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De "vírus chinês" à "comunavírus": Fake News bolsonarista atinge 70% de quem tem acesso à internet

As Fake News constituem uma rede midiática, obscurantista e mentirosa, que trabalha para dar base na opnião pública dos interesses de Bolsonaro e militares que governam o país: fortalecer as posições negacionistas sobre a Covid-19 em nome da “normalidade econômica”, para que assim os prejuízos da crise sanitária econômica sejam pagos pelos trabalhadores e pobres, obrigados a trabalhar e gerar lucro para os patrões.

segunda-feira 4 de maio| Edição do dia

De acordo com a pesquisa veiculada no Fantástico, a epidemia viral é acompanhada de uma “epidemia de informações falsas” que influencia a postura da população frente o coronavírus. Os dados relatam que 94% brasileiros que utilizam redes sociais já receberam uma notícia falsa sobre a pandemia, sendo que 7 de cada 10 acreditaram nas informações. O professor da USP, Pablo Ortellado, afirma que 5 milhões de visualizações de conteúdo negacionistas.

A pesquisa foi feita entre os dias 09 e 15 de Abril. Entre as diversas Fake News, se destacam aquelas que distorcem a realidade para contribuir com os interesses negacionistas do governo Bolsonaro. Não é coincidência o encontro entre diversos aspectos da política reacionária do bolsonarismo com o conteúdo destas Fake News.

A Fake News campeã foi a que sustenta a teoria conspiracionista e xenofóbica (se não defendidas diretamente, respaldadas por Eduardo Bolsonaro e Abraham Weintraub) que diz que “o novo coronavírus foi criado em um laboratório secreto na China”, não por acaso busca dar respaldo às posições olavistas anti-China de setores do Bolsonarismo. A segunda mentira mais propagada é de que o coronavírus seria “qualquer gripe”, assim como diz o presidente (“gripezinha”).

É um fato conhecido o uso de Fake News obscurantistas, conspiracionistas e mentirosas para sustentar Bolsonaro na opinião pública. A ‘mamadeira de piroca” de ontem tornou-se o “comunavírus” de hoje. Há diversas Fake News que tentam dar base aos anseios golpistas e autoritários de Bolsonaro, como se estivesse sendo “encurralado” e ameaçado por uma grande “aliança comunista” que conspira para derrubá-lo, o que, infelizmente, não é verdade. O que há até então é o STF, instituição máxima do golpismo do judiciário que garantiu a eleição manipulada de Bolsonaro em 2018, no comando de uma possível ameaça à Bolsonaro.

A deputada federal, Carla Zambeli, aproveitou de uma das Fake News que afirma que caixões estavam sendo enterrados vazios para somar a campanha de Bolsonaro que questiona os números que não param de crescer de vítimas de seu descaso assassino e do coronavírus. Esta mesma Fake News viralizou e teve diversas versões em Estados. Em outra postagem, compartilhada por Flávio Bolsonaro, uma notícia reivindicando a utilização de hidroxicloroquina (a grande cura milagrosa que Bolsonaro até pouco momento tanto enfatizava) usa uma imagem de um paciente sem nenhuma relação com a pandemia.

A ascensão do bolsonarismo nas eleições de 2018 teve como principal portal midiático as redes de Fake News através do disparo de informações mentirosas nas redes sociais, financiadas por empresários e, conforme muitas denúncias posteriores, formou-se o conhecido Gabinete do Ódio para gerenciar essas notícias e ataques contra adversários de Bolsonaro, comandada por seu filho, Carlos Bolsonaro.

Este meio de distribuição de informação bolsonarista mantém grande impacto, busca influenciar a opinião pública com mentiras para ter respaldo em sua política que decreta a morte de milhares de brasileiros, em especial pobres e trabalhadores. Hoje, esta mesma rede midiática, obscurantista e mentirosa, trabalha para os objetivos de Bolsonaro e os militares que governam o país: fortalecer as posições negacionistas sobre a Covid-19 em nome da “normalidade econômica”, para que assim os prejuízos da crise sanitária econômica sejam pagos pelos trabalhadores e pobres, obrigados a trabalhar e gerar lucro para os patrões.

Contudo, a mídia que se delimita do bolsonarismo mostrando os números desta pesquisa, além de não mostrar claramente as Fake News como parte de uma clara rede midiática bolsonarista que se sustenta nas redes sociais, não pode ser vista também como uma fonte legítima de informação por si só ou de oposição consequente à Bolsonaro. A mesma Globo, assim como grandes jornais com Folha e Estadão, fizeram parte da fecundação do bolsonarismo. Por isso, o Esquerda Diário se propõe a construir uma mídia independente destes grandes oligopólios, para dar voz aos problemas enfrentados pela classe trabalhadora frente à epidemia e a crise capitalista, apresentando uma saída própria dos trabalhadores.




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