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#DebatenaBand: sem a esquerda e com hipocrisia democrática, as eleições no seio da crise nacional

Daqui a pouco começa o debate na TV, sem a esquerda. Durante o dia houve muitas especulações se isso mudaria e como. O que esta primeira batalha mostra da crise nacional e como podemos responder a essa proscrição da esquerda.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

segunda-feira 22 de agosto| Edição do dia

Um veto à esquerda, isso sim é uma vergonha. Boris Casoy, o direitista apresentador da Band que conduzirá o debate de candidatos à prefeitos na capital paulista que ocorrerá nesta noite, escreveu um artigo erguendo a importância do debate no marco de uma eleição mais curta e sob a batuta da nova contra-reforma política (obviamente caracterizado de outro modo por ele). Os argumentos dele e diversos candidatos no dia de hoje são um show de hipocrisias democráticas. Além disso os vai-e-vens de declarações sobre esse debate ilustram as indefinições da primeira batalha na decisiva eleição paulista em meio à crise nacional.

A batalha de São Paulo, maior colégio eleitoral do país é decisiva para todos partidos. O PT joga sua única grande aposta em grandes centros urbanos (fora o mais secundário e inda mais difícil Recife). O PSDB trava uma luta interna de Alckmin e Serra por procuração entre Doria e Matarazzo (vice de Marta). O PMDB com Marta joga suas fichas de 2018. Russomano corre para erguer-se. Os resultados das eleições de outubro, e de São Paulo em particular marcarão muito do desenrolar futuro do jogo político tendo em vistas 2018.

E este jogo está sendo jogado sob regras ainda menos democráticas.

A reforma política aprovada por Cunha, sancionada e defendida por Dilma, garante as emissoras um poder de veto sobre os candidatos com menos de 9 deputados federais. Antes esse arbítrio anti-democrático limitava-se a 1 deputado federal. Ou seja, atingia o PSTU, PCB e PCO, agora atinge mais um partido de esquerda o PSOL.

Erundina recorreu à justiça que declarou que sua exclusão não feria o direito de igualdade dos candidatos. Isso nem falar do restante da esquerda, já excluída pelas leis que já estavam em vigor desde antes.

Claro que não fere a igualdade. Todos são iguais, mas como na obra de Orwell, “alguns são mais iguais que os outros”! Uns com mais tempo de TV, outros com mais direito à debates na TV, mas tudo é democrático e igualitário.

Do alto de seu poder de veto a candidatos os jornalistas dos grandes meios se gabam

Boris Casoy no artigo divulgado pela Band argumenta “Este ano há uma expectativa maior com os debates porque o período de campanha vai ser muito curto, os programas eleitorais serão menores e as verbas são muito menores. Estes debates, que sempre foram importantes, ganham uma dimensão muito maior”.

Traduzindo, com menos tempo de campanha, com regras mais restritivas nas redes sociais, o que aumentou o poder daqueles que podem comprar espaço nos grandes jornais, e com menos tempo na TV, com muito menos inserções diárias (o PSOL tem menos inserções e outros partidos da esquerda como o PSTU, PCB e PCO agora não tem mais inserção alguma fora o horário eleitoral), o poderio dos “eleitos” para o debate, e o poder de Band, Globo, etc interferirem nas eleições aumentou. Isso sim é uma vergonha!

Se Casoy, em uma emissora que se gaba de ser mais democrática fala do alto deste pedestal da importância de seu debate e dele mesmo como astro da mediação de debates, imaginemos o tom que usará Bonner da Globo!

Russomano, Doria e outras hipocrisias democráticas

Na imprensa travou-se no dia de hoje uma guerra de declarações se Russomano iria ou não iria ao debate, se nos fins das contas Doria mudaria de opinião e Erundina e Young da Rede também poderia participar, ou se até mesmo, uma grande e remota reviravolta de incluir todos os 13 candidatos ocorreria. Tudo isso parece ter se desmentido. O debate terá o super-direitista Olimpo, a golpista Marta, o golpista Russomano, o candidato da repressão em 2013 da juventude junto de Alckmin o petista Haddad e o multi-milionário tucano Doria.

Antes de fechar este elenco dos partidos da ordem houve confusões graças a tweets de Russomano, Doria e informações que incluiriam todos.

Russomano usou a rede de micro-blog para afirmar sua solidariedade a Erundina:

Doria, querendo se mostrar ainda mais democrático, respondeu Russomano na mesma rede argumentando-se a favor dos 11 candidatos:

Querem jogar a pecha de anti-democrático um ao outro. Mas são todos parte de um mesmo “partido da ordem” que votou junto a reforma política, ou mesmo se não votou nesse item (como parcialmente o PT) o sancionou através da presidente Dilma Rousseff.

A primeira batalha eleitoral na medição de forças de uma crise nacional

Muito se especula de quais seriam os cálculos eleitorais de cada candidato para incluir um ou outro debatedor. Russomano, como líder das pesquisas pode até se dar o luxo de ameaçar não ir. Sua ida ao segundo turno não parece ainda correr nenhum risco. E de quebra pode tentar a difícil operação de atrair algum votante de Erundina no segundo turno mostrando-se como seu grande defensor democrático. Marta, competindo pelo voto petista de periferia tanto com Haddad (menos) como com Erundina quer vetá-la a qualquer custo.

De conjunto os cinco grandes da ordem podem ter diferentes cálculos eleitorais de por que vetar e porque fazer demagogia de incluir todos, porque a cada um deles a inclusão de outro nome pode ser ruim a algum adversário. Mas de conjunto, em sua diversidade de táticas para o debate algo os une com a mídia e com o judiciário: fechar os caminhos para que possa emergir alternativas à esquerda em meio à crise orgânica no país. Por isso tentam criar maneiras de apreender materiais de Freixo no Rio e criaram uma legislação toda visualizando excluir a esquerda da TV, seja nas inserções, seja nos debates.

Todos eles tem muitas contas a acertar um com o outro. Mas todos concordam com a necessidade, para a ordem de tentar fechar essa crise restringindo os espaços da esquerda.

Queremos a esquerda na TV

Esta situação exige uma resposta em defesa da esquerda na TV. Diana Assunção candidata a vereador pelo PSOL colunista do Esquerda Diário afirmou em um artigo: “Nós do MRT e do Esquerda Diário lutamos para que a esquerda que surja desta situação tire lições da conciliação de classes promovida pelo PT, erguendo uma voz anticapitalista e que fortaleça as lutas dos trabalhadores, lutamos para que todos candidatos da esquerda possam ter direito a participar dos debates.”

Como a esquerda não tem voz na TV é importante seguir os debates nas redes sociais, acompanhar cada crítica, opinião. Convidamos a acompanhar a cobertura que a colunista e candidata anunciou em seu perfil em rede social:




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