Juventude

ELEIÇÕES PARA REITOR NA USP

Democracia na USP: lutemos por uma Estatuinte livre, soberana e democrática

Contra a falta de democracia na USP, nenhuma ilusão na falsa eleição para reitor. É preciso nos organizar contra essa estrutura de poder antidemocrática e autoritária, e lutar para que a universidade esteja a serviço dos trabalhadores e do povo pobre.

Odete Cristina

São Paulo

segunda-feira 23 de outubro| Edição do dia

Nessa segunda-feira, acontece uma consulta on-line a comunidade universitária sobre as eleições para reitor na USP. Essa consulta foi uma resposta da burocracia universitária, numa tentativa de mascarar o processo absolutamente antidemocrático para escolha daqueles que governam a universidade. Quem é escolhe o próximo reitor da USP é nada menos que o atual governador de São Paulo, o tucano ladrão de merendas, Geraldo Alckmin. Essa escolhe se dá a partir de uma lista tríplice, com as chapas mais votadas na assembleia universitária que acontecerá no próximo dia 30 desse mês.

Essa assembleia, é formada pelos membros do Conselho Universitário, dos Conselhos Centrais, das Congregações das Unidades e dos Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados. São menos de 2 mil votantes, ou seja, menos de 2% da comunidade universitária tem direito ao voto. Esses 2 mil votantes são maioria absoluta de docentes, mas não se enganem, achando que são maioria aqueles professores que nos dão aula todos os dias. Os docentes que tem maioria nessa assembleia, são aqueles que a muito tempo não tem contato com as salas de aulas, e na verdade ocupam os altos cargos burocráticos da universidade. Um número ínfimo de funcionários e estudantes, numa proporção não muito diferente do que é no Conselho Universitário (CO), participam dessa votação. Ou seja, uma parcela ínfima da comunidade universitária tem direito ao voto e os estudantes, que são 81% da comunidade universitária, e funcionários, que representam cerca de 14%, tem uma representação muito pequena.

Como se não bastasse ter um REItor que pode mandar e desmandar na universidade de acordo com seus interesses políticos e pessoais, toda estrutura de poder é pensada para garantir que a USP nunca possa estar a serviço dos trabalhadores e da população pobre que a sustenta. A existência de um Conselho Universitário, composto por uma enorme parcela de burocratas – em sua maioria donos das empresas terceirizadas que atuam na USP, e instituições como a FIESP, FECOMERCIO, entre outras, é parte de manter esse caráter elitista e excludente. O Estatuto que rege a universidade, cujo o regimento disciplinar foi escrito pelo mesmo autor do AI-5, carrega consigo as marcas da ditadura militar, garantindo a punição e repressão contra todos aqueles que lutam contra os interesses dessa parcela de burocratas e empresários, que querem transformar nossa educação em mercadoria e negócios.

No atual processo eleitoral existem quadro chapas concorrendo. A chapa de continuidade com a atual gestão, “USP: EXCELÊNCIA PARA A SOCIEDADE” composta pelos candidatos a reitor Vahan Agopyan (atual vice- reitor) e como vice-Reitor: Antônio Carlos Hernandes (atual pró-reitor de graduação), que defendem o aprofundamento dos ataques que Zago implementou nos últimos anos. A chapa “USP: AUTONOMIA COM SOLUÇÕES INOVADORAS” composta pelo candidato a reitor Ricardo Ribeiro Terra (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas) e a Vice-Reitor Albérico Borges Ferreira da Silva (Instituto de Química de São Carlos), cuja soluções inovadoras defendidas são a privatização e a elitização cada vez maior da universidade. A chapa “A USP É MAIOR QUE A CRISE POR UMA UNIVERSIDADE RENOVADA” composta pela candidata a reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda (atual diretora da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas) e pelo Vice-Reitor Paulo Borba Casella (Faculdade de Direito). Que escondem detrás do discurso demagógico, mais dialogado a respeito das demandas do movimento, que Maria Arminda é a diretora que chama a polícia para reprimir estudantes que organizam brechós e atividades sociais, que coloca câmeras para nos vigiar, enquanto seu vice é aliado de Serra, sendo odiado pelos estudantes da Faculdade de Direito que protagonizaram o movimento Fora Casella. A chapa “POR UMA USP PARTICIPATIVA” é composta pelo candidato a reitor Ildo Luís Sauer(Vice-Diretor do lnstituto de Energia e Ambiente, antigo IEE) e Vice-Reitor Tércio Ambrizzi (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), que deixa claro em seu programa suas intenções sobre a universidade, declarando que: "frente a crise financeira a atual gestão tomou medidas na direção correta, mas foram tímidas, tardias e insuficientes".

Nenhum desses candidatos representam os nossos interesses por democratizar a universidade, porque a existência de um cargo, que concentra em suas mãos enormes poderes, como é o cargo de reitor, já é em si algo totalmente antidemocrático. O mais escandaloso é que os representantes discentes no Conselho Universitário, que são os membros da atual gestão do DCE (Juntos, Mais, Rua, PCB, Vamos à Luta, Socialismo ou Barbárie), juntamente com os membros da chapa Nossa Voz (PT, Levante e UJS), soltaram um posicionamento – sem passar por nenhum fórum do movimento – defendendo voto nas chapas da Maria Arminda e do Ildo Sauer. Além da total falta de democracia com o conjunto dos estudantes, por tomar decisões por fora de uma mínima discussão com a base dos estudantes – da mesma forma que fizeram com a campanha por Diretas para reitor. Essa posição – assim como a campanha pelas Diretas – alimentam uma enorme ilusão de que é possível ter um reitor mais democrático, ignorando completamente toda estrutura de poder e a lógica por traz desse cargo.

Nós da Faisca – Juvenutde Anticapitalista e Revolucionária defendemos que não devemos ter nenhuma ilusão nessa falsa consulta a comunidade universitária, pois enquanto houver um REItor, (escolhido pelo Geraldo Alckimin) e essa estrutura de poder antidemocrática e herdeira da ditadura, nossa opinião nunca vai ser levada em conta. Por esse motivo, ao contrário de criar falsas expectativas de que é possível democratizar a USP por meio do voto num candidato a reitor, nós defendemos a necessidade de uma Estatuinte Livre, Soberana e Democrática, onde estudantes, trabalhadores e professores possam definir os rumos da universidade. Para isso é necessário se enfrentar com essa estrutura de poder totalmente antidemocrática que existe, por meio do fim da reitoria e do Conselho Universitário, e que o controle da universidade esteja nas mãos dos estudantes, professores e funcionários, proporcionalmente ao peso de cada categoria. Só com esse programa é que conseguiremos fazer com que a USP esteja a serviço dos trabalhadores e de toda população pobre.




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