Internacional

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SOCIALISTAS MÉXICO

Declaração: passagem livre e segura e plenos direitos políticos e sociais para a caravana migrante

Cerca de 10 mil pessoas estão se deslocando do sul do México. Fogem da miséria e da violência de seus países de origem. Buscam chegar aos Estados Unidos, enquanto o xenófobo Trump continua vociferando ameaças, e os governos centro-americanos e mexicanos deportam e reprimem os migrantes. Ajudemos nossos irmãos migrantes.

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

Trump cortará as “ajudas” que os Estados Unidos dão aos governos de Guatemala, Honduras e El Salvador. “Ajudas”, na realidade, cuja única serventia é financiar as forças repressivas e aumentar as fortunas dos governantes e dos empresários; todos a serviço da “segurança interior” dos Estados Unidos.

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De acordo com dados publicizados, até o dia 20 de outubro se registraram 7.233 pessoas para somarem às instâncias de atenção a migrantes do governo do México. Por sua vez, se estima que de 2 mil a 3 mil pessoas cruzaram o rio Suchiate, fronteira mexicana com a Guatemala.

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Mulheres, crianças, jovens, adultos e anciãos são parte desta nova onda migratória. O desespero os empurra. Já não podem viver em seus países, sem oportunidades de trabalho e a mercê da violência que o crime organizado e as forças repressivas lhes oferecem, muitas vezes juntos. Espalharam a brutal repressão da polícia federal mexicana na fronteira e seguem marcha. No caminho, as mãos solidárias do povo mexicano se estendem, que os apoia com palavras de alento, doações de roupa e calçados, e de alimentos.

Está em curso uma crise humanitária provocada pela criminalização e a repressão que os governos servis de Guatemala, Honduras e México lançam contra os migrantes. Fazem o trabalho sujo para o xenófobo e racista Donald Trump,
quem edificou sua fortuna sobre a base da superexploração de trabalhadores migrantes na indústria da construção e da hotelaria nos Estados Unidos. O governo de Trump é a continuidade de uma longa história de agressão imperialista contra a região centro-americana, a ponto que, para quase todos os efeitos, a América Central é o "pátio traseiro do imperialismo".

Neste sentido, a região sofre todas as desgraças do capitalismo estadunidense. A crise econômica de 2008 teve um impacto profundo na região, gerando desemprego, governos repressivos, aprofundamento das barbaridades capitalistas e também da migração. O governo de Juan Orlando Hernández em Honduras é um bom exemplo do que é a região depois da crise de 2008. É por isto que os principais responsáveis da migração são tanto o imperialismo estadunidense com Trump à cabeça, como os governos mexicano e centro-americanos, servis e submissos ao imperialismo, mas brutais contra suas respectivas classes trabalhadoras e setores populares.

A repressão das autoridades mexicanas está elevando a consciência de um setor dos migrantes, que denuncia a subordinação de Peña Nieto ao imperialista Trump.

México: um dos países mais perigosos para os imigrantes

Ano após ano, os imigrantes têm realizado uma das travessias mais perigosas do mundo para atravessar o México e chegar ao solo estadunidense com a esperança de uma vida melhor. Escapam do crime organizado de seus países de origem,
vinculados aos partidos dos empresários, e da miséria em que mergulharam esses partidos dos países centro-americanos.

Em solo mexicano, os migrantes se enfrentam com a brutalidade dos agentes migratórios, da polícia, do Exército e da Marinha, além das intempéries do clima. Não podemos esquecer casos como os massacres de San Fernando, Tamaulipas, quando a polícia entregou centenas de migrantes aos carteis, e os executaram. Seus sonhos, suas esperanças se desfizeram na bruma terrível da militarização e do surgimento do crime organizado.

Esta caravana reuniu milhares que tentaram entrar no México e atravessar o país para cruzar o Rio Bravo, uma arriscada aventura que cotidianamente milhares de mexicanos enfrentam. Sem recursos, sem dinheiro, quase sem malas.

São trabalhadoras, trabalhadores, camponeses pobres, seus filhos, arrasados pela voracidade capitalista, sobreviventes da militarização. São irmãs e irmãos da classe trabalhadora, das comunidades, dos povos originários, das mulheres e dos jovens
do México, que enfrentam arrastões nas zonas rurais feitos pelo narcotráfico e pelos megaprojetos, que também vivem a superexploração nas transnacionais que operam no México e que viveram na própria carne as nefastas consequências da narcoguerra” e da militarização.

Em 2017, outros migrantes centro-americanos, que estavam de passagem, pararam no meio do caminho para apoiar os centros de resgate por conta dos terremotos de setembro. Isso, o governo e os setores reacionários do México se esquecem. Lutemos contra o muro de Peña e a xenofobia que promove o governo nas mídias oficiais de comunicação e nas redes sociais.

Solidariedade operária e popular com os irmãos centro-
americanos

Hoje, necessitam do apoio dos trabalhadores e do povo mexicanos. Sejamos milhares nas ruas, para nos mobilizarmos por plenos direitos sociais e políticos para todos os migrantes, pelo livre trânsito de pessoas nos países da região. Nenhum ser
humano é ilegal!

Mobilizemos uma solidariedade efetiva a nossos irmãos migrantes; os sindicatos e organizações populares e de esquerda devemos nos colocar a frente disso. Façamos estoques de mantimentos, roupas e materiais de primeiros socorros em cada local de trabalho, em cada local de estudo, em cada aldeia. Que se organizem albergues dignos nos sindicatos, nas escolas e nos terrenos que são controladas pelas organizações do movimento urbano popular. Que nesses lugares os migrantes sejam protegidos das deportações. A classe operária é uma só e sem fronteiras!

É necessário organizar um Encontro Nacional de solidariedade com a caravana migrante durante sua passagem pela Cidade do México, para criar uma rede nacional que organize a recepção da caravana pelos distintos estados.

Vamos dar um basta às bravatas de Trump, que separou milhares de crianças migrantes de suas famílias e os mantêm encarcerados. Estamos fartos de seus insultos e de suas ameaças, de seu muro e suas prisões privadas. Mobilizemo-nos
sob o grito de “Abaixo o muro e todas as políticas antimigrantes de Trump”!

Contra a subordinação servil do governo mexicano, que trabalha de polícia da ofensiva antimigratória do imperialismo estadunidense, e os governos da América Central que também executam suas ordens, construamos um movimento continental contra a ingerência imperialista na região, por plenos direitos sociais e políticos para todos os migrantes e pelo livre trânsito pelos países da região.

Tradução: Luciana Vizzotto




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