Internacional

ATO DE ATLANTA

Del Caño encerra ato de Atlanta com discurso inflamado

terça-feira 22 de novembro| Edição do dia

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Companheiras e companheiros,

É uma alegria enorme estar nesse estádio repleto de lutadoras e lutadores de todo o país! Quero mandar um abraço à toda a militância do Partido Operário, da Esquerda Socialista e do PTS que lotaram esse Estádio de Atlanta!
Este ato acontece em um momento muito difícil para os trabalhadores do mundo. Porque no coração do imperialismo ascende ao poder um multimilionário racista como Donald Trump. Esses demagogos, que surgem quando o capitalismo não encontra saída, a mais de 8 anos da crise mundial, com suas crescentes guerras e desigualdades. Hillary Clinton é uma expoente da oligarquia econômica e política norteamericana. As multinacionais e os bancos seguiram acumulando fortunas enquanto os trabalhadores perdem seus empregos e suas casas. Por isso apostam em Trump, porque Hillary é uma representante dessa oligarquia com essa falsa promessa de industrialização. Mas se cruzamos o Atlântico, a Europa capitalista apenas oferece campos de concentração para refugiados e imigrantes. Seguramente, vocês, assim como eu, não podem tirar da memória a imagem de Aylan, o menino sírio que apareceu morto nas praias turcas e que comoveu o mundo inteiro. Por isso nossa luta para acabar com o capitalismo não é apenas nacional, mas sim para acabar com o imperialismo em todo o mundo.

Hoje estamos, companheiras e companheiros, frente a um novo cenário internacional, em que as medidas monetárias, protecionistas, que poderão tomar governos como dos EUA, significarão condições mais difíceis para países dependentes como o nosso. Se aproximam novas crises, e o superendividamento de Macri será mais custoso ainda para os trabalhadores.

Mas eu tenho que dizer que esta Frente de Esquerda é a única que repudia essa dívida ilegal, ilegítima e fraudulenta.

Porém, também nos chegam boas novas notícias do Norte, lá a juventude se levanta contra Trump e se solidariza com os imigrantes. Esses jovens, que em milhares votaram em Bernie Sanders, que se dizia socialista, e que acabou levando parte dessa força para uma belicista como Hillary Clinton. Nos dizia nossa companheira Julia Wallace, ativista do movimento negro contra o racismo policial dos EUA, que estas mobilizações são o começo de algo muito importante. E já a juventude têm se movimentado em todo o mundo: na França com dezenas de milhares nas ruas, no Brasil mais de mil colégios e universidades ocupadas contra o governo golpista de Temer – seguindo o caminho do glorioso movimento estudantil chileno. E quero pedir a vocês, por falar no movimento estudantil chileno – que já saudaram –, mas quero pedir a você um forte aplauso para a nossa companheira Barbara Brito, feminista, socialista, recém-eleita vice-presidenta da Federação de Estudantes da Universidade do Chile. Viva os combativos estudantes chilenos!

Mas essa juventude tem um desafio enorme, que é unir-se à classe trabalhadora em todo o mundo com um programa e um projeto anticapitalista, que diferentemente dos reformistas do Podemos na Espanha e Syriza na Grécia se dá pela luta por um governo dos trabalhadores e de ruptura com o capitalismo, que expropriando os expropriadores – como dizia Karl Marx – permita que o avanço da tecnologia, não ocorra contra os trabalhadores, deixando-os sem casa, mas sim para permitir que todos tenham trabalho, reduzir a jornada de trabalho e que milhões tenham acesso à educação, à cultura, à arte e ao conhecimento.

Há muitos que tentarão nos desencorajar que tenhamos este sonho em um país como nosso onde se completa um ano de governo Macri. Um governo de ricos para os ricos, nós da Frente de Esquerda desde o primeiro momento fomos a única força política que dissemos não para o consenso dos ajustes. Por que se os ajustes puderam avançar, foi graças a Frente Renovadora, Câmara dos Deputados, a Frente para a Vitória [kirchnerismo] e a ao Senado que deram seu voto para aprovar a Lei de Entrega e os ajustes, os “fundos abutre” e o orçamento de endividamento. Isto, companheiros, também foi feito pelos governadores peronistas em todas as províncias em acordo com todos os políticos, aplicaram os ajustes, e gostaria de falar como já assinalaram vários companheiros e companheiras aqui, a CGT que ontem marchou, deixou passar o arrocho salarial, demissões sem sequer convocar uma paralisação de 24h. Este governo de gerentes, de Macri e de políticos do sistema, sob cuidados de seus juízes e sua polícia, são parte do mesmo regime político que defende os interesses dos capitalistas. Esses que tem fortunas, que vivem em condomínios de luxo, que mandam seus filhos a escolas de elite, que são atendidos nas clínicas mais caras, estes políticos que fazem demagogia com a "pobreza zero", que não tem ideia do que significa fazer malabarismo no final do mês com salário como fazem mais da metade dos trabalhadores da Argentina que ganham menos de 8 mil pesos, ou os aposentados que ganham pouco mais de 5 mil. Não tem ideia, companheiros, do que significa trabalhar desprotegidos como fazer os trabalhadores terceirizados e rurais de Mendonça que estão aqui presente neste ato!

Lembro que em 2014, quando uma companheira que participou da luta de Lear, os valentes trabalhadores da Lear, parou em frente a polícia e disse: "Tenho 35 anos, sendo 17 nesta fábrica, tenho hérnia de disco, tendinite, muitas doenças e agora me deixam em casa sem ter nada para dar de comer para meus filhos". Falávamos com Luis, um companheiro da fábrica de FATE e nos indignávamos com o tratamento recebido pelos trabalhadores chamados "quebrados", jovens que como ele que aos 32 anos já não servem mais para a patronal e que não podem nem se quer carregar seus filhos nos braços. Nós somos a Frente de Esquerda que defende todos os trabalhadores, não há trabalhadores de segunda, não há trabalhadores descartáveis. Viva a classe trabalhadora!

Unidade dos trabalhadores! E que se danem os que são contra! Se danem
Unidade dos trabalhadores! E que se danem os que são contra! Se danem

Seguramente, como muitos entre nós notam, cresce a indignação contra o governo de Macri, mas não podemos permitir que essa insatisfação seja utilizada para a volta do peronismo como alguns trabalham. Muitos depositaram sua confiam e expectativa no kirchnerismo que governou 12 anos e a resposta que encontram foi a foram as bolsas de José Lopes, muitos acreditaram em seu discurso de direitos humanos e se encontraram com Milani e o Projeto de espionagem contra a esquerda. Nós somos a esquerda que está na linha de frente das lutas, somos a esquerda que foi reprimida pelo batalhão de choque na Rodovia Panamericana por apoiar os trabalhadores. Somos a esquerda que convocou este ato e se lembra a cada minuto do nosso companheiro Mariano Ferreyra assassinado enquanto lutava com os terceirizados na estação ferroviária Roca. Somos a esquerda que luta para recuperar as comissões internas, o corpo de delegados e os sindicatos das mãos da burocracia. A esquerda que se mobilizou e impulsionou mobilizações enormes de estudantes, docentes e não-docentes em defesa da educação pública. Somos a esquerda que faz de tudo para defender os interesses dos trabalhadores como em Zanon e em Donnelley. É a esquerda, companheiros, que com nossas companheiras somos o setor mais consequente e combativo do glorioso movimento de luta das mulheres que fez reverberar o grito de "NemUmaAMenos". E também, somos a esquerda que chegou ao congresso e a legislaturas em várias províncias, estas cadeiras que em um primeiro momento estiveram a serviço de impulsionar a mobilização, e quero reivindicar meus companheiros deputados, a Nestor Pitrola, a Myriam Bregman, a Soledad Sosa, a Pablo Lopez, que denunciaram sem cansaço aquele legisladores. Há milhões que compartilham nossa ideia de que todo funcionário político e deputado tem que ganhar como o mesmo que ganha um trabalhador.

Companheiras e companheiros, nós conseguimos com a Frente de Esquerda dos Trabalhadores uma unidade muito importante, mesmo havendo diferenças importantes em quase todos os assuntos levantados no parlamento e na vida política nacional, defendemos mandatos e um programa anticapitalista e socialista na Frente de Esquerda. Um programa que convocou este ato, com o objetivo de abrir a discussão com todas as organizações políticas que querem se somar a Frente de Esquerda. E também, como já expressaram temos um desafio, uma luta por mais deputados pela Frente de Esquerda em muitas províncias já nos tornamos uma força política muito importante. E entendemos que temos uma batalha especial na província de Buenos Aires onde os políticos e os capitalistas preparam uma guerra encarniçada para manipular as eleições, assim também temos que disputar, com uma força especial, a consciência de milhões de trabalhadores.

Companheiros e companheiras, para ir finalizando gostaria de chamá-los a um assumir um compromisso. Um compromisso muito importante. Todos que estamos aqui participamos de lutas parciais. Participamos em inúmeras lutas. Todo o tempo a Frente de Esquerda esteve a frente, mas temos que fazer com a força social mais importante do nosso país a frente que são os trabalhadores. A classe social mais poderosa. Impulsionando uma frente única operária para que em cada convocatória progressista das centrais sindicais ou em qualquer sindicato, batendo como um só punho para exigir que termine a trégua e convoque uma paralisação nacional efetiva e um plano de lutas.

Já dissemos muito de 22 de abril, nessa convocatória da CGT e CTA onde golpeamos com um só punho. Temos que continuar esse exemplo.

Companheiras e companheiros, quero também pedir-lhes que esta energia que se respira neste estádio seja levado a cada fábrica, a cada escola, a cada universidade, a todos os lugares, aos bairros, para fazer com que a Frente de Esquerda se transforme em uma força arrasadora imparável! Viva a Frente de Esquerda dos Trabalhadores! Viva a luta as mulheres, dos trabalhadores e da juventude! Muito obrigado e viva a Frente de Esquerda!

Tradução: Douglas Martins




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