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De Auschwitz à Lojas Havan: "o trabalho liberta" condenando à morte

No último domingo a Secretaria Especial de Comunicação Social do governo Bolsonaro publicou no twitter propaganda que defendia a volta ao trabalho com slogan que remetia diretamente à frase nazista marcada em vários campos de concentração como o de Auschwitz: “O trabalho liberta”

segunda-feira 11 de maio| Edição do dia

O mundo enfrenta uma pandemia assustadora, no Brasil já se ultrapassa a marca de 11 mil mortos enquanto amargamos desemprego, subnotificação, falta de testes, colapsos no sistema público de saúde em diversas cidades do país. Em muitos hospitais e outros locais de trabalho que seguem funcionando, se relata ainda a falta de EPI’s.

O Coronavírus não chegou sozinho, se espalhou pelo mundo na mesma semana que o petróleo sofreu uma queda histórica dos preços devido ao aumento da produção da Arábia Saudita, desencadeando uma crise que já estava em curso, e acentuando as tendências recessivas que já vinham sendo previstas por uma série de economistas. Em tempos de crise, quando a infinita necessidade do aumento de lucros se coloca em cheque, a preocupação dos capitalistas é fazer com que os prejuízos sejam pagos pela classe trabalhadora. Bolsonaro encarna com uma vividêz mórbida esse objetivo no páis que já ultrapassa os 11 mil mortos pelo Covid-19.

A política assassina de Bolsonaro tenta forçar o fim da quarentena em todo o país para garantir os lucros dos capitalistas. É neste sentido que Bolsonaro junto a empresários marcharam até o STF: defender que suas empresas continuem à explorar trabalhadores para sustentar seus lucros. Ao mesmo tempo, toma uma série de medidas para atacar as condições de trabalho, como sua MP que dá aval para demissões em massa, suspensão de contratos e corte de salários; medidas que estão no oposto de qualquer preocupação com empregos, como Bolsonaro mente.

O cenário crítico representado pela união desses fatores ainda se agrava pelas inclinações fascistas de Bolsonaro e sua corja. Regina Duarte, a mais nova Secretária da Cultura, não nos deixou esquecer esse fato na sua entrevista com a CNN na qual debocha dos mortos, saúda a ditadura e minimiza o terror sofrido na época. Agora, a “boa nova” é oa adaptação de uma frase diretamente nazista pela Secretaria Especial de Comunicação Social do governo. Publicada ontem no twitter, a propaganda procurava incentivar a volta ao trabalho com a frase “O trabalho, a união e a verdade libertarão o Brasil”, semelhante à frase gravada no portão de entrada do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, que dizia “O trabalho liberta”.

Mesmo antes de sua eleição, não era exatamente uma novidade que Bolsonaro era um ultra-direitista que desrespeita as liberdades mais básicas das pessoas, mas agora como presidente, de cara para uma desaceleração econômica sem precedentes, que possivelmente dará na maior crise econômica da história, superando 1929, as “faces ocultas” desse governo se escancaram, contrariando aqueles que bradaram que não tinha como piorar. É que tempos como esse colocam de maneira contundente a necessidade de uma escolha: salvar o lucro dos patrões ou a vida dos trabalhadores? Bolsonaro não abre mão de responder essa pergunta diariamente de maneiras inimagináveis. Frente ao coronavírus, 1,216 trilhão de reais foi liberado para socorrer os banqueiros enquanto os desempregados e informais minguam seus 600 reais mensais de auxílio emergencial, que sequer era a proposta inicial de Guedes, que havia cogitado liberar apenas 200 reais. Esta é a "libertação" sugerida por Bolsonaro: libertar os bancos e empresários de qualquer receio para seguir ganhando em meio a uma crise que é paga com as condições de trabalho, saúde e vida de milhões.

A verdade é que em nome do lucro está permitido, para o atual governo, a relativização da tortura, a homenagem a generais da ditadura, a inclinação ao nazismo, assim como o ataque indiscriminado a quaisquer órgãos e grupos que no mínimo se coloquem favoráveis à medidas de isolamento social. É o que a mesma Secretaria de Comunicação Social fez à revista The Lancet, que publicou estudo sobre os impactos da crise do Coronavírus no Brasil e responsabilizou o governo. Os trabalhadores seguem reféns de um programa patronal que protege os empresários enquanto um sério plano de emergência de independência de classe dos trabalhadores não surge.

É evidente que são os mais pobres que serão mortos de fome, de Coronavírus, ou trabalharão até a morte sem receber nenhum direito. Sabemos que o que esse governo ultra-direitista quer é libertar os empresários e banqueiros da falência por meio do trabalho de milhares de pessoas que seguem aprisionadas pela necessidade de seguir trabalhando. Assim como os nazistas, estão dispostos a ver isso acontecendo em nome de uma salvação do país que na verdade é uma salvação da burguesia nacional.




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