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Debate SP: censura à esquerda, manipulação pró-Doria, em debate de costas às necessidades populares

Aconteceu na madrugada de ontem mais um debate televisivo para as eleições a prefeito em SP. O debate organizado pela Rede TV, Facebook, UOL e Veja, reuniu seis candidatos a prefeito. Os cinco que a legislação exige sua presença por serem de partidos com mais de 9 deputados federais: Haddad, Doria Jr, Major Olímpio, Marta e Russomano. Além disso essas mídias exerceram o direito de convidar Erundina do PSOL e exerceram seu poder de censurar outras candidaturas da esquerda como as do PSTU e PCO.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

sábado 3 de setembro| Edição do dia

O debate esteve marcado por três coisas fundamentais: censura à esquerda, pois coube à Veja e Rede TV escolher quem entrevistavam, permitindo-lhes cercear o direito de parte da esquerda ser ouvida. Também esteve marcado por uma condução de perguntas completamente desigual, visando favorecer ao insípido pretendente a Trump paulista, o empresário Doria Junior do PSDB. Já no que tange ao que as respostas dos candidatos ficou escancarado como estão não somente alheios como de costas às necessidades do povo. Por fim depois de abordar estes três elementos trazemos uma breve análise sobre o desempenho e táticas eleitorais dos candidatos.

O poder de censurar a esquerda

A declaração de inconstitucionalidade do poder de veto dos candidatos a alguma candidatura foi muito comentado na semana passada. A interpretação do STF tirou das mãos dos partidos da ordem e colocou nas mãos do partido da mídia o poder de vetar a esquerda. E assim continuaram a fazer. Excluíram grande parte da esquerda do debate. Uma chamada democracia que alguém pode escolher para você se tem o direito ou não de ouvir alguma candidatura.

A colunista deste Esquerda Diário e candidata a vereadora do MRT pelo PSOL, Diana Assunção acompanhou e comentou em tempo real o debate nas redes sociais, logo no começo afirmou que as apresentadoras do debate comentaram o convite a Erundina e nem se deram o trabalho de explicar seu veto a restante da esquerda. Nas aberturas dos candidatos “abençoados” pela Veja com o direito de ser ouvidos, chamou a atenção que Erundina nem mencionou o veto sofrido por toda a esquerda no debate anterior e que neste só poupou a ela:

A exclusão da esquerda é complementada pela agenda “teleguiada” de perguntas

O formato do debate escancara quem é o “dono” do mesmo. Enquanto os candidatos puderam dirigir perguntas uns aos outros em dois blocos, perguntas populares previamente escolhidas e censuradas de forma grosseira (houve uma que uma mulher perguntou sobre moradores de rua e LGBTs, quando chegava na parte LGBT da pergunta a RedeTV-Veja cortaram a frase) só ganharam um bloco. Os outros dois blocos estiveram controlados pelos jornalistas que escolhiam o que perguntar e a qual candidato. Eis aí o serviço ao tucanato.

Para Marta reservaram perguntas que expunham suas contradições de porque saiu do debate e como lidava com seu legado como ex-prefeita e ex-ministra petista. Para Haddad reservaram incomodas perguntas sobre a Lava Jato e impeachment. Para Erundina as perguntas eram se realizaria uma aliança com o PT no segundo turno. Para Doria as perguntas foram dirigidas para lhe ajudar no debate que ele gosta de fazer, sobre a velocidade dos carros nas marginais. Super-equilibrado, não? A Veja e Rede TV tentaram emparedar outros candidatos por discussões nacionais ou expor contradições de suas candidaturas enquanto ao tucanato pareciam perguntas para lhe ajudar na performance, tocando em temas que ajudem em seus mantras televisivos.

Um debate repleto de representantes patronais, de costas às necessidades populares

Tentando emparedar Marta como uma representante da elite e assim minar sua base de votos na periferia, um dos jornalistas perguntou a ela quando foi a última vez que ela ou alguém de sua família tinha usado o SUS. Ela respondeu que não, mas que os outros candidatos, também não usam, Diana Assunção comentou o seguinte nessa passagem do debate:

Outra pérola elitista digna dessa de Marta foi o milionário empresário Doria dizer que queria resolver o problema da habitação, só não falou de sua própria mansão, o que Diana ironizou nas redes sociais:

A colunista do Esquerda Diário tem feito uma série de postagem e comentários sobre o problema habitacional na cidade e sobre a mansão de Doria, uma das mais caras da cidades, inclusive fez um vídeo a respeito que viralizou.

O líder das pesquisas Celso Russomano, exercitando a demagogia dos políticos empresariais volta e meia tentava se postar como defensor dos trabalhadores como fez em pergunta a ele dirigida sobre o Uber, no tema dos transportes ele acusou os usuários que usam bilhetes de outros como a grande mazela do transporte na metrópole, como comentou Diana Assunção:

O atual prefeito, o petista Haddad, além de ter que responder as perguntas relativas a Lava Jato colocadas pelos repórteres, foi questionado por Erundina sobre sua postura omissa frente ao golpe institucional. Quando não estava se esquivando de perguntas nacionais o que Haddad tinha a oferecer era programas relativos a segurança pública, como sua demagogia sobre Luz de LED na periferia e uma defesa de softwares para interpretação de imagens úteis à segurança pública, um BBB da repressão.

Os trabalhadores que fizeram perguntas aos entrevistados, lhes dirigiam perguntas sobre emprego, saúde e outras demandas populares. O que todos se esquivaram.

Nem mesmo Erundina, representando o PSOL, tratou de demandas populares como o passe livre a todos, mesmo tendo mais de um minuto sobre o tema de transportes, preferiu ignorar a reinvindicação e seguir o lema de “descentralização” que adotou como carro chefe em sua campanha. Diana Assunção comentou:

Em resumo, sobrou demagogia por um lado com suas típicas promessas patronais, e esconderam que seus partidos votaram os ajustes, e ou mostravam-se surdos às demandas populares afinal não usam nem o transporte público nem o SUS, Diana Assunção resumiu em outra rede social o duplo movimento de ignorar as demandas ou abordá-las de forma demagógica e retórica:

Os vitoriosos no debate

As táticas de a quem dirigir perguntas e quais, elucidam os perfis de votos que concorrem. Curiosamente, na “sangrenta” disputa pelo segundo lugar todos candidatos tem deixado Russomano relativamente ileso, permitindo-lhe desenvolver mais sua demagogia e possivelmente manter-se calmo na liderança.
Marta e Doria travam uma dura luta pelo voto golpista, com direito a interrupções e pedido de réplicas. Nesta interna da FIESP, o empresário parece ter saído muito melhor que a ex-petista, também ajudado nisso pelo tipo de pergunta que a Veja selecionou a cada um.

Major Olimpo, incapaz de terminar uma frase articulada sem incluir a palavra “marginal” dificilmente decola, por mais que tenha chamado atenção sua crítica aos tucanos pela situação do funcionalismo público estatal.

Haddad foi interpelado por Erundina por sua notória vacilação frente ao golpe, porém, para surpresa deste analista, saiu-se relativamente bem, e ainda conseguiu colocar nela a pecha de “divisionista” e que muda toda hora de partido. Isso mostra um começo de discurso público do PT para tentar esvaziar a candidatura dela em nome do voto útil para conseguir, aos trancos e barrancos, colocar o candidato de Lula no segundo turno. Erundina além de interpelar Haddad por seu não combate ao golpe, em disputa pelo voto petista histórico não com ele mas com Marta conseguiu, em bom tom, colocar contradições como Marta abandonou a luta das mulheres estando no partido de Cunha.

Nesses cálculos de perfil eleitoral, entre as demagogias e estar completamente alheios a vida que os trabalhadores vivem, não somos nós trabalhadores que saímos vencedores com este debate. Um debate que começou com a censura à esquerda, foi estruturado para favorecer o tucano e ainda contou perolas elitistas de “não uso o SUS, nem nenhum candidato aqui.”

Como Diana Assunção comentou, e resume bem as longas horas de demagogia nesta madrugada, o debate parecia uma conversa de empresários na FIESP.




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