Política

OPERAÇÃO LAVA JATO

Deltan Dallagnol responde Renan Calheiros sobre a criação de uma comissão para investigar juizes que ganham acima do teto

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, disse nesta quinta feira, que “a lei está na mão das pessoas que serão punidas (pela operação)”, em referência a parlamentares. Dallagnol afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que espera que o presidente do Senado, Renan Calheiros, tenha o mesmo ânimo que tem para questionar salários do Judiciário para buscar medidas de combate à corrupção.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

sexta-feira 18 de novembro| Edição do dia

Para o procurador da República, a prisão do ex - governador Sergio Cabral, “é mais um sinal de que a Lava Jato é apartidária”. “Todos que integram o time da Lava Jato não têm qualquer vinculação político-partidária nessa história.”

Em relações as medidas de Renan Calheiros que são vista como ofensiva contra o Judiciário, como a criação de uma comissão que vai realizar um pente fino nos salários acima do teto constitucional, Dallagnol disse que o Ministério Público apoia a medida, mas "pediu" o mesmo animo de Renan para outras medidas, como a reforma política.

De acordo com Dallagnol “O que nos causa estranheza é que as prioridades agora estejam sendo pautadas com uma mira no Judiciário e no Ministério Público, o que nos faz indagar: quais são as intenções e os propósitos reais desses projetos de lei e dessas comissões que estão sendo endossadas pelo presidente do Senado? O que esperamos é que, com o mesmo entusiasmo que ele (Renan) está buscando essas iniciativas (de analisar os super-salários) sejam também buscadas iniciativas de combate à corrupção, de reforma do sistema político, que incentiva hoje a corrupção, e iniciativas para que possamos ter salários inferiores ao limite do Supremo Tribunal Federal”.

Dallagnol lembrou que a Procuradoria da República em Brasília já moveu ações questionando irregularidades em vencimentos de servidores do Senado e afirmou que, no seu caso, o contracheque não ultrapassa o teto.

Depois da escandalosa denuncia de que membros do Judiciário recebem salário acima do teto estabelecido por lei e com medo do presidente do Senado Renan Calheiros canalizar esta insatisfação em torno desta questão para si, Dallagnol quer passar uma imagem de se trata de casos isolados e que o Judiciário e o Ministério Público está dispostos a investigar sobre este caso. Ao mesmo tempo que faz demagogia com esta questão, Dallagnol mostra muita convicção para defender que os seus colegas continuem usufruindo os seus privilégios.

Como já afirmamos anteriormente, Renan Calheiros faz parte da ala que quer buscar um novo pacto para implementar as medidas impopulares. Renan Calheiros sabe que existe a grande possibilidade da Lava Jato vai avançar contra o PMDB e ele próprio, possibilidade que só aumenta com a prisão de Garotinho e Sergio Cabral do Rio de Janeiro e por isso lança essas medidas, não porque seja contra os privilégios que ele mesmo usufrui, mas para tentar "salvar a si mesmo".

Seja a turma de Renan Calheiros, seja a turma de Dallagnol, ambos tem interesse em atacar os trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Além disso, o Senado e o Judiciário utilizam de privilégios e alto salário, seja ele acima do teto ou não. Contra estes senhores é preciso uma ampla mobilização dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade que seja capaz de barrar as medidas impopulares que estão em curso e acabar com os privilégios dos juízes e políticos.




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