Mundo Operário

MARIELLE FRANCO

Declaração do Sintusp: Por Marielle e Anderson, nós trabalhadores também nos levantamos

terça-feira 27 de março| Edição do dia

Em assembleia geral de funcionários realizada hoje, dia 27 de março, os trabalhadores da USP votaram uma declaração em repúdio aos assassinatos políticos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Na declaração os trabalhadores colocam a necessidade de uma mobilização contra as mortes, por uma investigação independente do estado e contra a intervenção federal. Também foi votado uma série de ações para construir a mobilização e ampliar o debate de conjuntura, frente a esse brutal crime estatal.

No dia 6 de abril, em reunião ordinária do Conselho Diretor de Base do SINTUSP, haverá uma homenagem à Marielle Franco. Em data a ser marcada será organizado um debate com a categoria para discutir os aspectos da conjuntura nacional frente à intervenção militar e ao assassinato de Marielle e Anderson. Também se aprovou a participação em um dia nacional de luta e mobilização por Marielle no dia 13 de abril, um mês após seu assassinato.

Abaixo segue a declaração:

Por Marielle e Anderson, nós trabalhadores também nos levantamos

No dia 14 de março Marielle Franco, mulher negra, nascida na favela, militante de esquerda foi executada. Junto a ela também foi morto Anderson Pedro Gomes, motorista que a acompanhava. A comoção que tomou às ruas nos dias posteriores não era apenas de luto pela morte trágica de Marielle e Anderson. Por que não era uma tragédia apenas. Foi uma execução política.

Marielle, vereadora eleita do PSOL, era crítica à violência policial, principalmente nas favelas, e a intervenção federal no Rio de Janeiro. Sua morte foi uma tentativa de calar as vozes que se levantavam contra a violência do Estado. Por isso, nas ruas vimos ecoar o grito de milhares por Marielle, por Anderson, mas também contra a intervenção federal e o governo.

A mídia burguesa e os governos tentam, com a morte de Marielle, fortalecer a militarização do Rio e saídas reacionárias à crise que se abriu. Mas os trabalhadores e a juventude podem dar uma resposta que lute por justiça por Marielle e Anderson e também contra todos os crimes policiais e do Estado. Nós, trabalhadores da USP, podemos dar exemplo de luta por justiça à Marielle. Precisamos nos mobilizar para lutar para que se forme uma comissão independente que averigue esses e todos os crimes do estado e da polícia. Fazendo também um chamado para que as centrais sindicais e todos os sindicatos do país se organizem para lutar por justiça à Marielle e Anderson e contra a intervenção federal no Rio de Janeiro

A partir da nossa organização podemos impor uma derrota ao governo que tenta descontar nos trabalhadores, na juventude e nos mais pobres a crise a qual o Rio de Janeiro é o mais trágico exemplo. Se mostramos que os trabalhadores estão mobilizados contra os ataques dos governos e que o nosso ódio por esse assassinato cruel é combustível para a nossa luta, podemos ir aos problemas de fundo que levam a crimes bárbaros como o assassinato de Marielle, e podemos também barrar os ataques em curso e reverter todos os ataques que sofremos nos últimos anos.

Temos que nos manter nas ruas por Marielle, contra a intervenção federal e todos os ataques dos governos.

Assembleia geral dos funcionários da USP
São Paulo, 27 de março de 2018.

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