Gênero e sexualidade

CONSTITUINTE JÁ

Declaração do Pão e Rosas: Não vamos trabalhar até morrer

A crise entre os poderosos aprofundada pelas delações de Joesley Batista da JBS coloca a nós mulheres uma nova perspectiva para lutar contra as reformas. Enquanto os patrões e a casta de políticos corruptos buscam nos fazer pagar pela crise com as reformas da previdência e trabalhista, precisamos responder: Nós, mulheres, não vamos trabalhar até morrer! É urgente uma greve geral e impor uma constituinte já!

segunda-feira 22 de maio| Edição do dia

No dia 28 de abril nós mulheres fomos linhas de frente nas manifestações em todo o país. Junto à classe trabalhadora protagonizamos diversas ações que demonstraram que não vamos aceitar que façam as mulheres pagarem pela crise com a reforma da previdência e trabalhista. Agora, em todo o país, os trabalhadores e a juventude se preparam para tomar Brasília no dia 24 de maio. Precisamos ser protagonistas nesse processo.

A reforma da previdência quer aumentar o tempo de contribuição dos trabalhadores. Porém, de acordo com dados do IBGE, as mulheres já trabalham cerca de 7,5 horas a mais que os homens no serviço doméstico que não é remunerado, a chamada dupla jornada. Além de iniciarem desde muito jovens no trabalho doméstico, mesmo depois de aposentadas esse trabalho não cessa. A reforma da trabalhista, além de flexibilizar as relações de trabalho ao máximo, as mulheres ficam ainda mais vulneráveis a contratos precários e condições degradantes, especialmente as mulheres gestantes e lactantes.

Nesse sistema capitalista as mulheres são 70% entre a população mais pobre no mundo, de acordo com dados da ONU. No Brasil são principalmente as mulheres negras. Ainda hoje as mulheres recebem menores salários que os homens, ganham 27% a menos que os homens, as mulheres negras 40% a menos. Ou seja, a emancipação de todas as mulheres depende da luta anticapitalista. Por isso, lutar contra as reformas é uma luta de vida ou morte para as mulheres hoje.

As saídas oferecidas pelo sistema são pra implementar as reformas. É urgente que as centrais convoquem uma nova greve geral para derrubar as reformas, o Temer e esse Congresso corrupto e que só nos ataca. A construção do ato em Brasília no dia 24 de maio precisa se intensificar para efetivamente ocupar a capital do país com centenas de milhares e fazer os poderosos tremerem.

Precisamos tomar a luta em nossas mão exigindo uma forte greve geral e impedindo que as direções sindicais e o PT traiam a luta. Precisamos generalizar os comitês pela base com milhares em todo o país, em cada local de trabalho e estudo.

Setores da esquerda, mas também o PT, a Rede de Marina Silva e a CUT, além de setores própria direita como Espiridião Amin do PP e Ronaldo Caiado do DEM pedem “Diretas Já!”. Porém, novas eleições dentro desse sistema não basta, pois não adianta mudar os jogadores sem mudar as regras do jogo. Também não podemos apostar no impeachment que coloca na mão do covil de ladrões do Congresso o destino do país. E menos ainda acreditar que o judiciário pode ser qualquer alternativa a favor do povo, com a Lava Jato, que está ligada a mil laços com os empresários estrangeiros.

Se cai o Temer, o próximo governo vai seguir aplicando as reformas. Mesmo que um próximo governo seja fruto de eleições diretas, vai estar controlado pelas atuais regras do jogo e os limites como da PEC 55/241 e do pagamento da dívida pública. Por isso, precisamos de uma Constituinte, única forma de impedir que nos matem de fome, já que deram um golpe institucional para isso.

Nós, mulheres, não vamos trabalhar até morrer. Nossas vidas valem mais do que lucros das grandes empresas capitalistas. Vamos aliar a classe trabalhadora, a juventude, o povo pobre e a classe média empobrecida na luta por uma eleição que seja capaz de mudar as regras do jogo a nosso favor, que só pode ser para uma Constituinte, imposta por uma greve geral.

Uma Constituinte, que anule a PEC 55/241 que impõe um teto de gastos com saúde e educação para garantir o pagamento da dívida pública que é uma verdadeira bolsa banqueiro. Podemos anular não somente os ataques de Temer, mas também os que passaram nos ajustes de Dilma, Lula, FHC e Collor.

Uma Constituinte, que anule a Lei da terceirização, que precariza sobretudo a vida das mulheres negras, que são a maioria entre os trabalhadores precários, e que efetive todos os trabalhadores terceirizados sem concurso.

Uma Constituinte como essa poderia expropriar todas as empresas desses corruptos e colocá-las sob controle dos trabalhadores e a serviço das necessidades do povo, como por exemplo garantindo direito à creche, lavanderia e restaurantes comunitários para que nós, mulheres, possamos trabalhar e criar nossos filhos. Uma constituinte que aprove um plano emergencial contra a violência contra a mulher que aprove a criação de imediata de abrigos transitórios e um plano de moradia a curto prazo, baseado na criação de impostos progressivos às grandes fortunas e corporações imobiliárias, que garanta subsídios fornecidos pelo estado, com licenças do trabalho para todas as trabalhadoras, efetivas ou terceirizadas, vítimas de violência. Uma Constituinte que garanta acesso pleno a saúde de qualidade 100% estatal e também direito ao aborto legal, seguro e gratuito para que mais nenhuma mulher morra.

A luta contra as reformas deve se unir à luta contra esse regime apodrecido e impor uma Constituinte livre e soberana, para que não sejamos nós mulheres a pagar pela crise com as reformas. Que os Capitalistas paguem pela crise!




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