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"Debate eleitoral no Rio sem a presença da esquerda é uma conversa de gabinete entre ex participantes dos governos Cabral, Paes e Pezão", afirma Carolina Cacau sobre debate na Band

Na noite dessa quinta-feira (25) aconteceu o debate entre os candidatos a prefeitura do Rio de Janeiro, que aconteceu sem a presença da esquerda, como os candidatos Marcelo Freixo (PSOL) e Cyro Garcia (PSTU).

sexta-feira 26 de agosto| Edição do dia

Ontem os ministros do STF votaram a favor de que o arbítrio do veto a algum candidato que esteja em um partido com menos de 9 parlamentares passe dos outros candidatos privilegiados por essa lei para as emissoras de televisão, ou seja, agora quem tem o poder de vetar algum candidato da esquerda é apenas a Globo ou a Record, por exemplo.

Mesmo com a mudança na lei eleitoral, a Band não aceitou a presença de Marcelo Freixo alegando que a nova lei ainda não estava em vigor.

A resposta de Marcelo Freixo à sua ausência no debate foi organizar um ato na Cinelândia onde ele comentava as perguntas feitas no debate. O ato contou com uma presença massiva da juventude.

A candidata a vereadora do MRT no Rio pelo PSOL Carolina Cacau, usou sua conta no twitter para comentar o debate, respondendo aos questionamentos feitos e às posições de direita expressas pelos candidatos.

Primeiramente, Cacau denunciou a ausência da esquerda no debate, resultado de uma profunda lei antidemocrática que permite aos candidatos dos ricos e às mídias burguesas o poder de veto aos candidatos da esquerda, tirando o direito de toda a população em conhecer todos os candidatos.

Sobre segurança, o reacionário Bolsonaro defendeu o aumento da militarização na cidade já bastante militarizada do Rio como forma de combate à violência. Resultado desse projeto de militarização levada a cabo durante todos os governos do PMDB foi o aumento da violência e da morte da juventude negra nas favelas.

Em um momento no debate a candidata Jandira Feghali (PC do B) denunciou o golpe institucional em curso na votação do impeachment da presidente Dilma Roussef, e questionou a "traição" de Pedro Paulo (PMDB) ao votar sim pelo impeachment na votação da câmara.

Questionados sobre a mobilidade urbana caótica da cidade, todos os candidatos opositores ao governo criticaram de alguma forma o sistema de transportes públicos, como a baldeação de onibus para chegar à zona sul, o preço abusivo da passagem e a dupla função dos motoristas. Independente disso, eles pretendem manter os lucros das empresas do transporte, uns mantendo a gestão atual e outros querendo contratar outras, mesmo Jandira defendendo um passe livre para estudantes e jovens, mas mantendo a gestão empresarial privada do transporte.

Questionado sobre a agressão que cometeu a sua ex-mulher por Jandira, Pedro Paulo (PMDB) disse sinicamente que essa era uma afirmação falsa e que ele era inocente.

Nos temas relacionados a saúde e educação, foi unânime entre os candidatos as promessas de mais investimentos nessas áreas, mas convém lembrar que os partidos de todos os candidatos vêm aplicando uma política de cortes e ajustes fiscais nas cidades que governam. E foi justamente nessa semana que o governo golpista de Temer, apoiado inclusive pelo PSDB do candidato Carlos Osório, pelo PSD de Índio da Costa e pelo PRB de Crivella, votou o teto fixo nos gastos públicos, significando mais cortes nos serviços públicos e privatizações.

O candidato Pedro Paulo, na sua fala final, disse que se sentia honrado por ter participado na transformação caótica da cidade para as Olímpiadas, endividando a cidade para obras inúteis à população e ao aumento da militarização nas favelas.

Concluindo, foi mais um debate entre os representantes dos ricos, onde não vimos projetos que vão em direção dos interesses dos trabalhadores e da juventude. É necessária a luta persistente para que a esquerda apareça nos debates, pois o Judiciário e os políticos golpistas estão fazendo de tudo para que alternativas à esquerda do PT não tenham visibilidade.




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