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Debate com Nicolás del Caño lota auditório do IFCH-Unicamp

Nesta segunda-feira, 22 de outubro, ocorreu debate no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp com Nicolas del Caño, ex-candidato a presidência da Argentina e deputado federal pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT/PTS), que contou com a participação de cerca de 100 pessoas.

terça-feira 23 de outubro| Edição do dia

O debate foi organizado pelo Esquerda Diário e pelo Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), organização-irmã do PTS argentino, com objetivo de trazer as lições e exemplos das experiências de lutas na Argentina para todos aqueles que querem refletir sobre como enfrentar Bolsonaro, a extrema direita e as reformas.

Também contou com a presença de Iuri Tonelo, doutorando em Sociologia no IFCH e editor da Revista e suplemento Ideias de Esquerda, que fez uma apresentação abrindo a reflexão sobre o favoritismo de Bolsonaro em base a uma série de operações manipulatórias nessas eleições, a começar pelo Judiciário golpista, mas também compreendendo a politização das Forças Armadas e as manobras da grande mídia, que são a continuidade violenta do golpe institucional de 2016, também ligando aos efeitos internacionais da crise de 2008 com a necessidade de descarregá-la sobre os trabalhadores e o povo pobre brasileiro.

Iuri apontou que, frente ao fortalecimento da extrema-direita e seu discurso fascistizante, o MRT acompanharia cada trabalhador e estudante que quer expressar seu ódio a Bolsonaro nas urnas, votando criticamente em Haddad, mas que isso não significa dar nenhum apoio político ao PT, já que mais do que nunca sua estratégia meramente eleitoral e seu programa de conciliação de classes são impotentes para enfrentar os ataques e planos de continuidade violenta do golpe que Bolsonaro representa. Por isso, o MRT, junto à juventude Faísca, ao grupo de mulheres Pão e Rosas está levantando a necessidade de que as centrai sindicais como a CUT e CTB, chamem à construção de milhares de comitês de luta pelo país para organizar desde já uma resposta séria a Bolsonaro nas ruas e em cada local de trabalho.

Nicolas del Caño em seguida apontou o surgimento de figuras como Bolsonaro como um fenômeno internacional, e expressou que Bolsonaro causa repulsa em uma grande parte dos argentinos, porque defende a ditadura que assassinou 30 mil em seu país e reivindica os métodos de tortura. Sua vitória seria um fato de impacto em toda a América Latina e, por isso, a partir do PTS e da FIT seus parlamentares vieram repudiando o golpe institucional e estão organizando atos nas ruas contra Bolsonaro.

Retomou as importantes lutas da Argentina contra os ajustes e ataques de Macri, como a luta da Pepsico em 2017, onde trabalhadores ocuparam a fábrica contra a demissão em massa, com importante intervenção do PTS desde as comissões internas da fábrica, que foi noticiada na mídia como o enfrentamento que freou a Reforma Trabalhista. Também retomou a importante luta de centenas de milhares contra a Reforma da Previdência de Macri, a recente luta vitoriosa do Estaleiro Río-Santiago, além da força do movimento de mulheres, que tomou o país com sua maré verde pela legalização do aborto, como expressão da organização nos locais de trabalho e estudo, e na luta organizada nas ruas.

Finalizou a atividade colocando a necessidade da construção de um partido revolucionário, com programa anticapitalista e independência de classe, proposta que na Argentina o PTS dirige aos companheiros da FIT, mas também a cada trabalhador e jovem e militantes dos movimento de mulheres para tomar para si esse desafio. Sobretudo em um país tão importante como o Brasil, e que com a força de cada trabalhador, negro, mulher e lgbt, é fundamental a construção de um partido que seja capaz de organizar trabalhadores e jovens para lutar contra Bolsonaro, e seu programa ultra neoliberal, com ataques ainda mais duros do que o golpe conseguiu implementar e que consiga erguer uma grande resposta para que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Para isso, desde já devemos levantar contra o saque imperialista na América Latina o não pagamento da dívida pública com estatização dos bancos, reforma agrária radical, aborto legal seguro e gratuito junto à separação entre Igreja e Estado, assim como redução das horas de trabalho sem redução de salário, para atacar o desemprego.

Nós do Esquerda Diário, da juventude Faísca, do grupo de mulheres Pão e Rosas e dos trabalhadores que se organizam no Nossa Classe queremos com esses exemplos de uma esquerda que aposta em um programa socialista e na construção de correntes militantes no movimento operário e estudantil estar a serviço de também no Brasil construir uma força que faça a diferença na luta de classes contra Bolsonaro, os golpistas e suas reformas.




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