Mundo Operário

NOSSAS VIDAS VALEM MAIS QUE O LUCRO DELES

Demissões em massa e redução de salários, essa é a realidade dos trabalhadores da cozinha em meio a pandemia

A gastronomia veio em uma crescente, levando São Paulo à capital mundial do ramo em 2019. Enquanto a gourmetização dos alimentos e bebidas delimitou o consumo da alimentação de qualidade da maioria da população, muitos empresários do setor encheram os bolsos as custas da exploração dos auxiliares e cozinheiros.

domingo 19 de abril| Edição do dia

Foto: Ricardo Marajó

A alta gastronomia se tornou popular, lucrativa e "essencial". Funcionários do setor chegam a cumprir mais de 12 horas diárias para cobrir as demandas, trabalhando mais horas do que o permitido pela CLT e muitas vezes nem sendo pagos para isso.

O crescimento desse segmento estava as altas, parecia praticamente impossível quebrar. Vender comida e bebida nunca foi tão lucrativo. Entretanto a pandemia trouxe as portas desse setor o que já estava as vistas desde 2008, a crise. A pandemia do coronavírus acelerou os tempos da crise capitalista em desenvolvimento e devastou o setor.

Com base na MP da morte de Bolsonaro muitos empresários do ramo da gastronomia atacam os trabalhadores do setor para assim manter seus lucros. Demitindo e reduzindo salários, deixando milhares de trabalhadores a beira da fome, dependendo do governo e seu auxilio insuficiente. Quando não permanecem trabalhando em condições precárias, sem EPIs, com redução de salário e aumento das horas trabalhadas.

Em uma denuncia recebida pelo Esquerda Diário uma trabalhadora de um restaurante contou que além de trabalhar por 12 horas todos os dias atendendo delivery, seus colegas foram demitidos lhe resguardando uma sobrecarga de trabalho, como se não bastasse seu salário foi reduzido a menos da metade. Com a desculpa da crise muitos patrões vem aumentando os níveis de exploração em prol de seus lucros e privilégios.

Muitos dos trabalhadores demitidos ainda não receberam seus acertos. Essa situação é a de milhares só em SP e escancara o nível de precarização, onde vemos uma crescente nas vagas de empregos em empresas como a Rappi e o Ifood, com salários de miséria e jornadas extenuantes, enquanto os que produzem esses alimentos se veem obrigados a aceitar os supostos acordos dos patrões.

Leia também: Candidatos ao Ifood mais que dobram devido às demissões em massa e o abandono à própria sorte

Em meio a essa situação os sindicatos do setor de alimentos e bebidas fecham acordos com os patroes que dificultam ainda mais a situação desses trabalhadores, como por exemplo o parcelamento em caso de demissão em ate quatro vezes, a possibilidade de férias coletivas ou individuais a todos sendo estas também parceladas em quatro vezes. Alem disso caso o restaurante paralise suas atividades os funcionários ficarão com horas em a ver que poderão ser cobradas duas por dia, por até 45 dias por anos contínuos ou não até o ano de 2022.

Mais uma vez se escancara a face macabra do capitalismo que em prol da economia coloca milhões de vidas em risco. No ramo da gastronomia não é diferente, visto que a alimentação que deveria ser básica, também é transformada em mercadoria e utilizada como forma de lucro e exploração. O que muitos trabalhadores vem sentindo na pele é a incerteza de uma vida digna, por um lado por medo da pandemia e por outro por medo do desemprego.

Diante da pandemia questionamos se as demissões ou a precarização do trabalho são a melhor resposta. Será que esses empresários não teriam condições, com base em seus lucros anuais, de manter esses empregos durante o período da quarentena? Será que realmente não tem dinheiro para pagar os funcionários, ou será que fazem isso para manter os seus lucros?

A resposta para essas perguntas parecem óbvias. Sabemos que sim, teriam essas condições se visassem a vida ao invés de seus lucros. A visão desses empresários é escandalosamente exposta em discursos como os do Júnior Durski (dono do Madero) que não poupou palavras para dizer que algumas milhares de mortes não justificariam um déficit na economia. Ou seja que milhares de mortes não seriam suficientes para que ele abrisse mão dos seus lucros.

Essa crise só escancara que para os patrões o lucro está acima da vida e que para combater a pandemia e todas as desigualdades desse sistema não podemos confiar nestes que só sabem nos explorar. Nossa vidas valem mais que o lucro deles! Por uma saída de trabalhadores frente a pandemia e o capitalismo!




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