Sociedade

SANEAMENTO BÁSICO

Dados sobre saneamento básico escancaram a verdade sobre o capitalismo no Brasil

Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o saneamento básico no país está longe de ser um serviço universalizado: 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água, cerca de 51,9% da população não tem acesso à coleta de esgoto e menos da metade do esgoto coletado é realmente tratado.

quarta-feira 18 de abril| Edição do dia

Em estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, divulgado nesta quarta-feira (18/04), que coleta e analisa os dados anuais das 100 maiores cidades (em termos de população) do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), a situação do saneamento básico em nosso país é calamitosa e mostra que o Brasil está longe de cumprir as metas assumidas a nível nacional no Plano Nacional de Saneamento Básico e internacional na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável.

Estima-se que mais de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, mais da metade (51,9%) da população não tem acesso à coleta de esgoto, menos da metade (44,9%) do esgoto coletado é tratado, o restante do esgoto coletado é "jogado na natureza" e a média de água “perdida” (vazamentos, problemas com manutenção e desvios na distribuição) nas cidades analisadas é de 39%. Outra informação importante é a melhoria pouco significativa em relação ao estudo anterior, um dos motivos disso é que os investimentos públicos e privados nessa área em geral têm diminuído (de 2015 para 2016 diminui em quase 2 bilhões de reais), sendo menor que o valor que é arrecadado na prestação desses serviços.

É escandaloso que num país como o Brasil que possui 12% dos recursos hídricos de todo o planeta, a questão do saneamento básico seja negligenciada dessa maneira. Essa situação é uma verdadeira crise ambiental, sanitária e humanitária e escancara a verdade sobre o capitalismo no Brasil: um país de extrema desigualdade social que está longe de caminhar para um verdadeiro desenvolvimento. Sem investimento em saneamento básico é impossível pensar em acabar com a miséria, a poluição urbana e dos recursos hídricos e as ameaças à saúde pública.

Enquanto isso, Temer e os governos seguem com seus planos de privatização das empresas públicas, e a corrupção rola solta entre os políticos e juízes privilegiados, favorecendo sempre os empresários. Apenas com os trabalhadores e a juventude organizados controlando os recursos públicos será possível ter uma política de saneamento básico que garanta de fato o direito à saúde e higiene e a preservação dos recursos naturais, tão importantes para nossas vidas, mas que nas mãos dos governos e empresários não passam de mercadorias.




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