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Del Caño: "Todas estas empresas tem de ser nacionalizadas sob controle dos trabalhadores"

O deputado federal do PTS/Frente de Esquerda repudiou os austes tarifários e alertou contra o anunciado veto presidencial, ao qual qualificou como "recurso monárquico". Ademais, rechaçou o acordo com o FMI e defendeu a necessidade de um banco estatal único.

quarta-feira 9 de maio| Edição do dia

Por volta das 15h30, Nicolás del Caño falou na sessão especial que ocorre na Câmara dos Deputados da Argentina contra as tarifas impostas por Macri. Em um discurso inflamado, repudiou um novo saque e condenou o anúncio de acordo com o Fundo Monetário Internacional, que aprofunda a crise econômica e política do país.

Veja as partes fundamentais de seu discurso.

• Temos repetidamente levantado nosso projeto sobre a questão das tarifas. Este projeto que levanta a oposição é insuficiente. Ele quer trazer os aumentos de volta para novembro de 2017, validando os ajustes que começaram em 2016 quando o governo Macri tomou posse. Claro que vamos acompanhá-lo, porque isso significa um paliativo para milhões de pessoas que hoje estão sofrendo esse ajuste brutal da s tarifas implementado pelo governo de Macri.

• Reiteramos, agora, muito mais neste contexto de aprofundamento da crise econômica e política em nosso país, como este retorno ao FMI implicará maiores dificuldades para as grandes maiorias populares. Nós insistimos em uma saída de fundo. Primeiro temos que reverter e cancelar as tarifas, retornar a janeiro de 2016. Propomos que seja realizada uma auditoria para conhecer os destinos dos subsídios milionários recebidos pelas empresas privatizadas durante os governos anteriores.

• E também propomos, como solução básica, a necessidade de nacionalizar todas essas empresas, os recursos de hidrocarbonetos, todo o sistema energético, todas essas empresas de serviços públicos e que estão privatizadas. Propor que deve ser gerido pelos trabalhadores, com controle dos usuários populares que poderia ser feito simplesmente com audiências públicas realizadas em cada local onde grupos de defesa do consumidor, sindicatos, centros de bairro e todos os tipos de organizações do povo trabalhador, em um planejamento racional que nos permita acabar com esse saque. Essas empresas lucraram sempre. Elas lucraram com Menem com taxas dolarizadas, lucraram com os subsídios dos governos kirchneristas e ganharam fortunas agora com uma lucratividade muito alta graças à aos ajustes tarifários do governo Macri.

• Isso permitiria ter um plano racional para que todas as pessoas tivessem acesso a esses serviços essenciais, onde não deveria haver lucro, e também que fosse eficiente. Ontem estive em Neuquén apoiando a luta e a greve dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, que pedem um aumento salarial há mais de dois anos. Precisamente em uma província petrolífera, de onde vêm o petróleo e o gás, existem milhares de famílias humildes e trabalhadoras que não possuem gás natural. Essas empresas multinacionais pegam nossos recursos e, ao custo disso, destroem a educação pública, com baixos salários para os professores e com uma infra-estrutura escolar que se desfaz.

• Aqui foi dito de passagem que Mauricio Macri já anunciou que vai vetar esta lei, que é parcial, que mitiga as tarifas, mas que não dá uma saída de fundo. Ele vai usar um recurso monárquico que lhe dá a constituição de 1994. Tanto que nos falaram sobre a república, tanto que falam da divisão de poderes. Macri vai vetar a única lei que favorece as grandes maiorias populares que sai deste congresso, porque a grande maioria das leis que se votou aqui foi contra os trabalhadores.

• Hoje há uma mobilização muito importante que foi chamada contra os ajustes tarifários aqui nas portas do Congresso. Houve algumas mobilizações, mas sabemos que para quebrar a vontade deste governo do grande capital, que quer impor a ditadura do capital financeiro e das empresas às quais pertencem e com as quais se beneficiaram, os trabalhadores e setores populares têm que colocar em pé uma deliberação e uma mobilização de milhões nas ruas. Sabemos que, para quebrar essa vontade, teremos de pôr em marcha os 14 milhões de assalariados que este país tem, mais os 2 milhões de desempregados, que com as suas famílias são a esmagadora maioria do país. Ir contra essa pequena minoria que governa com uma política para nos esmagar e se beneficiar dos milhões que estão ganhando.

• É por isso que propusemos no início desta sessão que o Congresso rejeite o acordo com o FMI. Aqui ninguém pode dizer que tem uma alternativa favorável aos trabalhadores se não começarmos por desconhecer e declarar de forma decisiva e clara o não pagamento da dívida externa, um mecanismo de pilhagem que todos os governos realizaram contra os trabalhadores.

• Nesse sentido, acreditamos que essa mobilização popular é a única que pode quebrar a vontade do governo do grande capital, defendendo não só a nacionalização das empresas privatizadas de serviços públicos, o não reconhecimento da dívida externa, mas também um conjunto de medidas, tais como nacionalização do sistema financeiro, estabelecendo um banco estatal único que impeça a fuga de capital, concentre as poupanças nacionais, acabe com essa fuga, conceda crédito barato aos pequenos comerciantes, aos trabalhadores para que possam ter acesso a moradias dignas.

• É por isso que nossa proposta é uma solução básica. Nós já vimos isso na Grécia, com o governo do Syriza que estava posando com algum discurso de esquerda: quando as agências de crédito internacionais propuseram esse ajuste duro, apesar de um plebiscito que rechaçou o ajuste proposto pela Troika, o Syriza aplicou do mesmo jeito os ataques, traindo a vontade popular. Porque não se pode avançar contra o grande capital e governar em favor dos trabalhadores e do povo se não se rompe com o capitalismo e se estabelece um governo dos trabalhadores.




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