Política

CORONAVÍRUS

Decreto de Marchezan reabre o comércio em Porto Alegre colocando os trabalhadores em risco

Em plena pandemia Marchezan permite a reabertura de pequenos e médios comércios nesta terça (05), gerando aglomerações nas paradas de ônibus e lojas do centro da cidade, colocando em risco a vida dos trabalhadores.

terça-feira 5 de maio| Edição do dia

O discurso do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr, é de combate a pandemia, mas suas ações e decretos mostram uma prática totalmente contrária a isso. Com um decreto que aumenta amplamente a lista dos serviços ditos "essenciais", Marchezan autorizou a reabertura nesta terça-feira (4) de todos os pequenos e médios comércios da cidade.

Com a flexibilização da quarentena, o fluxo de pessoas na cidade aumenta impulsionando muitos focos de aglomeração: seja no centro, nas filas, nas paradas de ônibus ou nos transportes. Isso acontece acompanhado de medidas de prevenção muito precárias que não vão além de obrigatoriedade do uso de máscaras, de disponibilização de álcool gel nos estabelecimentos e do distanciamento mínimo entre as pessoas. Também há uma exigência de que essas lojas só possam abrir a partir das 9h para evitar aglomerações no transporte público. Porém, com a redução das tabelas horárias das empresas de ônibus, isso é praticamente impossível pois aumenta muito o número de pessoas por viagem, expondo ao vírus tanto os passageiros quanto os trabalhadores rodoviários.

Tudo isso gera as condições perfeitas para um salto no contágio pelo coronavírus entre os porto alegrenses, e o inevitável aumento de casos na região metropolitana. Marchezan, como de costume, coloca seu mandato a serviço de seus amigos empresário que estão pressionando o governo para a reabertura total do comércio para a manutenção de seus lucros. A RBS também faz seu papel a favor dos empresários: pinta um cenário romantizado sobre a pandemia no Rio Grande do Sul, tentando mostrar que a situação não está tão grave, quando na realidade o estado já está com cerca de 70% dos leitos de UTI ocupados. Em Blumenau, foi dado o exemplo o qual não deve ser seguido: após ocorrer a reabertura do comércio, o salto no número de notificações de pessoas infectadas foi de absurdos 160%.

Para garantir que os empresários sigam lucrando mesmo em meio a crise de dimensões históricas, Marchezan lança um decreto que será um passo a mais em direção ao colapso do sistema de saúde no estado, que já conta com mais de 70 mortes e mais de 1,7 mil casos da doença notificados. Além disso, há uma enorme subnotificação dos casos da doença, que indica que esses números são na realidade muito maiores, já que testes diagnósticos para a Covid-19 não são disponibilizados para a população. Essa subnotificação acaba servindo como uma política de Estado na crise atual, na medida em que subestima os números totais de doentes e infectados, ajudando no discurso de que o comércio pode reabrir sem muitos problemas.

Porém, a reabertura do comércio sem a garantia da testagem em massa para a população é a receita para a explosão de casos da doença e o aumento do contágio exponencialmente. Precisamos urgentemente oferecer testes diagnósticos em grande quantidade para saber de fato quantas pessoas estão infectadas hoje, aumentar os investimentos na saúde pública, mais leitos de UTI, hospitais preparados, conversão da produção para produzir respiradores e EPIs (equipamentos de proteção individual) a fim de garantir a segurança dos trabalhadores que se encontram na linha de frente e diminuir a transmissão.

Para além disso, nós do Esquerda Diário, defendemos a garantia da renda e do emprego aos trabalhadores, proibindo as demissões, e propondo, como mínimo, que se pague R$ 2 mil reais a cada trabalhador autônomo ou já desempregado para que ninguém seja obrigado a pagar com a sua vida pela crise imposta pelos capitalistas!




Tópicos relacionados

Coronavírus   /    Marchezan   /    Porto Alegre   /    Política

Comentários

Comentar