ELEIÇÕES 2018

Debate RedeTV: espetáculo de conservadorismo e autoritarismo judicial para retirar Lula das eleições

sábado 18 de agosto| Edição do dia

O debate presidencial na RedeTV! foi ainda mais dominado pelo grotesco conservadorismo de políticos encomendando-se a Deus, pregando com Bíblia na mão e defendendo as aulas de "educação moral e cívica" com diretores militares nas escolas, em meio ao autoritarismo judiciário que mais uma vez - através de Rosa Weber no TSE - rejeitou a participação de Lula no debate televisionado.

A ausência de Lula, preso arbitrariamente pelo judiciário, e o veto ao direito elementar da população de votar em quem quiser tiveram como correlato os ataques de Álvaro Dias, Marina Silva e Bolsonaro ao direito do PT em registrar Lula como candidato. Segundo Dias, isso seria um "desrespeito com a Justiça". Bolsonaro limitou-se a dizer: "não tem púlpito pra bandido aqui, não". Mesmo aumentando exponencialmente seu patrimônio com a política, tendo junto a seus filhos imóveis no valor de R$15 milhões.

Não se falou a palavra golpe em todo o debate. Pareciam eleições normais. Nem mesmo Guilherme Boulos do PSOL se dignou a denunciar o autoritarismo do regime eleitoral e o veto arbitrário a Lula (algo que até mesmo a ONU havia feito).

Todo o debate foi o resumo do caráter fraudulento e profundamente antidemocrático de eleições controladas pelo judiciário, que escolhe a dedo quem será o novo presidente que seguirá as reformas de Temer.

Oito candidatos participaram do debate: Marina Silva, Alvaro Dias, Boulos, Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL). Lula foi rejeitado pela segunda vez pelo TSE a participar do debate.

O apagado Geraldo Alckmin, cujo PSDB - envolvido em inúmeros esquemas de corrupção, perdoados pelo Judiciário golpista - tentou fingir que não foi base do governo Temer. Tentativa vã, já que passou o debate inteiro defendendo as reformas de Temer, em especial a PEC 55 - do teto dos gastos na saúde, na educação e nos serviços públicos - alegando ser "a única saída" para poupar dinheiro público (para pagar a fraudulenta dívida pública aos banqueiros internacionais, claro). Alckmin mais uma vez foi Temer.

Marina Silva, ao responder Bolsonaro, tentou fazer demagogia com os direitos das mulheres e da população negra. Mas todos sabemos que essa reacionária defensora do golpe institucional, da Lava Jato e da arbitrariedade judicial, não tem nada a oferecer às mulheres trabalhadoras, negras e pobres. Tem muito mais coincidências com Bolsonaro do que imagina a vã demagogia, entre as quais se encontram sua negativa ao direito elementar do aborto para as mulheres.

Ciro tratou de diminuir os decibéis na proposta do SPC para reivindicar participação no Plano Real do PSDB, dizer que a motosserra de ouro, Kátia Abreu, trouxe "equilíbrio na luta pela terra" (sic), além de apoiar a Lava Jato.

A direita (Alckmin, que leva consigo o reacionário "Centrão", além de Álvaro Dias e Marina Silva, para não falar em Henrique Meirelles) e a extrema direita - Bolsonaro, e o recitador da Bíblia Cabo Daciolo - esbanjou obscurantismo, com inúmeras menções à Igreja, à Deus, às Forças Armadas, ao anticomunismo e a escolas com diretores militares. Atacou-se a população LGBT. São representantes do golpe institucional, e dos poderes sem voto - Igreja, Judiciário, Forças Armadas - que estão definindo autoritariamente quem pode ser votado. Como não poderia deixar de ser, foram os porta-vozes da negativa ao direito das mulheres à legalização do aborto, militando junto à Igreja para que as mulheres sigam morrendo por abortos clandestinos.

O pagamento da dívida pública, uma dívida ilegal, ilegítima e fraudulenta que representa um verdadeiro saque permanente das riquezas nacionais e um elo de submissão ao capital estrangeiro, também foi mote dos candidatos presidenciais, com Bolsonaro e Alckmin festejando as privatizações para pagar a dívida.

Sobre isso Marcello Pablito, que é pré-candidato do MRT a deputado estadual em SP e trabalhador do restaurante universitário da USP, afirmou: "Não apoiamos o voto em qualquer das candidaturas do PT; batalhamos por superar a tragédia da conciliação de classes petista com um projeto de independência de classes dos trabalhadores. Mas somos incondicionalmente contra a prisão arbitrária de Lula e a intervenção do TSE para rejeitar a presença de Lula nos debates, e somos intransigentes na defesa do direito do povo votar em quem quiser.

Esta batalha contra o autoritarismo judiciário, que tem mil e um laços com o governo norte-americano e suas instituições estatais, diplomáticas e de investigação, é uma questão de princípio para uma política anti-imperialista e de independência de classe. Nestas eleições, colocaremos as candidaturas do MRT e o Esquerda Diário a serviço dessa batalha", concluiu.




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