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De enchentes à pandemia: Entregadores estão sempre na rua, pagando preço da precarização

Desde o inicio do ano com as tragédias anunciadas pelas chuvas de verão que contam com os despreparo dos governos até a situação dramática da pandemia mundial, os entregadores estão na primeira fila da precarização do trabalho e da vida. Ainda em Janeiro, a justiça determinava que os trabalhadores de aplicativo não possuíam vinculo empregatício, o que permitiu com que Motoristas infectados por coronavírus morrem antes de receber a ajuda prometida; sem direito ao benefício, entregadores têm de optar entre fazer quarentena sem renda e trabalhar doente.

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Das enchentes à pandemia, muitas denúncias reverberam pela internet sobre as condições de precarização dos entregadores de aplicativo, talvez por isso que haja um enorme apoio na luta pelas reivindicações destes trabalhadores na paralisação do dia de hoje.

Denúncias como "Você já imaginou ter que carregar comida nas costas sentindo fome?", ou depois de horas pedalando não te deixarem usar o banheiro por causa da sua cor de pele, das empresas terem bloqueado entregadores que pegaram mais de um fraco de álcool gel, ou ainda ainda a noticia da morte de um entregador num acidente de transito e a empresa ir até o local apenas para retirar a maquininha de cartão e caixa de transporte são algumas das revoltantes imagens dessa situação.

Agora em meio a pandemia mundial da Covid-19, o desemprego que já vinha crescendo exponencialmente avançou de forma desenfreada. Alguns estudiosos como Ricardo Antunes estimam que haja cerca de 40 milhões de desempregados. Muitos agora se submeteram a este tipo de trabalho precária para garantir o sustento de suas famílias.

Segundo o site Repórter Brasil, no dia 31 de março, Washington Santana Gomes - trabalhador de app - procurou uma clínica particular para fazer um teste de coronavírus. Com a confirmação da doença, pegou um atestado do SUS indicando a necessidade de afastamento e o enviou para a Loggi, empresa de entrega para a qual prestava serviço. Dias depois recebeu um comunicado: para que pudesse se cuidar, a companhia informou que ele estava bloqueado no aplicativo e o aconselhou a tentar o auxílio emergencial de R$ 600 anunciado pelo governo, caso cumprisse os requisitos. “Lembre-se: saúde em primeiro lugar”, recomendava o texto.

Por cada um destes motivos que é completamente legitima e necessária esta mobilização dos entregadores de aplicativo no dia de hoje. Ainda mais, porque sabemos que todas estas situações de opressão e brutal exploração são unicamente para garantir um lucro exorbitante destes aplicativos. Tanto a tecnologia e o conhecimento necessários para erradicar esse problema das enchentes está disponível, quanto a capacidade de distribuição de máscaras, álcool gel, testes massivos, também. Não se trata de uma questão técnica ou de capacidade de produção, porém, de uma questão política. De interesses antagônicos entre as nossas condições de vida e o lucro capitalista.

Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com todos os trabalhadores de aplicativo e colocamos todas as nossas energias e forças para cercar de solidariedade, divulgar as iniciativas do movimento e fortalecer esta luta que deve ser encarada como uma luta de toda a nossa classe. Chamamos os sindicatos, as organizações de esquerda e os parlamentares a apoiar e colocar todas suas forças para que esta luta seja vitoriosa.




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