Política

LAVA JATO

Delação da Odebrecht mostra a podridão dos políticos tradicionais e a corrupção inerente às empresas capitalistas

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

domingo 11 de dezembro de 2016| Edição do dia

A primeira parte da delação da Odebrecht atinge diretamente os partidos que foram base do golpe institucional, em primeiro lugar o PMDB, inclusive o golpista Michel Temer, que recebeu caixa 2 no valor de R$10 milhões em nome da sigla. O ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho envolveu o "núcleo duro" do governo nos esquemas de compra de Medidas Provisórias, como Moreira Franco e Eliseu Padilha, articuladores políticos do PMDB como Jucá e Eunício Oliveira, além dos presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Rodrigo Maia. O tucano Antonio Imbassahy, mais cotado para assumir a Secretaria de Governo, também foi citado, um dia depois de Serra e Alckmin serem envolvidos nas delações. O próprio PT não ficou de fora, com o vice-presidente do Senado Jorge Viana recebendo R$300 mil.

A delação da Odebrecht não mostra apenas a podridão dos políticos tradicionais, mas também a corrupção inerente às empresas capitalistas, que utilizam seu poder econômico para comprar medidas parlamentares ou projetos de lei que beneficiem seus interesses privados, como a diminuição de impostos, incentivos tributários e a regulamentação de ataques trabalhistas. Às claras vemos a correção da sentença de Karl Marx, de que o Estado burguês é um balcão dos negócios comuns de toda a burguesia.

A autoritária Lava Jato confirma seu curso “Mãos Limpas”, atingindo os partidos da base do golpe institucional e se chocando contra o próprio governo. Não se pode descartar que o interesse seja remover Temer ainda em 2016, para que haja eleições diretas no início do ano que vem – algo que o próprio Fernando Henrique Cardoso apontou como “melhor saída” que eleições indiretas, caso Temer caia.
O avanço sobre setores da “casta política” busca revestir a Lava Jato da capacidade de “combater a corrupção” com a qual o Judiciário convive diariamente. O impeachment de Temer, eleições indiretas ou mesmo diretas estão a serviço de dar um novo fôlego ao regime político dos ricos que fazem negócios no parlamento (e nos Tribunais). A Operação de Sérgio Moro avança em remodelar este regime político a fim de substituir um esquema de corrupção por outro, dando legitimidade à aplicação mais dura dos ataques que Temer não conseguiu.

Em meio às disputas dos poderes os trabalhadores precisam erguer uma voz própria, não apoiar lados que não estão nem aí para o combate à corrupção dos capitalistas ou aos abusos do judiciário. Precisamos impor com a força da mobilização uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, que garanta que todos os cargos políticos de juízes a senadores sejam eleitos e revogáveis, ganhem como uma professora, o confisco dos bens de corruptos e seu julgamento por júri popular. Para impormos uma Nova Constituinte é necessário em primeiro lugar que a CUT e CTB dêem um basta a sua trégua a Temer, ao STF e ao Congresso, que seguem aprovando ataques dia atrás dia. É preciso um verdadeiro plano de luta e não medidas isoladas, organizar assembléias e mobilizações nos locais de trabalho para que os trabalhadores tomem em suas mãos o combate a PEC 55, à reforma da previdência e para dar uma saída própria nessa crise política.




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