Juventude

ELEIÇÕES DO DA NA FSA

Debate de chapas mostram diferenças e encerram campanha

Nesta quarta-feira (14), ocorreu no espaço do Diretório Acadêmico o debate entre as chapas "Nada Será como Antes" (UNE + Independentes) e "LUTE!" (MRT, Faísca, Enfrentamento, Primavera Socialista, Juventude por Mais Direitos, PSTU + Independentes) expressando as demandas estudantis como a questão das altas mensalidades, os métodos de organização do movimento estudantil e também o cenário nacional marcado pelo golpe institucional.

sexta-feira 16 de setembro| Edição do dia

As duas chapas denunciaram o golpe institucional e o avanço da direita reacionária. Mas já demonstraram suas diferenças na avaliação do papel do PT. Victor da chapa "Nada Será como Antes" comentou o orgulho que teve de estar ao lado do ex-presidente Lula e da afastada presidente Dilma enquanto a chapa LUTE! denunciou que o PT abriu espaço para essa direita e a necessidade de construir um movimento estudantil independente do PT, das reitorias e prefeituras.

Ambas se posicionaram contra o preço das mensalidades, mas novamente apareceram diferenças. A chapa Nada Será como Antes defendeu o programa PROUNI por entender que as mensalidades cobradas pela FSA a qualifica como instituição privada enquanto a chapa LUTE reafirmou seu programa de redução radical das mensalidades, em defesa de uma FSA pública gratuita e de qualidade a serviço dos trabalhadores.

Entre outras polêmicas esteve a pauta de segurança. A chapa "Nada Será como Antes" levantou como proposta que um delegado da polícia viesse dar orientações para a comunidade acadêmica para pensar medidas de segurança além da questão da iluminação que precisa ser melhorada. A Chapa Lute contra argumentou essa proposta, lembrando do papel da polícia na repressão dos movimentos sociais que vão as ruas contra o golpe, os secundaristas que lutaram contra o fechamento das escolas e da propria repressão sofridas pelos estudantes que ocuparam a reitoria em 2008. A Chapa Lute denunciou que a insegurança que existe na universidade é reflexo do seu afastamento da comunidade e das periferias como Sacadura e Tamarutaca, afirmando que as instalações das catracas só aumentaram esse problema, separando a universidade da rua onde ficam estacionados os carros e é a entrada da universidade.

Os estudantes que assistiram o debate fizeram perguntas e intervenções preocupados com os rumos da FSA caso uma das chapas foram eleitas. Entre os questionamentos esteve a relação entre membros da chapa Nada Será como Antes com o PT e a dívida de 28 milhões que deve Carlos Grana. A resposta da chapa Nada Será como Antes foi que era preciso investir no diálogo até esgotar todas as expectativas para somente depois pensar na organização da luta, ignorando toda a experiência do início do primeiro semestre onde os estudantes junto aos professores realizaram diversas tentativas de diálogo com a prefeitura e a reitoria e ainda hoje seguem com seus salários atrasados.

Outra questão que chamou atenção foi os questionamentos a gestão anterior e as diferentes propostas de como organizar o movimento estudantil frente a crise de representatividade que passa o Diretório Acadêmico.

A Chapa Lute defendeu a necessidade de realizar o CRC (Conselhos de Representante de Classe) periodicamente, contribuindo para a organização de base, para que todas as salas do prédio da Faculdade de Filosofia e Letras (FAFIL) tenham um acompanhamento dos debates da universidade, para avançar na politização e na compreensão do reflexo dos efeitos da crise econômica e política na vida acadêmica e para que as pautas de cada curso possam ser expressão e chegarem até a entidade estudantil.

No fim do debate, o último tema levantado foi sobre o combate as opressões. Frente aos casos de machismo que ocorreram na História e na Geografia no começo do ano, a chapa LUTE reiterou seu programa de criação de Secretárias LGBT, negros e negras e de mulheres para construir um combate permanente dentro e fora da universidade a opressão machista, racista e LGBTfobica.

Rafael Magrão, membro da chapa LUTE e militante da Faísca contou ao Esquerda Diário: "A votação irá expressar a importância da unidade da esquerda para construir um movimento estudantil independente do PT, da reitoria e das prefeituras. Chamo a todos para participar desse processo e ser parte dessa ferramenta de luta e organização dos estudantes. Não aceitaremos pagar pela crise da FSA! LUTE conosco!"




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