Política

ELEIÇÕES 2018

Demagogia no debate no RS e ausência de alternativa para a classe trabalhadora

sábado 18 de agosto| Edição do dia

No primeiro debate entre os candidatos a governador no Rio Grande do Sul o que vimos foi um discurso voltado a beneficiar os donos do Estado (grandes empresários da Gerdau, Taurus, Grendene, Marcopolo, e latifundiários) e nada que chame mais atenção do que a própria crise pela qual passa o estado, criada por sucessivos governos e pelos empresários. O silêncio dos ditos candidatos "progressistas" sobre o golpe institucional e sua continuidade na prisão arbitrária de Lula foi ensurdecedor. Parece que estamos em eleições "normais", e não no interior de um pleito controlado pela Lava Jato e o Judiciário.

Logo na primeira fala Sartori fez questão de reivindicar toda a sua desastrosa administração: mostrou-se orgulhoso dos parcelamentos de salários que desde o início do seu governo vem jogando os professores e servidores públicos na miséria. Ao longo de todo o debate seguiu reivindicando sua gestão e fez questão de lamentar que não conseguiu avançar na privatização da CEEE, Sulgás e CRM. Esse é um ponto em comum de vários candidatos: vender o RS, entregar o estado nas mãos da iniciativa privada, como se com isso fosse possível reequilibrar as finanças. Na verdade as privatizações contribuem com ainda mais sucateamento dos serviços públicos, tornando-os mais caros à população e só servem para encher os bolsos dos grandes empresários beneficiados por elas.

O candidato tucano ao governo do estado, Eduardo Leite, é um típico privatista e imita o perfil de Marchezan, apostando em aparecer como "algo novo" enquanto defende a mesma política que os gaúchos já conhecem tanto com o prefeito de Porto Alegre quanto com Yeda Crusius, e nacionalmente com figuras como FHC, Alckmin, Aécio Neves. Como se não bastasse dividir a legenda com todos esses inimigos da classe trabalhadora e do povo, ainda elogiou Sartori, mostrando mais uma vez que é a continuidade deste governo que vem destruindo o estado. Demagogicamente falou do respeito às mulheres mas ficou incomodado e não soube responder quando foi questionado sobre o escândalo dos exames de câncer feitos por amostragem em Pelotas durante sua gestão na prefeitura, descaso que resultou em mortes.

Em eleições marcadas pelo autoritarismo da justiça, surgem "novos" rostos para defender o mesmo projeto de continuidade do golpe, ataque aos trabalhadores e privatizações. O partido NOVO lançou também seu candidato no Rio Grande do Sul. Por mais insignificante que seja do ponto de vista eleitoral cabe destacar que, apesar do nome do partido, Mateus Bandeira defende a reforma trabalhista de Temer, que destrói os direitos conquistados pela classe trabalhadora. Chama atenção também sua defesa do "Prouni da educação básica", que consiste em financiar com o dinheiro público as escolas privadas. Uma maneira de popularizar a privatização da educação pública, que também não é novidade em um estado governado por Sartori, onde o governo já vem implantando a gestão privada em algumas escolas.

Jairo Jorge (PDT) e Miguel Rosseto (PT) discursaram como antagonistas de Sartori. Condenaram os parcelamentos de salários e as privatizações, buscando conquistar a confiança dos funcionários públicos que vem sofrendo com o atual governo. Entretanto, o PDT de Jairo Jorge, até ano passado, era base do governo Sartori. Quando foi prefeito de Canoas, apesar de todo seu discurso populista, os professores municipais que se mobilizaram em defesa de seus salários foram intimidados e perseguidos pela prefeitura, chegando a receber ameaças por mensagens [http://www.esquerdadiario.com.br/Jairo-Jorge-congelou-salarios-ameacou-professores-e-foi-denunciado-por-corrupcao-em-Canoas] . Deve ser isso que ele chama de "ser firme" com grevistas: perseguição. Também o PT morde a língua em seu discurso para ganhar votos dos servidores na medida em que o governo petista de Minas Gerais, com Fernando Pimentel à frente, vem parcelando salários e atacando a classe trabalhadora, assim como Sartori. Também reprime professoras e professores em greve - como, aliás, fazia o governo de Tarso Genro no Rio Grande do Sul. Rossetto, ao se diferenciar de Sartori, dizendo que seu governo honraria o pagamento dos alários, não deixou de dizer que teria "pulso firme" com as greves, especialmente as que "afetam os serviços essenciais", dentro de cuja categoria se pode colocar um número indefinido de setores econômicos, incluindo os professores. Nem o PDT nem o PT são alternativa para enfrentar os capitalistas e latifundiários, verdadeiros donos do Rio Grande do Sul.

Roberto Robaina, do PSOL, buscou também uma localização de enfrentamento com a administração Sartori, criticando corretamente o parcelamento e o atraso dos salários. Entretanto, logo na primeira rodada de perguntas, sobre segurança pública, ao invés de denunciar a violência policial nas vilas e periferias do estado, a brutalidade da repressão da Brigada Militar contra os movimentos sociais e a classe trabalhadora, apoiou a: "valorização" da polícia, contratação de mais policiais". Sobre as greves dos trabalhadores, ao invés de prestar apoio publicamente à greve dos municipários em curso contra Marchezan, ou mesmo de se colocar de modo mais geral em apoio às greves da classe trabalhadora por seus direitos, Robaina respondeu praticamente igual ao PT: "evitar" greves e negociar. É necessário que o PSOL coloque sua candidatura a serviço do triunfo da greve dos municipários contra a reforma da previdência de Marchezan em Porto Alegre. Para enfrentar a crise fiscal e os parcelamentos, chamamos o PSOL a levantar o não pagamento da fraudulenta dívida do RS com a União.

Um debate marcado pela demagogia com a luta das mulheres, em que muitos candidatos falam abstratamente do "respeito às mulheres", da "valorização das mulheres", mas nenhum cita o direito ao aborto, que é o direito ao próprio corpo, negado às mulheres brasileiras, em um país onde 4 mulheres morrem por dia por abortos clandestinos, sendo 3 delas mulheres negras. Um debate marcado pelo silêncio sobre a prisão arbitrária de Lula, que ataca o direito do povo decidir em quem votar, e faz com que seja meia dúzia de juízes golpistas, cheios de privilégios e eleitos por ninguém, sejam quem mais influencia na escolha do próximo presidente. Não se fala de golpe, pouco se fala de desemprego, das reformas, do fim das aposentadorias desejado pelos golpistas com a reforma da previdência. O Rio Grande do Sul é um dos estados onde é mais grave a crise e este debate demonstra como não há nenhum candidato disposto a se apoiar na força da classe trabalhadora para enfrentar os privilégios dos políticos, juízes e da capitalistas, para que sejam eles e não a classe trabalhadora e o povo gaúcho a pagar pela crise.




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