Internacional

CRISE NA ARGENTINA

Declaração da Frente de Esquerda: abaixo o pacto com o FMI, paralisação nacional!

Traduzimos e reproduzimos a declaração do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), PO (Partido Obreiro) e IS (Esquerda Socialista), frente a crise econômica e política na Argentina. Abaixo o acordo com o FMI! Paralisação nacional ativa e um plano de lutas contra os tarifaços, o teto salarial, as demissões e a reforma trabalhista!

quarta-feira 9 de maio| Edição do dia

DECLARAÇÃO DA FRENTE DE ESQUERDA

Abaixo o acordo com o FMI! Paralisação nacional ativa e um plano de lutas contra os tarifaços, o teto salarial, as demissões e a reforma trabalhista!

Nas últimas semanas assistimos a um novo salto na crise econômica e política em que o governo Macri nos mergulhou, crise que pretendem fazer com que seja paga pelos trabalhadores e setores populares com um novo ajuste.

A decisão de buscar um resgate do FMI é a confissão de que todas as medidas anunciadas para enfrentar a crise até o momento fracassaram. Nas últimas semanas, o Banco Central financiou a fuga de quase 7 bilhões de dólares a serviço do jogo financeiro e segue pagando a dívida externa fraudulenta. As taxas exorbitantes que os especuladores ofereceram não detiveram a corrida contra o peso argentino, mas agravaram o passivo do Banco Central e as fortes tendências recessivas que acabarão em milhares de novos demitidos.

A decisão de buscar um resgate do FMI é a confissão de que todas as medidas anunciadas para enfrentar a crise até o momento fracassaram.

Da mesma forma, o pacto com o FMI representa a confissão de que o ajuste anunciado na semana passada não era suficiente para os especuladores internacionais. No informe elaborado pelo Fundo, é “recomendado” baixar o salário, aumentar a idade de aposentadoria para 70 anos, reduzir os gastos sociais e impor uma dura reforma trabalhista.

Em poucas semanas, a desvalorização do peso argentino superou 7%, o que aumentará ainda mais a inflação, que já estima-se superar os 25% anuais, enquanto o governo ratificou, com a cumplicidade da burocracia sindical da CGT e CTA, o teto salarial de 15% e mais, mandou a reforma trabalhista anti-operária para o Congresso, a qual rechaçamos plenamente.

A resposta do governo Macri ao rechaço popular contra os tarifaços nos serviços públicos foi o pagamento parcelado do gás, com juros. Uma provocação contra as maiorias populares que já sofre com demissões e roubo de salários.

Frente a isso, o peronismo que havia dado os votos para o governo sancionar todas as leis de ajuste e entreguismo, enquanto aplicavam as mesmas políticas nas províncias que governam, agora posa de oposição e apresentou um projeto de lei no Congresso que põe limites aos ajustes das tarifas futuras, mas que convalida os aumentos desde novembro do ano passado. Ou seja, em cumplicidade com o governo, pensando nas eleições de 2019 e não nos milhões que sofrem com os tarifaços. Nestes momentos seguem negociando com o governo nacional e governadores para tentar chegar a um acordo. Mas Macri e sua camarilha já decidiu não dar o braço a torcer, nem sequer frente a um projeto com essas características. Por isso iremos assistir a todo tipo de manobras para atrasar a aprovação de qualquer lei que questione o atual esquema de tarifaço, e Marcos Peña já adiantou um veto de Macri caso fosse aprovada no Congresso.

E o kirchnerismo que tachava os governadores e legisladores de “traidores”, fazem o mesmo. Não tem nenhum programa alternativo. Durante o seu governo sustentaram o esquema privatizador do menemismo e beneficiaram com subsídios multimilionários petroleiras como Repsol e, entre outras, subsidiaram aos Cirigliano-TBA, que levaram ao massacre de Once.

E o kirchnerismo que tachava os governadores e legisladores de “traidores”, fazem o mesmo.

A burocracia sindical, em todas as suas expressões, não sai da passividade. Depois de haver deixado passar todas as demissões no Estado nos últimos meses, e assinar os aumentos de 15% nas campanhas salarias, agora dizem estar contra os tarifaços “desproporcionais”, mas não se propõem nenhuma medida de ação contundente que possa derrotar a vontade deste governo do grande capital, seus tarifaços e salários de fome. A CGT peronista segue o pacto com Macri e está disposta a negociar a reforma trabalhista no parlamento de mãos dadas com o conjunto do peronismo. O setor que convocou o ato de 21 de Fevereiro chama mobilização na quarta-feira, 9, contra os tarifaços, mas sem paralisação alguma, ao mesmo tempo em que falam da realização de uma paralisação mas sem mobilização: uma medida não para derrotar os planos do ajuste, mas para “descomprimir” o crescente ódio operário e popular.

Todas as frações políticas da burguesia têm programas que atentam contra os interesses das maiorias trabalhadoras da Argentina. Uns sustentando um ajuste e “resfriamento” da economia. Outros alentando uma mega desvalorização que golpeará ainda mais os bolsos do povo trabalhador. São velhas receitas capitalistas com as quais os trabalhadores perderão e os grandes empresários, as multinacionais, os bancos e o imperialismo se beneficiarão.

A Frente de Esquerda e dos Trabalhadores defende um programa alternativo ao dos ajustadores e desvalorizadores: não ao pacto com o FMI, que os capitalistas paguem pela crise, não os trabalhadores.

A Frente de Esquerda e dos Trabalhadores defende um programa alternativo ao dos ajustadores e desvalorizadores

Na Argentina, tudo aumentou, menos o salário dos trabalhadores. Abaixo o teto salarial de 15% e parcelado. Reabertura das datas-base com indexação dos salários ao aumentos dos preços. Aumento emergencial para os aposentados. Anulação do roubo previdenciário aprovado em dezembro. Que ninguém ganhe menos do que uma renda básica familiar.

Não aceitamos nenhum aumento de tarifas, defendemos a anulação de todos os tarifaços. Exigimos a aberturas dos livros de contas das empresas prestadoras de serviços públicos e de transporte, das petroleiras e empresas de gás, para investigar o que fizeram com os subsídios multimilionários recebidos na década kirchnerista.

Nossa saída é de fundo. Defendemos a nacionalização e estatização integral dos hidrocarbonetos, das empresas de serviços públicos e transporte privatizadas, sem indenização, para colocá-las para funcionar sob controle e gestão dos trabalhadores e organizações de usuários.

Frente às corridas cambiais e a descomunal fuga de capitais, defendemos a necessidade de nacionalizar os bancos e criar um banco estatal único que concentre a economia nacional e conceda créditos baratos aos setores populares e pequenos comerciantes. Da mesma forma, defendemos a necessidade do monopólio estatal do comércio exterior.

Defendemos que se deixe de pagar a dívida externa para destinar esses fundos ao salário, trabalho, saúde, educação e habitação, não para os usurários internacionais.

Estas são medidas elementares de soberania nacional, em função de um plano econômico dirigido pelos trabalhadores, para frear que está sendo produzida com a fuga de capitais. Com esses fundos e impostos progressivos aos bancos e os grandes grupos econômicos será possível financiar um grande plano de obras públicas para gerar trabalho genuíno, combater a pobreza e a desigualdade social, e que toda população possa ter acesso a serviços públicos de qualidade.

O governo do grande capital não vai ceder em suas pretensões com paralisações isoladas. Uma paralisação nacional, como parte de um plano de luta, preparado para garantir que centenas de milhares de trabalhadores possam participar de uma importante mobilização nas ruas, retomando a rebelião de dezembro contra o roubo nas aposentadorias e outras expressões de luta, é a ferramenta que temos para acabar com os planos de ajuste e entreguistas, assim como começar a impor um programa dos trabalhadores para que sejam os ajustadores que paguem pela crise.

Nesta quarta-feira, 9, a Frente de Esquerda convoca uma mobilização em frente ao Congresso desde às 10h, pela anulação dos tarifaços, a nacionalização sem indenização das empresas privatizadas e exigindo uma paralisação nacional.

Frente de Esquerda e dos Trabalhadores

PTS - Partido Obrero - Izquierda Socialista

08/05/2018




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