Gênero e sexualidade

FELICIANO

Delegado que mentiu no caso Feliciano é filiado ao PSDB e carrega histórico polêmico

O delegado Luís Hellmeister, do 3ºDP da Polícia Civil de São Paulo, ficou conhecido após ter manipulado informações no inquérito sobre o ‘caso Feliciano’, alegando que a jornalista Patrícia Lelis sofre de ‘mitomania’. Porém, seu histórico já é bem recheado de questionamentos. Filiado ao PSDB, o delegado é acusado de ter agredido uma jornalista.

segunda-feira 29 de agosto| Edição do dia

Imagem: Montagem do Conexão Jornalismo

Conforme publicado pela Agência Democratize, o inquérito da Polícia Civil de São Paulo sobre o ‘caso Feliciano’ é repleto de informações questionáveis.

Apresentado pelo delegado do 3ºDP, responsável pela investigação do suposto sequestro cometido por Talma Bauer contra a jornalista Patrícia Lelis. O inquérito acusa a jovem de extorsão e falsa comunicação de crime contra o assessor e amigo do deputado Marco Feliciano (PSC). Para justificar as atitudes de Patrícia, o delegado Luís Hellmeister utilizou como base um laudo apontando que a jornalista sofria de ‘mitomania’, além de ser uma pessoa que tende a mentir de forma compulsiva.

Porém, o blog Coluna da Esplanada, do UOL, publicou outro laudo realizado no ano passado pelo IML, desmentindo tal versão apresentada pela Polícia Civil de São Paulo.

Após esse ocorrido, resolveram pesquisar o histórico do delegado Luís Hellmeister, e o que foi encontrado, só torna sua postura cada vez mais questionável, tendo em consideração a importância do caso e sua relevância política.

O primeiro caso polêmico, envolve a jornalista Fátima Souza, da TV Record.

Em setembro de 2011, a jornalista acusou Hellmeister, até então delegado titular da delegacia de Franco da Rocha, de agressão: “Aos berros e com dedo em riste o delegado titular Luís Roberto Faria Hellmeister me expulsou da delegacia de Franco da Rocha e ameaçou me dar ordem de prisão por “desacato a autoridade”. O homem parecia insano, gritou comigo na frente de outros colegas de profissão, do SBT, da Band, da Rede TV, do Jornal Agora… Fumando um cigarro atrás do outro — dentro da delegacia — Hellmeister ficou “ofendido” com perguntas que fiz durante uma coletiva concedida por ele no sábado, 24 de Setembro de 2011, sobre a detenção do ex-árbitro de futebol e comentarista esportivo, Oscar Godoy”, escreveu Fátima.

O caso retratado pela jornalista se refere ao atropelamento de uma jovem de 19 anos, quando o ex-árbitro Oscar Godoy passou com seu carro por cima da faixa de pedestre. Fátima relata que na delegacia, Godoy estava “visivelmente alterado”, precisando de ajuda até mesmo para conseguir andar. Ela ainda tentou entrevistar o comentarista de futebol, sem sucesso.

Durante coletiva de imprensa com os jornalistas sobre o caso, Hellmeister havia reduzido o atropelamento há “uma fatalidade”. Fátima retrucou:“Fatalidade ou uísque?” — sendo ignorada diversas vezes pelo delegado. Até o momento em que ela perguntou:“Doutor, o senhor disse que se fosse um ‘zé ninguém’ a imprensa não estaria aqui. E, se fosse um ‘zé ninguém’, o senhor estaria aqui? Teria saído de casa, na sua folga, para vir atender a ocorrência?” — neste momento, Hellmeister levantou da cadeira e apontou no rosto da jornalista, gritando e agredindo Fátima, a ameaçando de prisão por desacato.

Outro caso envolvendo Hellmeister, é o brutal espancamento da travesti Verônica Bolina, que viralizou nas redes sociais e expôs ainda mais o preconceito e violência institucional praticada pelos policiais, tanto a população de travesti e transexuais , quanto aos negros e a população empobrecida. O caso aconteceu no 2ºDP, no Bom Retiro. Verônica afirmou ter aceito gravar declarações dizendo ter sido agredida por presos. Porém, a Promotoria confirmou que Verônica havia sido orientada a mentir em seu depoimento. Não por acaso, na época, o delegado Hellmeister estava no comando do 2ºDP.

Ainda em Franco da Rocha, Hellmeister esteve envolvido em mais um suposto e abafado caso de corrupção e superfaturamento, através da sua empresa Gauge Portaria e Limpeza LTDA. Em documento enviado para Hellmeister diz:
“Na data de hoje chegou em nossas mãos o contrato para prestação de serviços de limpeza, com fornecimento de mão-de-obra firmado pela empresa GAUGE PORTARIA E LIMPEZA LTDA de propriedade do ilmo senhor Dr. Delegado Titular do distrito Policial de Franco da Rocha Luiz Roberto Harias Hellmeister Junior. Tem se informações que todos os produtos utilizados na limpeza da Câmara dos Vereadores de Franco da Rocha eram superfaturados e também que os funcionários que executavam a limpeza eram de frentes de trabalho”, aponta o documento escrito por José Carlos Ferreira, então Presidente Interino da Elo Social Franco da Rocha, instituição federal.

Outro caso mais recente, Hellmeister afirmou para a TV que a ação policial durante reintegração de posse do Centro Paula Souza neste ano, foi “tranquila”. Rodeado por repórteres de TV, entre eles, emissoras golpistas como a da Globo, Hellmeister afirmou: “Não havia necessidade de trazer Conselho Tutelar e nenhum outro órgão de apoio para essa ação, não”.

Neste dia em específico, vários estudantes ficaram feridos, além de jornalistas — como foi o caso do Mauro Donato, repórter do Diário do Centro do Mundo. Jovens foram carregados de forma forçada, arrastados pelo chão e sendo puxados pelos cabelos para fora do Centro Paula Souza, ocupado por secundaristas que exigiam a entrega de merenda apropriada nas ETECs e escolas públicas do estado de SP.
Agora, Hellmeister já não pode dar continuidade ao caso que envolve Patrícia Lelis, isso, por ser filiado ao PSDB, na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo.

Como o caso envolve um deputado federal como Marco Feliciano (PSC), que é parte da base de sustentação do governo golpista de Michel Temer (PMDB) contra a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), há um grande conflito de interesses que influencia diretamente as atitudes do delegado e da Polícia Civil contra a jornalista, que acusou Feliciano de tê-la agredido e abusado sexualmente.

Diante desse conturbado histórico, a equipe de jornalismo do Democratize buscou conversar com o delegado Luís Hellmeister, mas não obtiveram sucesso.

O PSDB de Vinhedo afirmou que Luis Hellmeister é filiado ao partido na cidade, mas não possui qualquer atividade política como militante da legenda.

As informações publicadas neste texto são de autoria de jornalistas da Agência Democratize que, pela gravidade das informações e suas relevâncias, preferem não se identificar. Nós, do Esquerda Diário, compreendemos que é de extrema importância dar visibilidade a um fato tão repugnante e massivamente abafada pelas mídias globais, que nesse período tão conturbado fazem a cobertura do orquestrado processo golpista de impeachment, em que são parte fundamental das manobras e omissões dos setores mais corruptos, reacionários e decadentes da burguesia e do imperialismo.




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