Política

Decifrando o PSL: conheça os crimes dos deputados que pegaram carona no reacionarismo de Bolsonaro

quarta-feira 17 de outubro| Edição do dia

O Partido Social Liberal (PSL), que abraçou a candidatura de Bolsonaro, se valendo da imagem do reacionário candidato conseguiu a façanha de fazer sua bancada na Câmara saltar de 1 para 52 deputados eleitos. A quantidade de deputados coloca o partido na posição de segunda maior bancada da Câmara, perdendo apenas para o PT. Também em uma pesquisa do Datafolha referente à preferência partidária o partido ficou em segundo lugar, atrás novamente do petismo, mas a frente do tradicional PSDB.

A derrocada do PSDB e a ascensão meteórica do até então inexpressivo PSL é um dos signos da reconfiguração e endireitamento do regime de 88. A direita tradicional, sem conseguir aplicar até o final seu programa de ajustes a classe trabalhadora, dá lugar a uma extrema-direita abertamente reacionária e escravista com o desafio de dar cabo a essa tarefa incompleta.

A figura de Bolsonaro encabeça esse projeto, mas o corpo do partido forjou-se a sua semelhança. Desde a chegada de Bolsonaro o partido ganhou 13,6 mil novos filiados - num total de 241.456. E como parte das negociações para a sua entrada na sigla, hoje seu filho Eduardo Bolsonaro, compõe o Diretório Executivo do partido, e seu homem de confiança Gustavo Bebbiano é o presidente.

Dessa forma, o discurso dos deputados se moldou no discurso do candidato presidencial e na atração de seu eleitorado, girando em torno das pautas de segurança e combate à corrupção, usando também uma retórica anti-esquerda e conservadora. Não à toa dos deputados eleitos, um grande número são de militares e policiais, 18 ao todo, seja da PM, civil ou federais - uma verdadeira “ala Lava Jato” dentro do partido.

Por isso, não é de se estranhar que esses deputados, que oferecerão sustentação a Bolsonaro em um eventual governo seu, já colecionam uma série de polêmicas e crimes que expõe o seu reacionarismo. De injúria racial a processos trabalhistas, passando por corrupção, listamos abaixo alguns desses personagens e crimes a que respondem:

Luciano Bivar (PE)

Fundador do partido nos anos 1990, havia sido até então seu único candidato presidencial (concorreu em 2006). Único deputado do partido no último mandato eleitoral, esteve envolvido em uma investigação que apurava desvios milionários e lavagem de dinheiro que passavam por empresas e contas associadas a sua pessoa. Mesmo tendo sido reunido um dossiê de 50 mil páginas pela Polícia Federal, o processo foi considerado inconclusivo e seu nome retirado da investigação. Foi bastante atuante no processo de atração do candidato para a sigla, e entrega do poder ao clã Bolsonaro, com isso ficou com 20% do fundo partidário destinado a sigla para sua própria candidatura.

Daniel Siqueira (RJ)

Protagonista de uma das ações mais reacionárias e revoltantes, a destruição da placa em homenagem à deputada executada Marielle Franco, ainda assim o candidato conseguiu se eleger deputado federal. Rodrigo Amorim co-autor do ato de depredação, ainda se elegeu como o deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro. Foram registrados 70 atos de violência por parte de apoiadores de Bolsonaro. Ações como a dos deputados incitam o ódio em suas bases eleitorais que não se sentem mais constrangidas em partir para a ação.

Loester Carlos Gomes de Souza - “Tio Trutis” (MS)

Candidato a deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, conhecido pelo nome Tio Trutis, referência a lanchonete de sua propriedade Trutis Bacon Bar, o empresário coleciona ações trabalhistas. Constam ao menos 9 processos trabalhistas no site JusBrasil, inclusive em um dos processos foi acionado por uma funcionária demitida após revelar sua gravidez, e mesmo assim deixou de quitar suas obrigações trabalhistas com a funcionária. O candidato empresário é a expressão do programa de Bolsonaro de rasgar os direitos trabalhistas em prol dos empresariado.

Filipe Barros (PR)

Mais um ingressante na Câmara de Deputados, o político era até então vereador de Londrina, ex membro do MBL. Porém, mesmo em sua curta vida pública já conseguiu expor algumas vezes seu reacionarismo. Em 2016, durante realização de comemorações da Semana da Pátria, um dos eventos da programação era uma peça teatral cuja narrativa apresentava uma história ligada às religiões de matriz africana, o vereador chocado protestou em seu Facebook contra o que chamou de “macumba em frente da prefeitura”. A promotoria de justiça de Londrina entrou com denúncias contra o político pelos crimes de discriminação religiosa e injúria racial. O vereador também é militante do “Escola sem Partido” e colocou o projeto para discussão na Câmara de Londrina.

Carlos Jordy (RJ)

Outro militante do “Escola sem Partido”, e por coincidência também preso por injúria racial, escancarando como o que está por detrás do projeto não é uma educação neutra, mas a manutenção de uma ideologia machista, racista e homofóbica. Em uma sessão para a votação do projeto, na cidade de Niterói, o então vereador vociferou contra 4 professoras negras “Volta para África!”. Foi preso em flagrante pelo crime de injúria racial.

Alexandre Frota (SP)

Eleito deputado federal por São Paulo o ex-ator pornô coleciona uma longa lista de processos. Típico eleitor raivoso de Bolsonaro, a maior parte dos processos são pelo discurso de ódio que vocifera contra qualquer um. A lista de personalidades que já processaram Frota por injúrias é longa: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque - todos acusados de se venderem a Lei Rouanet-, o deputado da Rede Chico Leite, que foi alvo de fake news disseminada pelo artista, e Jean Willys. Mas recentemente Frota foi processado por deixar de pagar a pensão alimentícia de um de seus filhos, Mayã Frota. Além da ação por não pagar a pensão ao filho, também terá de lidar contra outros processos movidos na esfera criminal. É que a mãe do rapaz, Samantha Gondim, já informou que processará o ex nas varas cível e criminal por conta de injúria, difamação e porte de drogas. Num texto publicado em seu Facebook, no qual contra-atacava tweets do próprio filho, o ex-ator deixa claro que fez sexo e consumiu drogas com Samantha num hotel de Brasília. Na época, ela tinha apenas 16 anos.




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