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Greve pelo Clima | Defender nossos biomas nas ruas contra as queimadas do agronegócio, Bolsonaro e direita

Na próxima sexta, 24 de Setembro, está sendo convocada a Greve Global pelo Clima, como parte da revolta, especialmente da juventude, contra a exploração predatória capitalista, que no Brasil é obra do agronegócio, de Bolsonaro, de Mourão, do STF e do Congresso reacionários. Mais do que nunca é necessário unificar trabalhadores, juventude, povos originários nessa luta. Se o capitalismo destrói o planeta, destruamos o capitalismo!

segunda-feira 20 de setembro | Edição do dia

Foto: Andre Penner/AP

A situação absurda dos biomas brasileiros exige uma resposta anticapitalista que ponha fim às queimadas, à grilagem, às extrações ilegais, à violência contra os povos indígenas e ao conjunto dos ataques do agronegócio, Bolsonaro, Mourão e Congresso.

É revoltante que a área desmatada da Amazônia só em agosto de 2021 seja a maior para o mês em dez anos. Segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que monitora a região por satélite, foram desmatados 1.606 km² de floresta só no mês passado, o que equivale a cinco vezes o tamanho de uma cidade como Belo Horizonte e é 7% maior do que o registrado em agosto de 2020.

Tanto a Amazônia, quanto o Pantanal e a Chapada dos Veadeiros estão sendo devorados pelo fogo do agronegócio. O incêndio que atinge a Chapada dos Veadeiros completou uma semana e já consumiu uma área equivalente a 18 mil campos de futebol, segundo o Corpo de Bombeiros. A estimativa é que no mês de agosto o Pantanal tenha perdido uma área equivalente a mais de 1 milhão de hectares, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A realidade é que, como representante dos interesses burgueses do agro e das mineradoras, Bolsonaro demonstrou seu desprezo pelo meio ambiente desde que foi eleito. Seu ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu publicamente "passar a boiada" durante o período de pandemia, afrouxando leis de preservação do meio ambiente. Sem contar com o discurso vergonhoso de Bolsonaro na ONU com várias mentiras sobre as queimadas no Brasil, chegando ao absurdo de responsabilizar os povos indígenas, quando já foi comprovado que os danos foram provocados pela ação humana de forma intencional e criminosa. Em setembro do ano passado, seu vice, General Mourão, desdenhou das queimadas, consideradas a maior da história, que já tinha consumido em chamas 15% do Pantanal e matou diversas espécies. É essencial combater também o Supremo Tribunal Federal (STF), que ataca os povos indígenas com o Marco Temporal, e o Congresso com seus representantes do Centrão, como o presidente Arthur Lira (PP), que financiam grandes fazendeiros no Centro-Oeste e no Nordeste.

Também não podemos confiar em setores que defendem um "capitalismo verde", como o atual presidente dos EUA, Joe Biden. O imperialista diz rechaçar o desmatamento da Amazônia no Brasil, mas é necessário dizer que os reais interesses de Biden, alinhados com a ala do golpismo institucional de 2016 do regime brasileiro, nada mais é do que conquistar maior controle sobre setores estratégicos da produção agrícola nacional.

Frente a toda essa situação não podemos nos calar, e a força unificada da juventude com os povos originários em luta em Brasília e os trabalhadores pode vingar a Amazônia, a Chapada dos Veadeiros, o Pantanal, assim como Mariana e Brumadinho! Precisamos defender nosso futuro que se vê ameaçado pela sede capitalista que em nome do lucro do agronegócio e de grandes empreiteiras e empresas, destrói a natureza.

Para isso, a inspiração internacional é fundamental, como a experiência de luta contra a exploração predatória de petróleo em Vaca Muerta, Neuquén, na Argentina, em que o governo de Alberto Fernandez beneficia o agronegócio e a mineração. Lado a lado da juventude e dos trabalhadores nas lutas, as candidaturas da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade (FIT-Unidad), que avança como terceira força nacional para as eleições do fim do ano, defendem o fim da exploração do fracking em Vaca Muerta e o fim da megamineração poluente, além de denunciarem todas as medidas para o agronegócio. Um exemplo anticapitalista para nossa luta também no Brasil.

Aqui, é imprescindível a unidade de trabalhadores, jovens e indígenas contra o agronegócio, Bolsonaro, Mourão, STF e Congresso, para acabar com as isenções fiscais e taxar os lucros do agronegócio, garantir a demarcação e o direito dos povos indígenas sobre a terra, com uma reforma agrária radical que acabe com os senhores do interior e com a exploração do nosso território. Por isso, fazemos um chamado ao conjunto das organizações de esquerda, como PSOL e PSTU, a batalhar por essa unificação exigindo que as centrais sindicais e entidade estudantil dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, como a CUT, a CTB e a União Nacional dos Estudantes (UNE), construam um plano de lutas por uma paralisação nacional. Chega de alianças com quem nos ataca e destrói nossas florestas, chamando para atos com atores do regime político que são a favor das reformas, que alimentam o agronegócio, desde a direita liberal do PSDB, até Rede e Solidariedade, que ajudaram a aprovar a Reforma da Previdência.

Só podemos confiar em nossas próprias forças, porque a verdade é que o PT está afirmando ao que sempre veio, assim como em seus anos de governo, que é fazer alianças espúrias com os setores mais reacionários pela "governabilidade", defendendo a intervenção privada em estatais. Lula se reuniu com as oligarquias no Rio Grande do Norte e com o Pastor Isidório, inimigo das LGBTQIA+, na Bahia, quando passou com sua caravana eleitoral acompanhado de Gleisi Hoffmann, presidenta do PT.

E é nesse sentido que colocamos a necessidade de impor pela nossa luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com deputados eleitos por bairros e que sejam revogáveis. Para revogar todos os retrocessos ambientais, anular todas as reformas e batalhar pela realização da reforma agrária radical. Dessa maneira, será possível contrapor os interesses dos trabalhadores e dos setores oprimidos aos interesses dos capitalistas, rumo a um governo da classe trabalhadora de ruptura com o capitalismo.

Se o capitalismo destrói o planeta, destruamos o capitalismo!




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