Política

LAVA-JATO

Delações da Odebrecht e o fortalecimento da lava-jato

Em mais uma fase da lava jato, que dessa vez promete dobrar de tamanho as investigações da operação, executivos do grupo Odebrecht começaram a assinar nesta quarta, 23, acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Flávia Telles

Coordenadora do CACH - Unicamp

quarta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Ao todo são 78 executivos delatores e mais de 200 nomes já citados no envolvimento dos escândalos, dentre eles diversos parlamentares do alto escalão. Os executivos devem ser ouvidos em mais de um mês, concluindo a fase apenas no ano que vem. As delações da Odebrecht promete abalar até mesmo os partidos da ordem, como PSBD e PMBD, citando políticos como Eliseu Padilha, Geddel Viera Lima, e Moreira Franco, além de Rodrigo Maia, como mais um sinal da pressa da burguesia para que Temer consolide os ataques aos direitos da população.

Apesar do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, continuar preso depois dos acordos de delação, sua sentença já diminuiu e ainda promete ser mais branda, com a prisão domiciliar no seu escritório de luxo, escancarando a farsa da operação, que mantém os privilégios dos acusados, e mostra que não vai punir de fato os corruptos.

Além disso, a operação que aparenta fazer uma grande “limpeza” nos casos de corrupção, poupa as empresas estrangeiras que têm ligações com a Petrobrás e abre espaço para elas no Brasil em nome do Imperalismo, com o objetivo de aprofundar ainda mais as privatizações, como mostra a cooperação do ex-diretor Paulo Roberto Costa com o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os envolvimentos de Sergio Moro com a gigante Shell como já denunciamos aqui e aqui.

Mas quem se fortalece nesse processo? Essa pergunta é fundamental para pensarmos os perigos dessa operação que é bastante seletiva, deixa o Imperialismo livre, utiliza de métodos arbitrários na condução das operações, e abranda as penas daqueles que são atingidos pelas investigações.

É o judiciário, que durante todo o processo de consolidação do golpe institucional quis aparecer como neutro, mas foi um dos grandes articuladores, tanto do golpe como de vários ataques aos nossos direitos, como a restrição ao direito de greve dos servidores públicos, e com mais esse passo da operação que promete alcançar mais nomes, passa a imagem de justiceiro e pode sair ainda mais fortalecido e legitimado para atacar a vida dos trabalhadores e da juventude aos níveis que a burguesia internacional necessita para manter seus lucros.

Só a luta organizada dos trabalhadores e da juventude contra os golpistas, mas também contra o judiciário que é o grande árbitro nacional, pode barrar a PEC 55, a reforma do ensino médio, bem como os ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários. E isso só será possível com uma delimitação muito clara do judiciário e de seus métodos que só servem para legitimar os ataques aos nossos direitos.




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