tava servindo o open. O cara deitou no chão e começou a convulsionar, o pessoal da organização tava em volta e não fazia nada, nada!!!!!!!! Chamei meu namorado que também tava trabalhando lá e ele foi correndo chamar os bombeiros pra socorrerem o moço, porque o pessoal da Btrends ficou simplesmente parado. Não, não é exagero. Enquanto isso, uma outra menina que também tava no bar sentou do meu lado e começou a desmaiar, porque ninguém tinha comido ainda e a água pra quem tava trabalhando simplesmente tinha acabado. Falei pra eles “pelo amor de Deus, a menina ta desmaiando, da pra vocês fazerem alguma coisa?” e a resposta foi “cuida dela aí”. Testemunhas dessa palhaçada não faltam, esse lixo de empresa que só se preocupa com o seu próprio umbigo, que não tem preocupação alguma com quem ta trabalhando pra eles. Se tinha gnt servindo no bar, tava tudo suave, dane-se as 10 pessoas que tavam passando mal, afinal, eles precisam lucrar. Enfim, tudo isso foi passado pra Usina Universitária e eu realmente espero (apesar de duvidar) que alguma atitude será tomada. Peço ajuda de vocês pra divulgar e colaborar com a gente pra que essa situação não se repita e pra que o inter volte a ser um ambiente agradável tanto pra quem ta curtindo quanto pra quem ta trampando. Quem ta na festa muitas vezes nao tem ideia do que ta acontecendo por trás de tudo. Pessoas morreram nesse role, isso não ta certo, não condiz com o propósito do Inter. As fotos abaixo foram tiradas pra mostrar o estado do bar que a gente tava trabalhando.”




Tópicos relacionados

exploração   /    UNESP   /    Sociedade   /    Marília

Comentários

Comentar