Política

ELEIÇÕES 2020

Dentro do PSC, Pedro Fernandes ataca professores enquanto vislumbra eleições de 2020

Pedro Fernandes (PSC-RJ) almeja uma carreira na política, ele está dentro, não importa o lado. Com Witzel, tem aplicado ataques e feito demagogia à frente da Seeduc.

segunda-feira 2 de setembro| Edição do dia

Pedro Fernandes, secretário da educação de Witzel, é filho de Rosa Fernandes, vereadora do MDB, e carrega uma tradição familiar de construir carreira política vendendo os direitos do povo em troca de cargos, prática ancestral na política carioca compartilhada por diversos clãs, como aliás o de Bolsonaro. Sua moral é que não importa qual partido ou o governo que se filia, desde que consiga subir de cargo.

Seguindo à risca o principio de ouro do carreirismo, de se juntar com quem for mais vantajoso, foi deputado estadual de 2007 a 2018 pelo MDB de Cabral e Pezão, e de 2017 a 2018 foi Secretário de Assistência Social e Direitos Humanos na gestão do rival de seu partido, Marcelo Crivella, para aos 45 do segundo tempo filiar-se ao PDT para ser candidato a governador quando descobriu que não tinha futuro no partido de Crivella. Tudo para no segundo turno vender seu passe a Witzel, apoiando-o e garantindo cargo de secretário, seguindo o oposto do orientado pelo PDT no segundo turno. Com sua recente entrada no PSC de Witzel, fica claro que ele deseja abrir as portas para galgar cargos mais altos na hierarquia do regime político fluminense.

Pedro Fernandes fez de sua trajetória política a prática de coalizão com quem quer que seja que está no governo, distribuindo algumas migalhas junto com os ataques dos diferentes governos que ele compôs (Cabral, Pezão, Crivella, Witzel). Apesar de sua completa nulidade -que faz com que ninguém se lembre dele - pudesse enganar alguns frente a decadência da casta política tradicional do Rio, o fato é que ele não representa absolutamente nenhum tipo de “novidade” frente a esta mesma casta política carioca.

Sua tática no governo Witzel tem sido a de utilizar a SEEDUC ao máximo para se capitalizar politicamente, ao mesmo tempo em que conduz diferentes ataques, alguns ainda piores que os dos governos anteriores. Se os professores do estado estão sem aumento a cinco anos, ele propõe resolver isso a partir da distribuição das GLPs (gratificação por lotação prioritária), que na prática funcionam como um tipo de hora extra mas sem compensação e muitas vezes com o valor de hora-aula mais baixo que o do salário, além de resultar na sobrecarga dos trabalhadores. Se muitas escolas estão sem pessoal de apoio, e quando existem são terceirizados em condições de trabalho absolutamente precárias, ele propõe contratar ex-militares para atuarem como porteiros e inspetores, em contato direto com a polícia.

Aliás, Pedro Fernandes é quem está conduzindo a militarização das escolas no Rio de Janeiro, onde toda estrutura e pessoal das é fornecida pela secretaria de educação, mas a direção, ao invés de eleita, é dada a um oficial da policia militar, ou corpo de bombeiros, que irá gerir a instituição em todos os seus aspectos, inclusive pedagogicamente. Enquanto isso, ele realiza visitas surpresas nas escolas, em um tom misto de campanha eleitoral. Ao mesmo tempo que tenta posar de amigo dos grêmios, ataca as direções eleitas. Seu programa é claro, como aliás, é o mesmo da casta política fluminense: se há governo (ou melhor, se há cargos) está dentro, e uma vez dentro fará de tudo para se capitalizar politicamente enquanto executa a risca todos os ataques.

Só mesmo com a decadência do regime político carioca, como a falência completa da gestão de Marcelo Crivella, que chegou a um nível mesmo escatológico, fazendo piada do resultado das enchentes, deslizamentos e que quedas de túneis e da Ciclovia Tim Maia, a prisão dos principiais políticos pela ação interessada da Lava-Jato – que manipulou as eleições a favor de Bolsonaro – é que uma figura como Pedro Fernandes conseguiu algum tipo de relevância.

Pedro Fernandes e Witzel já mostraram que, se depender deles, o futuro da classe trabalhadora e do povo pobre do Rio de Janeiro será de repressão e ataque aos direitos trabalhistas. Cabe ao SEPE, maior sindicato de trabalhadores da educação do estado, denunciar tanto a demagogia quanto estes ataques conduzidos por Pedro Fernandes. Inclusive é preciso ir além da mera denuncia e levantar as saídas de classe para os problemas, agitando as consignas mais adequadas em cada caso: para a falta de professores nas escolas, convocação de todos os candidatos aprovados nos últimos concursos públicos do estado; para a perda salarial, recomposição integral de todas as perdas inflacionárias nos últimos cinco anos, tanto para quem está na ativa, quanto para os aposentados; para a falta de pessoal de apoio, efetivação de todos os terceirizados com equiparação salarial a todos os efetivos e concurso público para preenchimento do restante de vagas; exoneração das direções militares e convocação imediata de eleições escolares para escolha de novos diretores pela comunidade escolar.

Por isso é preciso lutar para retomar o sindicato das mãos da burocracia conciliadora, que neste momento acaba capitulando para o governo Witzel ao buscar de todas as formas desviar o eixo da luta para saídas parlamentares ou judicias, reconquistando-o para os trabalhadores.

Também é preciso levantar um programa de saída para a crise do Rio de Janeiro, um programa que faça com que sejam os capitalistas e seus políticos corruptos que paguem pela crise, com confisco da fortuna de um punhado de ricos que lucrou com Cabral e Pezão e segue lucrando com Witzel, com as isenções fiscais e o pagamento da dívida pública, um saque do dinheiro dos trabalhadores que precisamos ser parado, junto com o processo de privatização de empresas públicas como a CEDAE. Ao invés disso, um plano de obras públicas para acabar com o desemprego e criar moradia e condições de vida para os trabalhadores e o povo pobre devem ser defendido ao lado dos sindicatos e das organizações operárias, em um amplo movimento de conjunto da classe trabalhadora aliada com a juventude que vem mostrando disposição de luta.




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