Política

De Piñera ao Padre Berrios: a frente anti-direitos humanos contra os presos políticos da rebelião

Em meio às múltiplas reações geradas pelo projeto de lei que perdoa os presos políticos da rebelião, nesta segunda-feira, novamente, o governo Piñera reforçou que pode vetar o projeto, caso seja aprovado. Ele não foi o único que se somou ao coro anti-direitos humanos, contando também com o Ministério Público e seu chefe, Jorge Abbott, o ex-presidente Frei, Carlos Peña e até o Padre "progressista" Felipe Berrios.

quarta-feira 16 de dezembro de 2020| Edição do dia

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(Foto: Reprodução)

Novas vozes se juntaram às ameaças de Piñera de vetar o projeto de lei que perdoa os presos políticos da rebelião de 2019. Durante esta terça-feira, o executivo continuou em sua ofensiva contra os direitos humanos e o Ministro do Interior foi, novamente, o porta-voz a criticar a possibilidade de conceder liberdade aos presos políticos.

Personalidades da Concertación se juntaram ao coro da direita, como o ex-presidente Frei, apontando que: "Não creio que isso seja apropriado para quem cometeu crimes e destruiu bens do país". Além disso, Jorge Abbott, junto ao Ministério Público Nacional, encabeçou uma declaração no mesmo sentido.

Senadores do DC, como Carolina Goic, e do PS, como Insulza, se somaram a esta verdadeira frente anti-direitos humanos. Inclusive, nas últimas horas, o Padre "progressista" Felipe Berrios disse que também não acreditava que houvesse presos políticos e que era contra o indulto.

Proteger a impunidade

Como destacou Fabiola Campillai, o processo constitucional continua enquanto há centenas de presos políticos da rebelião. Ao não questionar a instituição dos Carabineros, as Forças Armadas e o PDI, o processo constituinte imprimiu um selo de impunidade a todas as violações de direitos humanos ocorridas durante e após a rebelião popular e, ao contrário, a polícia ganhou um bônus ao longo deste ano. Até hoje há casos de traumas oculares, como o que aconteceu na sexta-feira passada.

Karen Tello, mãe de Axel Pizarro, preso desde 24 de julho, é um dos muitos casos com provas adulteradas, armados pela polícia. Tello destacou que “diria às mães que continuemos a demonstrar a inocência dos nossos filhos, brigando, não baixemos os braços, continuemos, seguiremos lutando para que todos os presos políticos saiam”.

Só conquistaremos a liberdade dos presos políticos com uma grande mobilização

Como mostra esta grande frente anti-direitos humanos, que vai do governo a setores da oposição, a aprovação do indulto e da liberdade dos presos políticos só pode ser conquistada com uma grande mobilização, preparada a partir da base, e movimentando essa grande força adormecida, que são os milhares que fazem parte dos grandes sindicatos e das centrais.

O apoio da CUT nas redes sociais, reivindicando a liberdade de presos políticos, não pode se limitar a uma entrevista coletiva ou a declarações em seu site. É necessária uma mobilização vigorosa para lutar pela libertação dos presos, o regime de 30 anos mantém a impunidade dos Carabineros e Piñera, como vem demonstrado, não entregará facilmente essa tarefa.

A CUT, liderada pelo PC, deve sair de sua imobilidade e trégua com o governo. Não é possível para um presidente com 7% de apoio continuar impondo impunidade e prisão política a centenas de combatentes da rebelião.

Traduzido de: https://www.laizquierdadiario.cl/Anti-derechos-humanos-El-frente-contra-las-y-los-presos-politicos-de-la-rebelion-que-une-desde




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