BOLSONARO E A DITADURA MILITAR

De forma cínica, Bolsonaro recua em suas palavras: “Não foi comemorar, foi rememorar"

quinta-feira 28 de março| Edição do dia

Na última segunda-feira, Bolsonaro determinou, por meio de seu porta-voz, que o Ministério da Defesa fizesse as “comemorações devidas” do golpe militar, que completará 55 anos nesta segunda (01). Três dias depois, nesta quinta, após diversas manifestações de repúdio, como a que reuniu cerca de mil estudantes na Mackenzie para impedir a entrada de Bolsonaro no local; e uma repercussão negativa até mesmo em setores militares e do judiciário, Bolsonaro recua no discurso e nega que tenha determinado as comemorações, afirmando que a ordem foi para “rememorar” o golpe:

Não foi comemorar, foi rememorar, rever o que está errado, o que está certo e usar isso para o bem do Brasil no futuro

Esse recuo não esconde suas afinidades com métodos repressivos e autoritários nem o desejo de rever a história. É preciso lembrar que Bolsonaro é um grande defensor da tortura, que foi um dos métodos de terror mais usados na ditadura. Em incontáveis episódios, Bolsonaro e seu clã não perderam a chance de discursar a favor de torturadores como o Coronel Brilhante Ustra, que foi chefe do DOI/CODI em São Paulo, local onde se torturou e assassinou muitos presos políticos.

O obscurantismo de seu pensamento busca revisar a historiografia de nosso país e negar inclusive documentos oficiais que expuseram todo o planejamento e execução do golpe de 1964 com ligação direta com o imperialismo ianque.

Essa ofensiva ideológica do governo é parte da agenda reacionária que fecha o cerco cada vez mais com o aparelhamento do Ministério da Educação, a ameaça do projeto Escola sem Partido e o plano de militarização das escolas. Longe do discurso de cortina de fumaça, essa batalha ideológica do governo de extrema direta faz parte do esforço de dobrar os trabalhadores para implementação das reformas econômicas que são ainda mais cruéis com a classe trabalhadora do que a própria ditadura, acabando com nossos direitos como a aposentadoria, sendo a categoria de professores um alvo estratégico.

Ao mesmo tempo, as declarações do Alto Comando não escondem que este sempre manteve vivas as tradições de 1964, e que nenhum militar foi punido pelos crimes que cometeram: assassinatos, torturas e desaparecimentos com o aval e auxílio do imperialismo dos Estados Unidos para massacrar as massas trabalhadoras da cidade e do campo.

Setores do judiciário, como o MPF, também moveram ações contra a realização das tais comemorações, pois segundo os procuradores, na ditadura houve a “supressão da democracia e dos direitos de reunião, liberdade de expressão e liberdade de imprensa”. Os autoritários de toga têm razão, mas escondem que o judiciário foi (e continua a ser) um pilar fundamental na implementação e manutenção da ditadura e na transição “lenta e gradual” da década de 80, que permitiu a transição do regime sem qualquer tipo de punição ou reparação para as famílias e vítimas.

Repudiamos as comemorações do golpe e exigimos a revogação da Lei de Anistia de 1979, para o julgamento e punição dos responsáveis civis e militares por todos os crimes cometidos na ditadura. Arranquemos do Estado todos os documentos e arquivos sobre o períodos que estão ocultos. Não esquecemos e não perdoamos!




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