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DEBATE

Debate com Raul Godoy, operário de Zanon, abordou lições das fábricas ocupadas na Argentina

Na última quarta-feira (24) a Casa Marx São Paulo recebeu Raul Godoy, operário de Zanon, fábrica que funciona sob controle dos trabalhadores na Argentina, e deputado pela FIT em Neuquén. No debate o dirigente operário abordou a situação internacional, as experiências da luta de classes no país vizinho e perspectivas para o movimento revolucionário no mundo.

terça-feira 30 de abril| Edição do dia

Cerca de 150 jovens e trabalhadores estiveram presentes em um debate internacionalista que ocorreu na Casa Marx São Paulo na última quarta-feira. Raul Godoy é dirigente do PTS, partido-irmão do MRT na Argentina e deputado pela Frente de Izquierda e de los Trabajadores na província de Neuquén, além de ser uma importante liderança operária de Zanon, uma Fábrica Sin Patrones que funciona sob controle dos trabalhadores. Ele buscou transmitir valiosas experiências da classe operária argentina, no sentido para contribuir com a reflexão sobre as tarefas dos trabalhadores e da juventude brasileira frente ao governo de extrema direita encabeçado por Jair Bolsonaro.

Godoy partiu de abordar elementos da situação política internacional, marcada pela continuidade da crise econômica capitalista aberta em 2008, com perpectivas de desaceleração sincronizada nos principais países do mundo para os próximos anos. Esta crise que já dura mais de dez anos tem feito surgir no novos fenômenos políticos pela esquerda e pela direita, como parte de processos de crises orgânicas em distintos países. Pela direita a ascensão de Trump na presidência da principal potência imperialista coloca na ordem do dia maiores disputas entre as grandes economias do mundo, cuja principal expressão é a guerra comercial entre EUA e China, na qual também a União Europeia vem sendo inclusa. No Brasil a chegada de Bolsonaro ao poder também se insere como parte de fenômenos à direita no mundo, fruto de mudanças no regime político brasileiro em sentido mais autoritário desde o golpe institucional, com o objetivo de fazer a classe trabalhadora pagar duramente pela crise capitalista, às custas de mais submissão ao imperialismo. Pela esquerda a luta de classes também reaparece com fenômenos de massas como os coletes amarelos na França e as grandes manifestações na Argélia. Além disso, no coração do imperialismo americano surge um amplo setor, principalmente de jovens, que simpatizam com o socialismo. De maneira distorcida o ascenso de Bernie Sanders e o crescimento do DSA são também expressões disso, embora nem o candidato nem o partido levantes uma perspectiva revolucionária e de independência de classe.

Neste convulsivo cenário internacional, experiências operárias como o processo de expropriação de Zanon pelos trabalhadores oferecem importantes lições. Godoy abordou essa e outras experiências dos operários e operárias argentinas, batalhas que contribuem na reflexão sobre as tarefas da classe trabalhadora e da juventude do Brasil e do mundo frente aos efeitos da crise capitalista internacional. Além de Zanon, a Fabrica Sin Patrones, Godoy também falou sobre processos mais recentes, como a campanha contra os ajustes do FMI que Macri quer impor na Argentina, além do destacado papel que as mulheres vêm cumprindo no cenário, seja com a maré verde pela legalização do aborto, ou com exemplos importantes como as operárias que paralisaram um turno de trabalho contra um situação de violência vivida por uma colega.

Cerca de 150 pessoas acompanharam o debate, que contou também com uma abertura de Marcella Campos sobre a situação política no Brasil e os esforços do governo Bolsonaro em avançar com a reforma da previdência, enquanto as centrais sindicais continuam sem organizar assembleias nos locais de trabalho para preparar uma greve geral contra Bolsonaro. Do público diversas intervenções colocaram comentários e dúvidas sobre os processos na Argentina de enfrentamento contra os governos, os patrões e a burocracia sindical, além de destacar as lições destes processos para a luta da classe trabalhadora no Brasil.

Experiências avançadas da classe trabalhadora como a expropriação de Zanon, articuladas à teoria marxista como guia para a ação, têm enorme valor. Com isso e com a organização da classe trabalhadora e dos setores oprimidos da sociedade é possível que as próximas batalhas, como a luta contra a reforma da previdência no Brasil, não comecem do zero, mas sim que tirem lições dos erros e acertos desses processos. Essas e outras importantes reflexões foram abordadas por Godoy em sua passagem por São Paulo.




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