De Tlatelolco a Ayotzinapa, a histórica violência policial dos governos mexicanos

Depois de 4 anos do desaparecimento dos 43 estudantes normalistas do México, relembramos o enfrentamento da juventude mexicana com a polícia em 1968.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

terça-feira 2 de outubro| Edição do dia

O estudante Florencio López Osuna é fotografado após ser espancado pela polícia mexicana após manifestação em Tlatelolco - 2.out.68/Proceso/Associated Press

10 dias antes da Olimpíada de 1968, que ia acontecer no México, a histórica praça Tlatelolco, em que residia a aldeia asteca de Tlatelolco dizimada pelo exército espanhol em 1521, foi tomada por estudantes da Unam (Universidade Nacional Autônoma do México) e trabalhadores contra Díaz Ordaz, presidente eleito pelo PRI (Partido Revolucionário Institucional). Eles reivindicavam mais autonomia universitária, liberdade para presos políticos de outros enfrentamentos e estavam se organizando contra a brutal violência policial, também muito influenciados pela força do Maio Francês que ocorreu no mesmo ano.

Nesse dia 2 de outubro de 1968, policiais atacaram os mais de 10 mil estudantes e trabalhadores que se encontravam em manifestação. Durante o discurso de um estudante, helicópteros sobrevoavam a praça com uma luz verde, sinalizando o ataque, que abriu fogo com atiradores localizados nos prédios do entorno das ruínas astecas.

Enquanto Díaz Ordaz estava preocupado em manter o megaevento das Olimpíadas e em atirar com arma de fogo nos manifestantes, as fontes oficiais dizem que foram apenas duas dezenas de mortos, mas as fotos e os relatos nos contam que haviam centenas, algo entre 200 e 300, de corpos caídos sem vida no chão, além das centenas de feridos. Poucos conseguiram escapar.

Conflitos anteriores em que a o Exército e a polícia cercaram a Unam e a Escola Politécnica prenderam mais de 1000 sob a mira de baionetas, que chegaram a fazer 40 feridos no enfrentamento antes do massacre da praça de Tlatelolco. Tudo isso fez-se aumentar o apoio aos estudantes que reuniu milhares no dia 2 de outubro.

Esse episódio nos lembra a fúria da juventude mexicana e seu enfrentamento com o governo fortemente policial. Em 2014, estudantes normalistas se manifestavam contra os ataques à educação de Peña Nieto, também do PRI, que perseguiu um ônibus de manifestantes e desapareceu com ele. Não esquecemos, não perdoamos, tanto as centenas de 1968, quando os 43 desaparecidos de Ayotzinapa em 2014, que foram perseguidos e levados vivos e que até hoje ainda os queremos.




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