Cultura

DEMISSÕES NA CASA RUI BARBOSA

Demissões na Casa Rui Barbosa ameaçam ações pró-refugiados e as pesquisas da instituição

A Clínica jurídica e centro de referência para refugiados e imigrantes tem futuro incerto com as recentes demissões na Casa Rui Barbosa. Na fundação, funciona um núcleo acadêmico, um Museu e um grande acervo de literatura.

quarta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Diário do Rio

Bolsonaro recentemente indicou para a Casa Rui Barbosa uma indicada do pastor evangélico e deputado federal Marco Feliciano, ex-Podemos. Letícia Dornelles é ex-roteirista de novelas da Record. Numa única canetada, a presidente afastou 5 dos principais pesquisadores da instituição.

As demissões geram incertezas quanto a programas de sucesso da Casa Rui Barbosa, que integram a instituição com a comunidade e dão suporte a população desamparada. Entre eles está o CEPRI (Centro de Proteção a Refugiados e Imigrantes), aberto em 2017.

Segundo o MigraMundo, nos últimos anos a instituição vem se aproximando da temática da imigração e de refugio no Rio de Janeiro.

Em setembro de 2019, a Fundação Casa Rui Barbosa foi uma das organizadoras e sedes da X Reunião Nacional da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, em parceria com a PUC-Rio. Essa cátedra, promovida pelo ACNUR, fomenta pesquisas, projetos e ações voltadas à questão dos refugiados e conta com mais de 20 representantes em todo o país – incluindo a própria Fundação.

Feliciano, ao comentar sobre sua indicada, afirmou exalando terra-planismo cultural: “a Fundação Rui Barbosa não precisa de mais um acadêmico, já tem muitos. Precisa de sangue novo”. “Letícia vai surpreender”.

Foram destituídos, a crítica literária Flora Süssekind, a jornalista Joëlle Rouchou e o sociólogo e escritor José Almino de Alencar, respectivamente, das diretorias dos Centros de Pesquisa em Filologia, História e o Ruiano. Antonio Herculano Lopes, diretor do Centro de Pesquisa, e Charles Gomes, chefe do Centro de Pesquisa em Direito também foram demitidos. Nenhum deles recebeu explicações da direção da instituição.

Sobre as demissões, a assessoria de imprensa da Casa de Rui Barbosa afirmou: a “medida foi uma otimização administrativa, decisões de governo”. Ao Globo, Herculano, diretor do Centro de Pesquisa declarou, se contrapondo: – "Os afastamentos obedeceram muito mais à ideologia do que a critérios técnicos e administrativos. Os indícios são de que vão deixar morrer de inanição esta área que tanto incomoda o governo: a da ciência e da cultura".

Reação contra as demissões


Imagem: Leo Martins

Até essa manhã, 30.400 pessoas haviam assinado uma petição pública contra a exoneração dos pesquisadores e ontem uma manifestação foi organizada em frente a Casa Rui Barbosa. A nomeada, Leticia Dornelles, de forma autoritária, mandou fechar os portões da instituição.




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