Sociedade

MASSACRE DE PARAISÓPOLIS

Declaração da Faísca: Justiça para os jovens de Paraisópolis, a juventude tem direito a vida

Nesse domingo, 9 jovens tiveram suas vidas arrancadas pelas mãos da polícia assassina de João Dória. O massacre cometido num dos maiores bailes funk do país gera dor e revolta, nove vidas interrompidas de um forma tão brutal, nove jovens cheios de sonhos e esperanças, vítimas da repressão de um Estado racista e assassino.

terça-feira 3 de dezembro| Edição do dia

Foto: Daniel Arroyo/Ponte

Nas periferias de São Paulo a juventude não tem direito a lazer e cultura, seu acesso a outros espaços da cidade é restrito devido aos altos preços das passagens. Aos jovens que já tem o direito a educação cada vez mais cerceado pelas políticas de precarização do ensino público, também é negado o direito a diversão. Muitos deles são obrigados a trabalhar de forma precária, seja em empregos informais, seja rodando a cidade por cerca de 10, 12 horas em suas bicicletas com mochilas da Rappi, Ifod, Uber Eats.

Os bailes funk que ocupam ruas de sua comunidade foi a forma que essa juventude encontrou para se divertir e compartilhar momentos com seus amigos, já que seu direito ao lazer é constantemente negado. Mas até nesses poucos momentos em que podem se divertir são brutalmente reprimidos. A cada dia cresce a criminalização dos bailes e das expressões culturais da juventude nas periferias, especialmente porque são carregadas de traços da cultura negra. A política de Bolsonaro, Dória e toda extrema direita alimenta o ódio contra a juventude e os negros, reforça o caráter racista da polícia assassina e legitima ainda mais suas ações repressivas.

Seguiremos lutando por justiça para os jovens de Paraisópolis e suas famílias, contra a política repressora desse estado racista e os crimes policiais. Basta de repressão e criminalização, não irão nos calar. Nos solidarizamos com cada família que perdeu seu filho de forma tão bárbara. Por eles e por todos aqueles que foram assassinados pelas mãos da polícia seguiremos lutando pelo direito a direito à vida da juventude. Batalhando para que nossas vidas possam ser plenas de sentido, com educação pública de qualidade, com direito ao passe livre e a estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e da população, para que possamos efetivamente ter direito a cidade. Com iniciativas culturais e políticas de lazer para que a juventude possa ocupar os parques, os museus, as praças, os teatros e todos os espaços que são nossos por direito. As vidas negras importam!




Tópicos relacionados

Massacre de Paraisópolis   /    funk   /    Sociedade   /    São Paulo (capital)   /    Negr@s

Comentários

Comentar